Nádia Junqueira
A deputada federal e presidente regional do PDT, Flávia Morais, afirmou,neste sábado, que o PDT terá candidato próprio à prefeitura de Trindade. Em Goiânia, segundo ela, o partido vai apoiar o prefeito Paulo Garcia (PT) que busca a reeleição. Em meio a especulações de que pode apoiar a reeleição do prefeito de Trindade, Ricardo Fortunato, Flávia negou e admitiu a possibilidade de entrar na disputa. "Pode ser eu ou outro", afirmou.
A entrevista foi conecedida neste sábado (6/8), no auditório Solon Amaral da Assembleia Legislativa. O local foi ocupado esta manhã e início da tarde (6/8) por políticos, militantes e lideranças do PDT. É o primeiro encontro do partido desde que a deputada federal Flávia Morais assumiu a presidência. O encontro conta com a presença do Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que vem a Goiás contribuir para o evento que tem como objetivo fazer trabalho de formação com novos filiados e estimular a pré-candidatura de vereadores e prefeitos em todo o Estado.
À Redação, a deputada Flávia Morais, que cumpre seu primeiro mandato na Câmara Federal, falou do seu trabalho em Brasília e das perspectivas do partido para as eleições em 2012. A deputada afirma que partido vai seguir a tendência nacional de apoiar a base aliada do governo
Confira entrevista avaixo
AR: Este é o primeiro encontro desde que a senhora assumiu a presidência do partido. Qual o objetivo?
Nós estamos fazendo esse encontro para fazer um trabalho de formação com novas lideranças que vieram para o partido; temos vários novos membros aqui. Também vamos traçar metas de filiação e de pré-candidaturas a vereadores e prefeitos em 2012. Queremos hoje levar informações sobre o partido, sua história e perspectivas futuras. Hoje temos apenas uma prefeita no estado. Queremos mudar isso e não só em quantidade. Temos trabalhado e discutido muito com as lideranças nos municípios. Queremos que o partido cresça com qualidade, com quadro de candidatos que ganhem as eleições e também façam boas gestões com credibilidade e boa folha de serviços.
AR: O partido, nacionalmente, trabalha para se unir à base aliada do governo federal nos municípios, visando as eleições de 2012. Aqui em Goiás o PDT também vai trabalhar assim?
Sim. Nós temos trabalhado, conversado e participado de várias reuniões com partidos da base de Dilma. A intenção do PDT é lançar candidatos próprios nas próximas eleições no maior número de municípios. Mas quando não lançarmos, vamos compor com partidos da base aliada da presidente.
AR: Isso se aplica para Goiânia e Trindade? Vocês vão apoiar Paulo Garcia e se unir ao PMDB em Trindade?
Em Goiânia já definimos: vamos apoiar a eleição do Paulo Garcia, do PT, que é uma candidatura natural e vamos trabalhar para elegê-lo. Em Trindade vamos trabalhar para PDT lançar candidatura própria. Não existe definição em relação à união com PMDB em Trindade.
AR: E já tem nomes? Será você mesma, George Morais ou quem?
Pode ser que seja eu ou outro nome. Estamos fazendo trabalho forte em Trindade, filiando várias pessoas e estamos trabalhando para lançar candidatura própria.
AR: E quanto ao trabalho no partido com Isaura e Tatiana Lemos? Tem fluído com harmonia?
Desde o começo falamos que trabalharíamos pela união, para que o PDT fosse unido. E com o tempo as coisas estão acontecendo. Hoje o acirramento é menor e seguimos mais unidos. No início, algumas divergências foram naturais, porque o partido ficou muito tempo sob o comando da Deputada Isaura e toda mudança causa receio. Mas hoje acho que já existe um reconhecimento de que o trabalho está sendo feito para todos e não só para um. Percebemos uma melhor aceitação e espaço para todos os deputados. PDT em Goiás cresceu, hoje, pela primeira vez, temos uma cadeira no Congresso Nacional e três na Assembleia.
AR: E falando em trabalho na Câmara Federal, como você avalia esses seis primeiros meses de trabalho em Brasília?
Muito produtivo. Como primeiro mandato, passei por uma fase de reconhecimento de terreno: conhecemos todos os minisérios, estamos fazendo atuação parlamentar forte e preparando para apresentar emendas que devem acontecer no fim do ano que vem. Faço parte das comissões de Trabalho, Seguridade e Família e também da de Direitos Humanos. Nós temos promovido e participado de vários debates e encaminhamos alguns projetos importantes. Implantamos a Frente Parlamentar em Defesa e Promoção dos Direitos da Pessoa Idosa além de emancipação e apoio aos municípios. Um projeto importante é o que reduz a idade do idoso para receber benefícios de prestação continuada, de 65 para 60 anos.
Há também o polêmico projeto de reforma política em que defendemos o direito do cidadão ter dois votos: um para homem e outro para mulher para aumentar a representatividade da mulher no legislativo. Também atuamos na bancada feminina, sou procuradora adjunta da Câmara para representar todas mulheres lá. Realizamos um seminário internacional com políticas da América do Sul para avaliar e resgatar mecanismos para aumentar a presença das mulheres no parlamento.
AR: E quais os maiores desafios para esse segundo semestre?
A aprovação da Reforma Política que está prevista e também da emenda 29, que garantirá mais recursos para saúde. Será uma guerra de forças para convencer o governo a votá-la, mas nossa luta é que a política pública de atendimento à saúde seja priorizada. As outras coisas podem esperar. Além disso, essa emenda é uma demanda dos municípios e do povo. Vamos trabalhar junto ao Senado para conseguiar acordar que se regulamente e melhore as condições de saúde no País.