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O potencial do mercado latino americano da cannabis medicinal

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28.12.2020 - 15:19:47

A cannabis medicinal está cada vez mais consolidada ao redor do mundo, sendo uma atividade bilionária que atrai investidores de todo o globo. De olho no valor terapêutico das substâncias extraídas da planta e nos benefícios para a saúde e bem-estar da população, a América Latina também se movimenta para acompanhar os países desenvolvidos nesse sentido. Recentemente, a Argentina legalizou o cultivo da cannabis com finalidade terapêutica, o Uruguai, que foi o primeiro país no mundo a regulamentar a prática, implementou nova regulamentação flexibilizando exportações, o Paraguai emitiu as primeiras licenças para produções integralmente verticalizadas no início de 2020 e a Colombia continua numa crescente em termos de tamanho de mercado e produção de cannabis.
 
No Brasil, apenas a importação direta do produto acabado e a produção interna por laboratórios farmacêuticos, a partir de insumos importados, é permitido. Entretanto, a legalização do plantio para produção de insumo no Brasil está em votação no Congresso, mas ainda sem previsão de quando essa questão será definida.
 
A legalização da produção verticalizada seria um grande ganho para o país, já que, segundo projeção do The Global Cannabis Report, a indústria canábica atingirá cerca de US$ 6,6 bi na América Latina, em 2024. Ou seja, um mercado que já é grande, pode se tornar ainda maior e o Brasil não pode ficar de fora.
 
A cannabis medicinal acumula pesquisas que apresentam alto nível de evidência científica, principalmente em relação a certos transtornos neurológicos, esclerose múltipla, ansiedade e dor crônica.  
 
Se considerarmos toda a população no país que sofre com dores crônicas, transtornos de ansiedade, câncer, transtorno do espectro autista, Alzheimer e outras demências, artrite reumatoide e epilepsia, são cerca de 48 milhões de pessoas que poderiam fazer uso dessa possibilidade terapêutica, em um país com 210 milhões de habitantes. Quando olhamos para toda a América Latina e Caribe, a Organização das Nações Unidas estima que há em torno de 656 milhões de habitantes a serem favorecidos.
 
Além da quantidade de possíveis beneficiados e regulamentações a favor da cannabis medicinal acontecendo na região, as condições de clima, relevo e expertise em cultivo são favoráveis. E, os países latino-americanos estão acostumados com a fitoterapia, técnica que aplica plantas e vegetais para prevenção e tratamento de doenças.
 
A produção de medicamentos à base da cannabis está caminhando para os moldes farmacêuticos, o que facilita o controle de segurança e a padronização em todo o processo. Essas técnicas garantem altíssima qualidade, o que possibilita aos produtos latino-americanos competir com a América do Norte e Europa, abrindo mercados e aumentando as exportações.
 
Os principais países do continente Latino estão progredindo em relação ao uso da cannabis medicinal. A terapia à base da planta está deixando de ser um tabu em muitas regiões, abrindo possibilidades de tratamento para pessoas que, de fato, precisam. O mercado na região deve gerar ainda emprego, receitas e impostos. Em 2019, os Estados Unidos, por exemplo, acumularam mais de 200 mil empregos gerados no setor da Cannabis, desde a sua legalização, e quase US$ 2 bi de impostos arrecadados.
 
Apesar de atrasado em relação a outros países que já comercializam os produtos vindos da planta, o Brasil e seus vizinhos tem possibilidades de estar no mesmo patamar e ainda, de se tornar um dos principais players do setor no mercado internacional.

*Gustavo de Lima Palhares é CEO da Ease Labs
 
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por Gustavo De Lima Palhares

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