A Redação
Goiânia –
Em entrevista concedida à Veja, publicada no site da revista nesta quinta-feira (22/4), o ex-secretário de Comunicação da Presidência da República, Fabio Wajngarten, creditou ao ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, a responsabilidade pelo atraso da vacinação contra covid-19 no Brasil. O publicitário poupou o presidente Jair Bolsonaro de críticas e relatou como assumiu as negociações com a Pfizer, que não alcançaram êxito, depois de oferta de 70 milhões de vacinas da farmacêutica ter sido ignorada pelo Ministério da Saúde em setembro de 2020.
Segundo Wajngarten, o acordo por doses que poderiam ter começado a ser aplicadas em dezembro do ano passado não foi feito por causa de “incompetência” e “ineficiência” da gestão da pasta, mesmo ele tendo, pessoalmente, assumido as tratativas com a empresa após ser avisado da ausência de resposta do governo à carta da Pfizer. Ele contou à Veja que as negociações avançaram muito, mas travaram no ministério por causa de três pontos: o foro para solução de conflitos, que seria de Nova York; a isenção de responsabilização e indenização; e a garantia com ativos de potenciais danos financeiros.
Questionado sobre a omissão de Bolsonaro, o publicitário considerou que “o presidente sempre disse que compraria todas as vacinas, desde que aprovadas pela Anvisa”, contrariando postura anti-vacina apresentada pelo mandatário à época. Ele eximiu o presidente de qualquer responsabilidade na negociação citada e em sua interrupção. “Se as coisas não aconteceram, não foi por culpa do Planalto. Ele era abastecido com informações erradas, não sei se por dolo, incompetência ou as duas coisas”, informou à Veja.
Na Secretaria de Comunicação desde 2019, Wajngarten foi demitido no mês passado, o que ocorreu, segundo a Veja, em decorrência do duelo travado internamente com Pazuello, também demitido em março. O ex-secretário contou que “pessoas ligadas ao então ministro da Saúde começaram a plantar notícias”. A especulação era de que ele tinha interesses pessoais no acordo com a Pfizer. Ele questionou se a situação da pandemia não seria motivo suficiente e prometeu que dará todas as informações que tem caso seja chamado para depor na CPI da Covid, no Congresso Nacional.