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Três amigos, unidos nos ideais, fizeram carreira no Serviço Público

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02.10.2020 - 09:15:30
 
Eles tinham praticamente a mesma idade, os mesmos sonhos, os mesmos ideais, o mesmo entusiasmo pelo trabalho e a mesma identificação com a terra em que nasceram, que projetavam como a melhor para se viver. Brilharam nos estudos universitários, encontraram-se logo no início de suas atividades profissionais e, jovens ainda, fizeram opção por um setor então pouco atrativo para quem queria crescer na carreira, o Serviço Público. Ingressaram na área, construíram trajetórias sempre elogiadas e foram destaques nos cargos que alcançaram, os mais altos nas empresas e órgãos em que trabalharam.
 
Goianos, do início dos anos 1940, eles atuaram em duas áreas, no Governo de Goiás, dois no então pequeno Departamento Estadual de Telecomunicações (Detelgo), gestão do engenheiro e agropecuarista Otávio Lage (1966-1971), e o terceiro na Centrais Elétricas de Goiás (Celg), uma empresa que cresceria muito nessa administração. As duas áreas foram valorizadas pelo Governador, que soube escolher dirigentes competentes, que deram uma guinada nesses setores, e fizeram o Estado dar um salto qualitativo, tanto nas telecomunicações como na produção e distribuição de energia elétrica, levando-a às cidades e ao meio rural.
 
Natural da antiga Capital, Vila Boa, onde nasceu no dia 2 de fevereiro de 1940, Dione Craveiro Pereira de Silva mudou-se com a família, aos 12 anos, para Jaraguá, GO, onde o pai, Doien Pereira da Silva, foi escrivão do Cartório de Notas, e fazendeiro. Depois, estudou no Colégio Diocesano, de Uberaba, MG, e foi para São Paulo, onde concluiu o curso científico e ingressou na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), para cursar o disputada Engenharia Eletrônica, o curso da moda na época. Ao concluir a graduação ganhou uma bolsa de estudos para fazer mestrado em Engenharia Elétrica na Universidade Yale, em New Haven, Connecticut, a terceira mais antiga instituição de ensino superior dos Estados Unidos. De volta ao Brasil, passou no concurso para professor da Universidade de Brasília (UnB), e saiu em 1965, em solidariedade aos colegas que estavam sendo perseguidos pelos militares que assumiram o poder no país no ano anterior. Em 1966 veio para Goiânia, para assumir a diretoria técnica do Detelgo.
 
Goianiense do distrito de São Geraldo, atual cidade de Goianira, que foi emancipada em 1958 por gestões de seu pai, José Rodrigues Naves Júnior, vereador e líder da União Democrática Nacional (UDN) naquela localidade, Raulindo Heinzelman Naves, jovem ainda, foi convidado pela Congregação dos Padre Redentoristas para seguir a carreira religiosa, por sua liderança no meio em que atuava e por gostar de futebol. Ele nasceu no dia 25 de fevereiro de 1941.  Passou rápido pelo Seminário São José, no bairro de Campinas, e foi direto para o Seminário Santo Afonso, em Aparecida, SP, onde permaneceu por seis anos, e deixou o noviciado para retornar a Goiânia. Passou em primeiro lugar no vestibular para Direito na Universidade Católica de Goiás, 1961, segunda turma. Foi SubPromtor de Justiça em Goianira, em 1965, que deixou para assumir a diretoria administrativa e financeira do Detelgo, em 1966.
 
Nascido em Palmeiras de Goiás, do dia 29 de junho de 1941, René Pompêo de Pina fez seus estudos fundamental e médio no Colégio Arquidiocesano de São Paulo. Tornou-se engenheiro eletricista pela Escola Politécnica da USP em 1964 e Master of Science (M.Sc.) em Engenharia Elétrica pela University of Colorado, Boulder, Colorado, EUA, em 1970. Como parte de sua formação de engenheiro, cursou três especializações nos Estados Unidos: Transmissão, Distribuição e Operação na Rural Electrification Association e no Bureau of Reclamation, Casper, Wyoming (1968); Operação e Manutenção no Casper College Hot Line Training Center, Casper, Wyoming (1968); e Programas de Treinamento do Washington International Center, Washington, D.C. (1968). Ingressou na Celg em 1965.
 
O Detelgo era uma pequena repartição pública do Estado, que gerenciava duas centrais telefônicas em Goiânia: uma no centro e outra no bairro de Campinas, e participaram de sua transformação em Companhia de Telecomunicações de Goiás (Cotelgo), quando Dione assumiu sua presidência e deram nova dimensão ao setor. Ele e Raulindo deixaram as funções quando Leonino Caiado assumiu o Governo do Estado, e foram para o Departamento Nacional de Telecomunicações (Dentel), que tinha sede no Rio de Janeiro e a trouxeram para o Distrito Federal. O Dentel era o órgão executivo do Ministério das Comunicações e foi extinto com a criação do Ministério da Infra-Estrutura em 1990, no Governo Collor.
 
