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Nossa cidade está preparada para revelar talentos olímpicos?

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10.08.2021 - 14:04:00
 
O Brasil encerra as Olimpíadas de Tóquio com o seu melhor resultado na história dos jogos, alcançando a marca de 21 medalhas (sendo 7 de ouro, 6 de prata e 8 de bronze), duas a mais do que a edição do Rio, em 2016, até então a nossa melhor participação. 
 
Mas ainda assim, e sem de forma alguma menosprezar tal resultado, bem como o incrível trabalho de nossos atletas, é inevitável não compararmos o desempenho brasileiro com o de outras nações com populações bem menores que a nossa, como Canadá, Itália e a Holanda, que ficaram à nossa frente no número de conquistas. 
 
Comparando, levantamos novamente o velho debate de como o nosso potencial para várias modalidades esportivas poderia ser bem melhor, se houvesse mais investimentos em políticas públicas que ajudassem a revelar e treinar os muitos talentos que sabemos que temos. Um dos incentivos primordiais para um atleta é a oferta de espaços. Diante disso, devemos nos perguntar: nossa cidade oferece locais preparados e democráticos para atividades esportivas? Como um profissional do urbanismo que conhece muitas cidades brasileiras e um bom número de outras fora do País, devo dizer que infelizmente não.
 
Goiânia, apesar de ser conhecida como a cidade das praças e dos parques, possui poucos lugares públicos em que se pode praticar alguma modalidade esportiva, diferente do futebol. Em geral, as praças e parques que temos, apesar de serem sim belíssimos, são preparados para a simples caminhada, corrida ou exercícios funcionais. Os poucos espaços que existem não contam com pessoal preparado para desenvolver um trabalho de iniciação esportiva. Acaba que muitos espaços de lazer, que são melhor estruturados, ficam relegados aos condomínios de alto padrão, o que infelizmente realmente não é democrático.
 
Temos, desde 2010, um programa do governo federal, o Praças PEC [Praças de Cultura e Esporte], que garante recursos para prefeituras construírem grandes praças multiuso, voltadas tanto para atividades esportivas quanto culturais. Mas apesar de existir desde 2010, só agora em 2021 que serão entregues em Goiânia as duas primeiras Praças PEC. 
 
Mas devo ser justo, a falta de espaços voltados para a iniciação esportiva não é um problema só de Goiânia. Devemos lembrar que em nosso País ainda há uma carência enorme de estruturas tidas como essenciais, como creches, escolas e postos de saúde. Se em outros países, os espaços para os esportes são tão fundamentais quanto às escolas, para nós lamentavelmente ainda é quase que um luxo.
 
Ter mais locais voltados à prática esportiva traz um ganho social enorme para as cidades, uma vez que estimulam uma ocupação saudável desses espaços públicos. E não basta só construirmos ginásios e praças de esportes, o poder público precisa também fomentar o uso desses lugares com oferta de cursos gratuitos de iniciação esportiva, organização de competições comunitárias ou regionais.
 
Dentro de um grande projeto nacional que efetivamente garanta oportunidades para que crianças e jovens tenham chances de se interessar por algum esporte, as escolas têm papel fundamental. Os ginásios de esportes no Brasil deveriam ser, a exemplo do que já é há anos nos países que são potências esportivas, construídos junto às escolas, para que, além de espaço adequado, tenha-se educadores especializados que irão ajudar crianças e adolescentes a descobrirem toda sua potencialidade. 
 
Todos os Países que foram destaques na conquista de medalhas em Tóquio, culturalmente sempre tiveram a prática esportiva como parte essencial na educação de crianças e adolescentes. Para essas nações, o esporte de fato faz parte da educação das pessoas, desde muito cedo.
 
*Paulo Renato Alves é arquiteto e urbanista e sócio-diretor da Norden Arquitetura
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por Paulo Renato Alves

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