José Abrão
Goiânia – Este sábado é marcado pelos 20 anos dos atentados terroristas de 11 de setembro, quando fundamentalistas islâmicos do grupo terrorista Al-Qaeda atacaram alvos nos Estados Unidos (EUA) em ataques suicidas com aviões comerciais sequestrados. O caso mais traumático foi em Nova York, em que os aviões atingiram e derrubaram o World Trade Center, os dois maiores prédios da cidade, causando milhares de mortes.
Os atentados afetariam todo o mundo e, principalmente, toda a política externa e doméstica dos EUA, desencadeando leis polêmicas como o Patriot Act e a Guerra ao Terror com a invasão do Afeganistão e do Iraque.
Para marcar a data, separamos alguns filmes e séries que ajudam a compreender este acontecimento histórico e o seu impacto no cenário global.
Ponto de Virada: 11/9 e a Guerra contra o Terror
Esta minissérie da Netflix é a produção mais recente e, por um lado, a mais interessante, por se beneficiar do conhecimento oferecido por 20 anos de História, dados, entrevistas e documentos. Além de aprofundados e ricos em informações, os episódios vão além ao trazer entrevistas de pessoas envolvidas nos bastidores do poder, sobreviventes e, até mesmo, lideranças do Talibã ou indivíduos ligados a grupos extremistas. Outro ponto marcante e surpreendente é a franqueza com que os episódios não eximem os americanos e a política externa dos EUA de culpa, encadeando os fatos desde a invasão soviética do Afeganistão em 1979 até o desenrolar da Guerra ao Terror e suas consequências.
Quanto Vale?
Também da Netflix, o drama estrelado por Michael Keaton aborda um tema que raramente é lembrado em tramas que envolvem tragédia: a burocracia da dor. O filme acompanha a árdua e hercúlea missão de um advogado para o fundo de indenização das vítimas dos 11 de setembro. Mas como você coloca o preço em uma vida?
NYC Epicenters 9/11-> 2021½
Esta minissérie autoral de Spike Lee, diretor de Infiltrado na Klan e Faça a Coisa Certa, acompanha uma introspecção do cineasta sobre Nova York e seus habitantes como uma coisa viva e mutável – e repetidamente marcada por traumas nas últimas duas décadas desde o atentado de 11 de Setembro.
Fahrenheit, 11 de Setembro
Para assistir com um chapéu de alumínio na cabeça, o controverso documentário do diretor de Tiros em Columbine, Michael Moore, é agressivamente anti-Bush. Considerado, até certo ponto, um clássico, por sua abrangência e celeridade (foi lançado em 2004), Moore tem como premissa a percepção de que George W. Bush usou o trauma e ressentimento da população para atender a própria agenda política, desde a implementação de leis reacionárias a até beneficiar os aliados da Arábia Saudita com a invasão do Iraque. Um novelão, só que informativo.
A Hora Mais Escura
Depois de ganhar o Oscar de Melhor Diretor por Guerra ao Terror, Kathryn Bigelow permaneceu no tema, agora dramatizando a que era, então, a versão oficial da caçada e posterior execução de Osama bin Laden. Embora seja mais um em uma longa lista de filmes hollywoodianos a abordar os atentados, este é o único que evita dar uma de ponta no dramalhão (como Voo United 93, de Paul Greengrass ou As Torres Gêmeas, de Oliver Stone) assim como um ufanismo exacerbado (como em Sniper Americano, de Clint Eastwood).
O Relatório
Um dos maiores medos do Congresso dos EUA – e uma das maiores paranoias da população liberal americana – era de que o presidente George W. Bush e o alto comando militar fossem longe demais na retaliação após os atentados. O Relatório é uma dramatização de um texto de quase 7 mil páginas real: uma investigação promovida pelo parlamento sobre ações clandestinas – tortura; interrogatórios; sequestros; execuções – promovidas por operativos americanos ou mercenários em território inimigo. A maior parte do documento permanece Top Secret até hoje.
Vice
Na mesma pegada de O Relatório, o filme estrelado por Christian Bale acompanha as políticas do vice-presidente Dick Chaney que levaram ao Patriot Act, à tortura e violações da Convenção de Genebra em Guantánamo e Abu Ghraib, até a invasão ilegal do Iraque e a transformação da NSA em uma arma de vigilância e espionagem contra o povo dos EUA.