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Na Semana do Meio Ambiente, a luta pelos abacateiros

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01.06.2021 - 12:01:07
 
Quatro meses depois de começar uma nova experiência com o plantio de pequenas mudas de abacateiros, que Heloísa cultiva, de forma delicada e paciente, na sacada de nosso quarto no apartamento em que residimos no setor Bueno, em Goiânia, saudamos a Semana Nacional do Meio Ambiente e todas as iniciativas da área.

Em 2020 tivemos uma longa e inglória jornada em que plantamos e acompanhamos seis pequenos abacateiros na Alameda Couto de Magalhães, no setor Bela Vista, que não resistiram ao calor intenso ou outro problema que não soubemos precisar.

 
Alguém já disse da dificuldade de cultivar essas mudas de pés de abacate como fizemos, a partir do caroço já com raízes enormes, e as aguamos até terem um porte mais expressivo para serem levados para aquele novo local, uma cova especial, na qual colocamos adubo e jogamos água.
 
Foi um rito repetido por longos seis meses, onde íamos, num percurso de uns dois quilômetros, a pé, carregando os vasilhames com água, a cada dois ou três dias.
 
Não nos cansamos. Persistimos, conversamos, rimos e fizemos alguns novos amigos, que nos cumprimentaram pela iniciativa, acenaram positivo quando passavam em seus carros ou mesmo paravam para conversar.
 
Um ato natural de quando as pessoas querem se encontrar, falar, trocar experiências, falar de si e de seus projetos, comentar os problemas que enfrentam, indicar soluções, e saudar momentos como aquele, espontâneos e que todos querem ter.
 
No final de dezembro de 2020, antes de viajar para uma temporada de quase dois meses em Cabo Frio, RJ, plantamos quatro novas pequenas mudas na praça Irene Machado, que fica na avenida C-264, esquina com as ruas C-268 e C-178, no setor Nova Suíça, próximo da confeitaria Maná. Jogamos água nas plantinhas nos dias antes da viagem e encarregamos algumas pessoas de darem prosseguimento ao rito, que consideramos importante nessa luta pela sobrevivência desses projetos de árvores frondosas, que vão dar abacate, alimento, para quem ali comparecer no período dos frutos. Também, era época de chuvas e acompanhamos, à distância, quando a cidade ficava molhada e, naturalmente, as pequenas mudas.
 
Ao retornarmos, escolhemos outra praça, a C-246, também na Nova Suíça, mas que a placa indica Jardim América, na rua C-235 com a C-245 e C-247 e T-68, e novamente plantamos mais quatro pequenas mudas, na expectativa do florescimento e transformação em árvores resistentes, capazes de superar os dias secos e quentes.
 
Passados já esses meses, na pracinha da Maná a luta foi meio ingrata e dos quatro plantios, apenas um sobreviveu até agora, uns destruídos por inocentes crianças, adultos descompromissados jogando bola nesses reduzidos canteiros ou mesmos animais, como cachorros e até mesmo as formigas, as famigeradas saúvas, que comeram folhas, caules etc.
 
Ontem mesmo estivemos lá, Antonella, eu e Heloísa, a fotógrafa, e levamos água, como fazemos a cada dois dias. Não é longe de onde moramos, apenas quatro quadras. Jogamos cinco litros de água na plantinha, um alívio nesses dias quentes, e para algumas folhas, que pareceram adoecidas. Não conseguimos reverter a situação das outras três, e elas não mais existem.
 
Na simpática e pequena praça C-246, com um quiosque de sanduíches no centro, e muitas árvores, algumas grandes, e outras plantações, também mais recentes, as possibilidades são melhores. Das quatro mudas, apenas uma foi derrubada, pela ação das saúvas ou de quem possa ter querido ajudar, mas não conseguiu.
 
Estão resistindo as outras três, em passos bem vagarosos para nós, que já as queríamos definitivamente enraizadas, ganhando corpo, ocupando espaço, oferecendo sombra etc.
 
Ali temos feito novos amigos, que se aproximam para conversar, dizem que estão nos acompanhando, uma já nos pediu que jogasse água também numa mangueira que tinha plantado antes e parece estar com suas raízes mais adaptadas, outros acenam positivamente, buzinam.
 
No final, tudo se torna nesse momento especial, de estar favorecendo a vida, estimulando a solidariedade, aproximando as pessoas e incentivando o convívio, ainda que rápido e passageiro.

*Jales Naves é escritor e jornalista, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em dois mandatos consecutivos (1985-1991) e é membro da Academia de Letras e Artes de Caldas Novas, ocupando a Cadeira nº 30.
 
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por Jales Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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