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Os abacateiros e a Prefeitura

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16.10.2020 - 15:39:46
Os resultados não foram os esperados, mas a experiência valeu e dela se pode tirar muitas lições.
 
Uma delas, aproveitando a campanha eleitoral, é sugerir que a Prefeitura Municipal disponha de técnicos para orientar as pessoas interessadas em colaborar com o meio ambiente e acompanhar a evolução desse trabalho.
 
A experiência a que me refiro foi o plantio de seis mudas de abacateiros num espaço público, na Alameda Couto Magalhães, e que, por razões que desconheço, não foram adiante.
 
Há praticamente cinco meses Heloísa e eu, em nossa caminhada diária sem rumo em função da pandemia, encontramos vários espaços públicos pouco arborizados e vimos ali uma oportunidade de contribuir, plantando mudas de abacateiros que vínhamos cultivando numa pequena área da sacada de nosso apartamento.
 
Apreciadores de abacate, que consumimos com frequência, sempre encontrávamos sementes já com as raízes expostas. Heloísa, bióloga e ambientalista, logo providenciava um vaso para plantá-las, colocando terra adquirida em viveiros e aguando as pequenas plantas, que ficavam num local arejado.
 
Com seis mudas evoluindo bem e já ocupando um espaço considerável da sacada vimos que era o momento de transplantá-las para uma área apropriada, que possibilitasse a natural evolução dos pequenos abacateiros.
 
Tentamos falar na Prefeitura Municipal para buscar orientações a respeito, ter autorização para esse plantio e acompanhamento técnico para suprir possíveis deficiências, do solo e da plantinha, e não conseguimos nada.
 
Tomamos a iniciativa e no dia 23 de maio estávamos no canteiro central da bonita e larga Alameda Couto Magalhães, no setor Bela Vista, entre as avenidas T-63 e T-65, cavando covas e colocando cinco mudas.
 
A partir daí foi uma rotina a caminhada a esse local para levar água para os pequenos abacateiros. Inicialmente a cada dia, depois íamos de dois em dois dias.
 
Algumas semanas depois, a primeira muda, única no canteiro central da Alameda Couto Magalhães, entre as avenida T-63 e T-64, começou a apresentar problemas, as folhas amarelecendo e secando, e poucos dias depois não resistiu.
 
A primeira derrota não nos desestimulou.
 
A pequena distância de 12 quarteirões que separam nossa residência desse local era vencida com caminhadas apressadas, às vezes mais lentas, quando na companhia da nossa netinha Antonella, para levar os três galões de cinco litros cada, com água.
 
Logo depois levamos outra muda, a sexta, e a plantamos no mesmo quarteirão das outras quatro sobreviventes.
 
A primavera chegou, mas não veio a chuva das flores do dia 21 de setembro, e nem as chuvas que eram normais neste início de outubro.
 
Por isso, o forte calor que tem feito em Goiânia nos preocupava, e víamos que iríamos perder outros pequenos abacateiros. Dois igualmente apresentaram problemas, as folhas amareleceram e secaram, e também não resistiram.
 
Continuamos regando as restantes.
 
Fizemos uma pequena interrupção para uma viagem de 12 dias a Cabo Frio, RJ, e, na volta, a desagradável surpresa: os três pequenos abacateiros que restaram não suportaram o forte calor. Tão logo retornamos tentei recuperá-los, levando-lhes água no final da tarde, mas ainda não foi possível dar-lhes uma nova vida.
 
Fica a lição e a sugestão, de que a Prefeitura Municipal disponha de técnicos para nos orientar nesse plantio e acompanhar a evolução das mudas, atendendo-as em suas necessidades.  
 
*Jales Naves, jornalista e escritor, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em dois mandatos consecutivos (1985-1991).
 
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por Jales Naves

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