Dione permaneceu no Governo Federal, passou pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), por onde se aposentou.
 
Consultor jurídico da Cotelgo, Raulindo foi o único que atuou nos três níveis de governo – municipal, estadual e federal. Foi chefe de Gabinete do Detelgo, 1966/68; assistente da Presidência da Cotelgo, 1968/71, e assessor de Organização e Métodos da Cotelgo, 1971; assessor-chefe do Gabinete do Diretor-Geral do Dentel, no Rio de Janeiro, 1971; diretor da Divisão de Administração do Dentel, em Brasília, DF, 1972; e diretor financeiro da Cotelgo, em Goiânia, 1973/74, respondendo pela Presidência nas ausências e impedimentos do titular. No dia 6 de abril de 1977 foi contratado como Advogado Sênior da Celg. Ainda, foi diretor administrativo e financeiro da Superintendência das Obras de Pavimentação Asfáltica da Capital (Pavicap), em Goiânia, 1975/78; diretor presidente e presidente do Conselho de Administração da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg), 1978/79; superintendente da Superintendência Adjunta Administrativa da Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco), do Ministério do Interior, em Brasília, 1979/85, respondendo, no período, pela Superintendência nas ausências do titular; assessor da Secretaria de Controle Interno do Ministério da Reforma e do Desenvolvimento Agrário (Ciset/Mirad) e diretor geral substituto do Departamento Geral de Administração do Mirad, em Brasília, 1985/89, tendo respondido pelo Departamento, como Diretor-Geral, em 1987/89; coordenador-geral da Coordenadoria da Administração e Patrimônio do Estado, da Secretaria da Fazenda do Estado do Tocantins, 1989/90; e chefe de Gabinete da Secretaria Nacional da Promoção Social do Ministério da Ação Social, em Brasília, em 1992.
 
A partir de 1993 Raulindo passou a exercer função na Assessoria da Secretaria de Minas e Energia de Goiás e na Celg em Brasília, junto a órgãos do Governo Federal. De 1996 a 1998 prestou serviços como assessor da Diretoria Administrativa da Celg, em Goiânia. Em 1998 foi colocado à disposição da Secretaria de Minas e Energia, posteriormente Secretaria de Infra-Estrutura do Estado de Goiás (Seinfra), em Goiânia, onde exerceu a chefia do Departamento de Contratos e Convênios e a presidência da Comissão Permanente de Licitações da Seinfra. Em 4 de abril de 2003 foi designado para o cargo de Presidente da Caixa de Assistência à Saúde dos Empregados da Celg (CelgMed), que deixou em fevereiro de 2005. Foi ainda presidente do Goiânia Esporte Clube.
 
René foi fundador do curso de Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia da Universidade Federal de Goiás (UFG), com a participação de Dione; e professor titular do Departamento de Eletrotécnica dessa Faculdade; e engenheiro da Celg, onde foi chefe da Divisão de Produção de Energia (1965), chefe do Departamento de Operação (1965-1966), superintendente de operação, transmissão e distribuição (1966-1968); assessor técnico da diretoria técnica (1970); diretor técnico (1970-1971); diretor vice-presidente (1972-1974); presidente do Conselho de Administração; e presidente da CelgPar.
 
Foi ainda Secretário de Minas, Energia e Telecomunicações do Estado de Goiás (1975-76); secretário da Fazenda do Estado de Goiás (1976-79); titular da Sudeco (1979-85); membro da Comissão Especial da Divisão do Estado do Mato Grosso; assessor do Ministro dos Transportes, Brasília (1986-1987); secretário adjunto do Ministério dos Transportes (1988); primeiro secretário da Fazenda do recém criado Estado do Tocantins, Palmas (1989-91); diretor financeiro da Central de Medicamentos (Ceme), Ministério da Saúde (1992-1993); assessor técnico da Secretaria de Assistência Social, Ministério da Previdência Social (1994-1995); superintendente executivo da Secretaria de Transportes do Estado de Goiás (1999-2002); superintendente executivo da Secretaria de Infraestrutura do Estado de Goiás; secretário de Infraestrutura do Estado de Goiás; e Chefe de Gabinete da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos do Estado de Goiás.
 
O trio estava sempre junto, para conversar, comemorar, saber das novidades e confraternizar, em datas especiais, como nos aniversários. Estavam sempre perguntando um pelo outro, e quando se encontravam o papo era longo.
 
Em junho deste ano o grupo perdeu um de seus integrantes, Raulindo Naves. 
 
*Jales Naves é jornalista e escritor, presidiu a Associação Goiana de Imprensa (AGI) em dois mandatos consecutivos (1885-1991)
 
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por Jales Naves

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