A Redação
Goiânia –
O Juriti – Festival de Música e Poesia Encenada está de volta e a sua 7ª edição, devido à pandemia do novo coronavírus, será realizada de forma remota. As inscrições, somente para artistas de Goiás e Distrito Federal, para poesia e música autoral, prosseguem até o próximo sábado, dia 1º de maio, e podem ser feitas por e-mail de acordo com o regulamento disponível no site do evento. Todos os selecionados do Juriti ganham R$ 300,00 de ajuda de custo e concorrem a premiações de 1 mil, 2 mil e 3 mil reais.
“Estamos montando todo um planejamento com os objetivos de resguardar a saúde das pessoas e equiparar as condições de concorrência no formato virtual, já que somos um festival competitivo. Nesse planejamento, daremos um voo de cada vez, até porque futuras etapas estão sujeitas a novas adaptações, conforme o andamento da pandemia. Primeiramente estamos determinando uma nova data limite para inscrições”, afirma Ricardo Edilberto, diretor do 7º Juriti.
Segundo ele, as inscrições feitas antes da modificação da realização presencial para on-line estão mantidas. O diretor alerta que todo o processo de inscrição pode ser feito de dentro de casa. “Ninguém precisa se arriscar. Na Categoria Poesia Encenada não muda muito, pois são enviados apenas arquivos em PDF. Já na Categoria Música, destacamos que enviar o áudio gravado em estúdio ou de forma caseira não fará diferença à seleção dos concorrentes. Nosso foco são a originalidade, a qualidade e a diversidade apenas das composições”, frisa o diretor.
Lara Morena, produtora do festival, acredita que o momento exige ação no sentido de promover a cultura no País, já que a classe cultural foi uma das mais prejudicadas nesta pandemia que avança há mais de um ano. “O Juriti precisa voar. Acreditamos ser notório o papel fundamental que o festival alcançou no meio artístico regional. Se o palco virtual é, hoje, nossa única opção, que assim seja. E que o nosso voo on-line ajude-nos a formar uma grande onda de força para que possamos enfrentar esse momento cada vez mais com união, sabedoria e solidariedade”, considera a produtora.
História
O Festival Juriti foi criado por um grupo de jovens do Setor Criméia Leste, em Goiânia. O jornalista, publicitário e cineasta Ricardo Edilberto, diretor geral do evento é remanescente deste grupo. Ele fala com orgulho do crescimento do Juriti que começou na periferia da capital goiana e vem consolidando o seu nome como um dos festivais da cena autoral mais importantes de Goiás.
“Cada edição é uma luta. Quando a gente começou, há 27 anos, não imaginávamos que poderíamos ir tão longe e ser hoje um festival importante para os artistas goianos. No início era só uma alternativa de lazer para a comunidade. A prefeitura, na época, transformou o campo de futebol da região em praça. Esse campo era o nosso principal ponto de convivência, onde acontecia um grande campeonato de várzea. Morreu o campo, morreu a convivência”, lembra o diretor.
Com o fim do campo, Ricardo explica que ele e mais alguns jovens do bairro resolveram fazer a primeira edição do Juriti em 1993 como alternativa de convivência comunitária. “Depois, por falta de incentivo, não demos continuidade. A partir de 2009 iniciamos a retomada, já com a parceria de instituições governamentais por meio de leis de incentivo. Desde então, estamos seguindo nessa luta e consolidando nossa história agora com esta 7ª edição que será online devido à pandemia.”
Ricardo faz questão de ressaltar, ainda, que o Juriti, em suas últimas edições, deixou de ser realizado presencialmente no Crimeia Leste por falta de uma estrutura local que comportasse o tamanho atual do Festival. “Voamos para outros espaços culturais por uma questão de necessidade estrutural, mas nunca deixamos de pousar com parte do evento em nossa aldeia que é o Crimeia. Por isso, pelo menos a abertura, a gente continuou realizando no bairro movimentando a cena cultural local”, frisa.