Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – Sempre focada em seus objetivos, inclusive superando uma depressão, Fernanda Barreto Naves, graduada em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em julho de 2011, decidiu realizar um sonho: ingressar no Ministério Público do Trabalho. Para conseguir prática jurídica passou em três concursos públicos e, em 2019, atingiu sua meta: foi aprovada em 11º lugar nas provas para ingresso na carreira do MPT e assumiu em 30 de dezembro de 2020, em Brasília, o cargo de Procuradora Federal do Trabalho, sendo lotada em Bom Jesus, PI. Já exercendo a função, decidiu contar sua trajetória nessas disputas.
Mineira de Belo Horizonte, onde nasceu em 1986, Fernanda é filha dos também mineiros de BH Bruno de Lima Naves e Júnia Deodato Barreto. Bruno Naves, formado em Medicina, igualmente pela UFMG, em julho de 1981, é especialista pela Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), entidade que presidiu a sua Regional de Minas Gerais em 1996/97.
Trajetória em concursos
A trajetória em concursos de Fernanda Barreto Naves foi dividida em duas fases; na primeira, estudo focado para Analista Judiciário Federal; e, na segunda, o direcionamento para o Ministério Público do Trabalho. Depois que se formou, no final daquele ano matriculou-se em um cursinho. “O MPT era um sonho, mas como eu precisava de prática jurídica resolvi estudar para Analista Federal em Minas, onde nasci, e no Espírito Santo, onde residia”, disse. Logo que iniciou sua jornada, saiu o edital do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2); estudou intensamente e foi aprovada na 26ª colocação.
Em seguida, foi anunciado o concurso do Tribunal Regional Eleitoral de Minas e resolveu concorrer; como já havia estudado bastante as matérias básicas (Direito Constitucional, Administrativo, Processo Civil, Civil) pôde focar em Direito Eleitoral, apenas revisando os demais assuntos. “Acho que esse é um dos segredos do concurso: formar uma base sólida das matérias que sempre caem”, afirmou. Foi aprovada dentro do número de vagas (ficou em quarto lugar). Mas não parou, porque havia um rumor de que seria aberto concurso para o Tribunal Regional do Trabalho do Espírito Santo. “Então continuei os estudos, e também fui aprovada, dessa vez na 11ª posição. Assumi em 2017”.
Após o êxito nos Tribunais, decidiu que era o momento de iniciar os estudos com foco no MPT. Foi chamada no TRE e começou em 2014, ano de eleição. “Não estudei nada”. Em 2015 tentou retomar o ritmo, mas infelizmente teve uma grande depressão e parou tudo, inclusive os estudos. Apenas em 2017, já recuperando, é que voltou a estudar. “Fiz um cronograma para o primeiro semestre de 2018, comprei livros, organizei meu material e em janeiro desse ano comecei a cumprir aquilo que havia proposto a mim mesma”, explicou. Matriculou-se em um cursinho e estudou todos os dias, sempre conciliando com o trabalho. Em 2018 e 2019 teve férias, viajou nos feriados e aproveitou o recesso, mas sempre mantendo a constância diária de estudos.
Assim que saiu o edital do MPT, no final de 2019, foi foco total. “Aumentei o ritmo de estudo nos finais de semana (já que não trabalhava), estudei em todos os feriados e tirei férias nas semanas que antecederam as etapas da prova, para revisar. E, no final, a tão sonhada aprovação! Tudo valeu a pena. O MPT é um sonho que se realizou!”, concluiu.