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O Líbano é reconstrução, viva os 77 anos

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22.11.2020 - 08:00:00
 
O Líbano chega aos seus 77 anos de independência com pouca festa neste 22 de novembro. O país tão jovem, representa, no entanto, 7 mil anos de história da humanidade. Privilegiado por sua posição geográfica, o Líbano representa o ponto de transição em que Oriente e Ocidente se abraçam e seu povo transborda acolhimento e humanismo para todo o mundo. O momento atual é, no entanto, desolador após a recente explosão no Porto de Beirute que destruiu 40% da nossa capital.
 
A história do Líbano se junta por demais à história humana. Desde o famoso Crescente Fértil, região em que se desenvolveram as primeiras grandes civilizações, terra que abrigou fenícios, gregos, romanos, bizantinos e otomanos, e foi sempre epicentro das rotas comerciais e culturais entre Oriente e Ocidente. Foi ali que a humanidade criou o primeiro alfabeto, responsável por codificar e dar vazão à linguagem escrita, que aproximou povos, que permitiu o aparecimento das línguas modernas.  
 
Os privilégios dessa terra sempre foram muito visados, o que nos custou inúmeros conflitos bélicos, décadas de colonização e intensa exploração estrangeira de nossos recursos agrícolas e de nossas rotas comerciais. Um dos marcantes e dolorosos conflitos foi a Guerra Civil de 1975 a 1990, que arrasou nossa terra e nossa gente. No entanto, conflito após conflito, o Líbano provou ser um reduto do acolhimento, da irmandade, da recepção dos valores humanos e da dignidade. Foi assim, com esse espírito, que nosso irmão libanês Charles Habib Malik dirigiu os processos na ONU que resultaram na Declaração Universal dos Direitos Humanos, e é assim que hoje nosso país acolhe centenas de milhares de estrangeiros de várias nacionalidadedes.
 
Quando o país encontrava alguma estabilidade econômica e social, acolhendo turistas de todo o mundo, com epicentro do desenvolvimento econômico no próprio porto de Beirute, este veio abaixo junto com mais de um terço da cidade e de sua histórica na explosão de 04 de agosto último. Sedimentos de nosso tempo e memória, que é a composição própria de nossa história, foram radicalmente destruídos, mais ainda que a longa guerra civil. Cerca de 200 libaneses perderam a vida, 5 mil ficaram feridos, 300.000 casas foram destruídas e 730 edifícios de caráter histórico vieram abaixo. O acolhimento, a irmandade, a riqueza da história que nos compõe e nossa gente espalhada pelo mundo estão em luto.
 
Uma bela estátua da artista plástica Hayat Nazer, no entanto, representa o espírito de nossa terra. A artista recolheu metais, vidros e todo tipo de cacos deixados pela explosão e deu forma a uma mulher com os cabelos ao vento erguendo nossa bandeira nacional. Essa é a imagem que nos representa. Sempre nos reerguemos, nos reconstruímos, catamos os cacos de nossa história, sedimentamos nosso passado e uma terra viva e festiva sempre ocupou o lugar do espaço que outrora fora destruição.
 
No Brasil reside a maior comunidade libanesa do mundo, há mais libaneses por aqui do que no próprio Líbano. E é de nossa comunidade que abraçamos nossa terra, erguemos nossos braços para a reconstrução de Beirute, juntamos forças dos mais altos valores humanos para por de pé tamanha capital da humanidade. Se hoje estamos de luto, amanhã festejaremos nossa reconstrução. 
 
*Hanna Mtanios é advogado e cônsul do Líbano em Goiânia
 
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por Hanna Mtanios

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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