José Abrão
Especial para A Redação
Goiânia – A Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT) cumpriu, na manhã desta terça-feira (23/2), 20 mandados de busca e apreensão e 12 mandados de prisão temporária. A ação faz parte da Operação Último Drink, que investiga uma associação criminosa suspeita de sonegação fiscal e de falsificação.
Os investigados, entre eles empresários e contadores, são suspeitos de usar esquemas de fachada, os vulgos "laranjas", para sonegar e ostentar uma vida de luxo.
O prejuízo aos cofres públicos causado pelos suspeitos é estimado em mais de R$ 100 milhões. Esta é a maior operação já realizada pela DOT e contou com o apoio da Secretaria de Estado da Economia.
Trabalharam nesta operação um total de 100 policiais civis e foram usadas 40 viaturas. Durante a operação, os policiais apreenderam R$ 40 mil em espécie, computadores, celulares, notas fiscais e documentos. Os mandados foram cumpridos em Goiânia, em escritórios de contabilidade, empresas e nas residências dos investigados em três condomínios de luxo.
Apuração
As investigações se iniciaram após denúncia anônima, cujas informações foram checadas pela DOT e pela Secretaria de Economia. Os levantamentos deram conta de que nove empresas, todas sediadas na capital, participariam de uma associação criminosa voltada para falsificação e sonegação.
Segundo a Polícia Civil, os empresários constituíam distribuidoras de bebidas que, na verdade, vendiam notas fiscais inidôneas para outras empresas do ramo, visando legalizar o comércio fraudulento de bebidas alcoólicas frutos de furto ou roubo.
As empresas que emitiam as notas cobravam 5% do valor de cada nota emitida, e parte desse percentual é direcionado para simular a movimentação financeira dessas empresas "noteiras", que emitiam as notas frias para pessoas jurídicas fantasmas de outros estados, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná.
Como o negócio era lucrativo, os empresários passaram a abrir novas distribuidoras, todas em nome de laranjas. As investigações da polícia identificaram pessoas que obtiveram sucesso financeiro repentino, mesmo exercendo funções simples (como serviços gerais) e, em pouco mais de um ano, viraram grandes empresários donos de pessoas jurídicas com enorme movimentação financeira.
Por fim, durante a investigação, foi concluído que as empresas sequer possuíam estrutura física que acomodasse o enorme volume de movimentação financeira, especialmente as supostas “vendas” de bebidas para outros estados.
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