Jales Naves
Especial para o jornal A Redação
Goiânia – A primeira reunião de preparação para fundação da Sociedade Goiana de História da Agricultura será realizada na próxima quarta-feira, dia 15, às 20h, pelo meet. A SGHA funcionará nos moldes da Academia Francesa, inicialmente com 40 patronos (escolhidos dentre personalidades já falecidas que contribuíram para a construção da agricultura goiana, em seu sentido lato – inclusive pecuária, agroindústrias e ambientalismo) e 40 membros titulares (engenheiros agrônomos, médicos veterinários, engenheiros florestais, zootecnistas, geógrafos, historiadores, economistas, advogados, jornalistas, sociólogos, educadores, artistas, escritores, ambientalistas e outros profissionais que já publicaram, ou registraram em forma de arte, sobre a história da agricultura e correlatos).
A nova entidade nasce sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás (IHGG), Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis para os Povos do Cerrado (Icebe) e Instituto Altair Sales.
Página de rosto do livro "Cultura dos Campos” (Paris, 1910), de Assis Brasil, encomendada pela Sociedade Brasileira Para Animação da Agricultura, instituição fundada em 1908 por 350 brasileiros, dentre eles o Barão do Rio Branco e Santos Dumont, com sede na capital francesa.
Goiás destaca-se nacionalmente no agronegócio e na agricultura familiar, além da luta pela sustentabilidade, paradoxal com a antropização ambiental e suas consequências. A observação é do historiador Nilson Jaime, um dos articuladores da criação da SGHA. Explica que “nossa geração vivenciou e vivencia a transição da agricultura tradicional para as agriculturas moderna, sustentável e de precisão, modelos ainda em formação e, até certo ponto, concorrentes entre si”. “Somos uma geração com o privilégio de poder registrar tudo isso e deixar esse legado à posteridade”, completou.
Nova entidade
A Sociedade Goiana de História da Agricultura surge com o objetivo de estudar a geo-história, a sociologia, a economia e as relações dos povos cerratenses com os meios de produção e os recursos ambientais que deram origem e mantêm a agricultura goiana. Primeira do gênero no Brasil, deverá ser presidida inicialmente pelo professor-doutor Sandro Dutra e Silva, da UniEvangélica e Universidade Estadual de Goiás (UEG).
A SGHA não terá escopo meramente temático do setor agrícola, como na Sociedade Nacional de Agricultura (fundada em 1897), ou classista, como na Sociedade Rural Brasileira (fundada em 1919): será voltada para o estudo das interações geo-históricas e sociológicas do homem do cerrado com o meio-ambiente, contextualizados com as antropizações que constroem a agricultura, sentido lato. Sem se descuidar da Literatura, das Artes e da Cultura que diagonizalizam o tema.
Será formatada nos moldes da Academia Francesa, com 40 cadeiras e respectivos patronos, e igual número de ocupantes. Os primeiros, figuras de escol que impactaram a ciência agrícola brasileira e goiana, como Saint-Hilaire (descreveu o homem, as produções e as propriedades agrícolas goianas no Século XIX); Eurípedes Malavolta (clássico estudioso da fertilidade do solo no Brasil); Peter Sonnemberg (pioneiro do ensino da olericultura em Goiás); Johanna Döbereiner (pioneira em biologia do solo); Ana Maria Primavesi (expoente da agroecologia); Lourenço Granato e José Reis (divulgadores científicos); e diversos outros professores, pesquisadores e gestores públicos, como Leonino Di Ramos Caiado que, enquanto governador, criou o programa Goiás Rural (possibilitou a ocupação do cerrado com agricultura) e a Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuária (Emgopa), responsável pelas pesquisas e lançamento de mais de duas dezenas de cultivares de soja que dominariam toda a região centro-norte brasileira nas décadas seguintes. Figuras de proa na defesa da reforma agrária e da agricultura familiar, como dom Tomás Balduíno, e José Lutzemberger, serão homenageadas, como assinalou Nilson Jaime.
A SGHA estudará tanto o agronegócio quanto a agricultura familiar e suas importâncias para o desenvolvimento agrícola de Goiás e do centro-oeste.
História e grandes áreas
A história da agricultura abrangerá também fatos, acontecimentos e contextos de dezenas de grandes áreas agrícolas, como zootecnia, clínica veterinária, alimentação e nutrição animal, avicultura, suinocultura, bovinocultura, hidráulica agrícola, meteorologia e climatologia, fitopatologia, entomologia, engenharia rural, fruticultura, silvicultura e olericultura. Ainda, floricultura e paisagismo, melhoramento animal e de plantas, sistemas de informação, aerofotogrametria, sociologia rural, economia rural, administração agrícola, indústrias e transformações de produtos rurais, sustentabilidade e conservação de recursos naturais, meio-ambiente, e dezenas de outras áreas afins.
Os membros da sociedade serão convidados dentre pesquisadores que estudem, pesquisem ou escrevam sobre o tema. Ou que, por sua vivência profissional, sejam repositórios da memória da agricultura em Goiás.