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O papel dos municípios no atual momento da educação

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15.03.2021 - 09:59:31
 
Um estudo recente da ONG Todos pela Educação revela que o Brasil vive um verdadeiro apagão na educação básica. Não fosse suficiente, a diminuição de recursos oriundos do Fundeb para o ano de 2021 agrava ainda mais esse quadro. É importante lembrar que a tabela de equiparação do fundo não foi positiva para 2021 em relação a 2020 e isso se deve à leniência do governo federal com a educação.
 
O vazio de ideias do Ministério da Educação nos anos 2020 e 2021 é uma constatação latente. Nos perdemos no primeiro momento com uma inócua discussão ideológica sobre alfabetização “silábica ou fonética”, algo já há muito superado pelas escolas de pedagogia do Brasil. Depois, o ministério foi tragado por um debate de enfraquecimento das universidades federais. Ajustes devem ser sempre levados em conta, mas é inegável o papel das IES federais para a educação, principalmente a básica.
 
O que vivemos hoje é a absoluta falta de coordenação nacional na educação. E, não menos importante, estamos sendo acometidos por uma das maiores, senão a maior, catástrofe sanitária/social da história. Precisamos de uma hora pra outra “aprender” o ensino remoto como forma de não penalizar ainda mais nossos estudantes.
 
A escola, professores e os demais atores da educação, agiram rápido. Os professores se reinventaram e aprenderam a dar aula através de gravações, vídeoaulas, WhatsApp, remotamente, síncronas e assíncronas. Os diretores escolares se desdobraram para criar um ambiente administrativo possível para o atendimento dos alunos e professores em horários alternados. 
 
Em Goiás, o Conselho Estadual de Educação rapidamente se mobilizou e normatizou, por meio da resolução 02/2020, o Regime Especial de Aulas Não Presenciais (Reanp), o que possibilitou que as atividades pedagógicas não parassem e que pudéssemos continuar ofertando educação aos estudantes goianos.
 
Mas, agora, precisamos de um maior esforço dos prefeitos e prefeitas dos municípios nesta travessia que é o Reanp. É necessário um expressivo programa de investimento nas redes educacionais, principalmente em duas áreas: formação de professores para a era digital e aquisição de instrumentos pedagógico-tecnológicos, além de oferta de pacote de dados de internet para todos os nossos alunos.
 
Não há possibilidade de enfrentarmos essa “pandemia educacional” sem os equipamentos necessários. Formação de professores para a cultura digital, onde podemos verificar a necessidade da conexão das tecnologias digitais com a prática da sala de aula, é urgente para todas as redes de educação.
 
Oferta de equipamentos como tablets, notebooks e smartphones para nossos alunos  também é essencial. Temos entre os docentes um grande contingente que não tem sequer um aparelho celular para participar das atividades remotas e, dentre aqueles que tem, outro desafio se apresenta: a falta de pacote de dados de internet para uso exclusivo das atividades escolares.
 
O orçamento da educação deve ser integralmente reinvestido em ações pedagógicas e de fortalecimento da atividade com os alunos. Os planos de educação e a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) continuam sendo nosso guia para a construção de uma educação que gere resultados e o aumento da proficiência.
 
Neste grande ecossistema da educação, todos somos primordiais, e cabe aos gestores públicos a especial e carinhosa atenção com professores e alunos para podermos atravessar o movediço e turvo momento da pandemia da Covid-19.
 
*Manoel Barbosa é pedagogo, mestrando em Educação pela PUC-GO, professor da rede municipal de Goiânia e Conselheiro Estadual de Educação em Goiás
 
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por Manoel Barbosa

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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