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Comunicação pode ajudar a combater o coronavírus e salvar vidas!

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30.01.2021 - 08:04:00

Números são frios, mesmo se expressivos, não têm alma, não contam histórias de vida. Talvez por essa razão não sensibilizem a todos. Fosse o contrário, os mais de 200 mil brasileiros mortos e os mais de oito milhões de infectados pelo coronavírus seriam mais do que suficientes para inibir as aglomerações de compras de Natal e as baladas da virada do ano. Centros comerciais ficaram lotados e festas para lá de animadas foram realizadas no campo, litoral e cidade. Especialistas dizem que o vírus também “comemorou” e que o tamanho da sua “alegria” será demonstrado nas estatísticas de fechamento de infectados e mortos no mês de janeiro. Esperam-se números assustadores. O quadro que se desenha é complexo: hospitais de grandes centros revelam capacidade esgotada em suas UTIs. E os hospitais de campanha, vale lembrar, já foram desmobilizados!
 
A agitação de final de ano, não se pode negar, já era esperada e as suas consequências previsíveis. Porém, pouco ou nada foi feito para inibi-las. Nesse momento, as diferentes ferramentas de comunicação, se utilizadas (e da forma correta), com frequência e ênfase necessárias, por certo ajudariam a mitigar os danos que já estamos vendo e os que estão sendo aguardados. Informação verdadeira e oportuna, não é segredo, salva vidas!
 
Os veículos de comunicação, cada um a seu jeito e de acordo com suas preferências políticas, têm cumprido, é verdade, o seu papel de informar. Mas será que o formato jornalístico alcança e impacta a todos como se deve e precisa? Será que este formato tem o poder de mudar atitudes? Pelo que se viu até o momento, não, sobretudo neste período de final de ano.
 
É fato que o governo federal não tem grande apreço pela comunicação de serviços, principalmente se voltada para ações relacionadas à pandemia. Para ele, a Covid-19 não passa de uma gripezinha. Mas não é, já está mais do que provado que se trata de uma enfermidade grave e que a sua “segunda onda” aparenta ser mais agressiva do que a primeira. Por essa razão, a população precisa ser alertada e de forma incisiva, apesar da proximidade da vacinação, de que ainda não dá para relaxar e dispensar o uso dos aparatos de proteção (máscara e higienização das mãos) assim como do isolamento social (quando possível) e do distanciamento físico. Aglomerações nem pensar!
 
Discursos políticos e análises jornalísticas de profundidade não conseguiram tocar os corações e mentes dos cidadãos. Muitos seguem dando de ombros para os perigos já comprovados. Já passou da hora das autoridades, as Estaduais na falta da Federal, convocarem o talento de profissionais para desenvolverem campanhas de comunicação, utilizando os diferentes meios para sensibilizar a população, sobretudo a parcela mais jovem, que ainda se imagina imune aos efeitos do coronavírus.
 
Campanhas comunicacionais com o intuito de sensibilizar e alertar a população foram realizadas no passado e com excelentes resultados: de prevenção a AIDS, pelo uso do cinto de segurança, de economia de água durante períodos de seca prolongada, dentre outras. É certo que uma campanha bem feita e criativa produziria o efeito desejado, além, é claro, de fortalecer a importância da vacinação.
 
Até que se vacine a maior parte da população brasileira, com qualquer uma das vacinas disponíveis, a melhor forma de combater o coronavírus é consumir informações de qualidade (verdadeiras!), e seguir sem resistência as orientações preventivas oferecidas pela ciência. A vida vale este esforço!
 
*Isabel Rodrigues é mestre em comunicação e cultura midiática e professora das faculdades de Relações Públicas e Jornalismo da FAAP e da Universidade Católica de Santos.
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por Isabel Rodrigues

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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