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O Brasil, o Líbano e a fraternidade

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13.05.2021 - 09:27:53
 
No Dia da Fraternidade, celebrado neste 13 de maio, gostaríamos de celebrar a irmandade entre brasileiros e libaneses. O Brasil abriga a maior comunidade libanesa do mundo, com cerca de 12 milhões de libaneses, superior à própria população do Líbano, com uma população de aproximadamente 4,5 milhões de habitantes. A irmandade inconteste entre os dois povos data do reinado de Dom Pedro II e, nesta data, gostaríamos de resgatar um pouco desta história.
 
Pedro de Alcântara, Dom Pedro II, era um reconhecido amante das ciências, das línguas e culturas universais. O imperador, que conhecia muito bem o idioma árabe, viajou em duas ocasiões ao Oriente Médio e em 1876 esteve na região que hoje é a República Libanesa. Ao chegar a Beirute, escreveu uma carta a um amigo dizendo “A partir de hoje começa um mundo novo. O Líbano ergue-se diante de mim com seus cimos nevados, seu aspecto severo, como convém a essa sentinela da Terra Santa” (as cartas e diários de Dom Pedro II encontram-se arquivados no Museu Imperial, em Petrópolis, Rio de Janeiro). E o imperador não se equivocou.
 
Uma fraternidade duradoura nasceu dali em diante. Uma onda duradoura de imigração libanesa desembarcou no Brasil a partir da década de 1880, quando o Império Otomano enfrentava uma grave crise. O Brasil já abrigava anteriormente libaneses, inclusive foi a presença deles no Império que despertou o interesse do imperador em aprender o idioma e a cultura árabes, pois queria escutar e entender o que essa gente dizia. Dom Pedro II se empenhou, desde então, em conhecer as grandes obras literárias e científicas da região, dedicou-se com entusiasmo à tradução dos contos do clássico livro As mil e uma noites, por exemplo.
 
Nos poucos dias que esteve no Líbano, Dom Pedro II conversou com camponeses despertando-lhes a curiosidade pela terra brasileira, esteve ainda com grandes mestres da ciência e da literatura libanesas da época, como Ibrahim Al-Iazigi, maior gramático da língua árabe, e chegou a assistir a uma aula do eminente Corneliu Van Dyck, grande arabista, astrônomo e médico da época, ocasião na qual o imperador disse “Não preciso que ninguém apresente este honrado doutor. O senhor já é bem conhecido por mim, já escutei falar muito dos seus conhecimentos e profunda dedicação. Queria mesmo encontrar-me com o senhor para conhecê-lo pessoalmente, da mesma forma que já tive a oportunidade de conhecer teus colegas, os cientistas”.
 
Histórias como essas que podem ser encontradas no Museu Imperial de Petrópolis e no belo livro do historiador Roberto Khatlab, As viagens de Dom Pedro 2°: Oriente Médio e África do Norte, 1871 e 1876, são sem dúvida alguma as origens da irmandade secular entre Brasil e Líbano. O Brasil se tornou terra de predileção entre os libaneses, fazendo aparecer uma terra de irmandade para além das fronteiras geográficas da região.
 
Hoje, nesse dia da fraternidade, celebramos juntos, brasileiros e libaneses, o encontro de culturas que se influenciam mutuamente, que se deixam abraçar afetuosamente. Esse encontro é a prova da universalidade do ser humano, registrada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, cuja redação se deve em grande parte ao libanês Charles Malik.

*Hanna Mtanios é advogado e cônsul honorário do Líbano em Goiânia
 
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por Hanna Mtanios

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