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Uma pandemia agravando outra

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29.08.2020 - 16:48:24

A da obesidade é uma doença crônica que atinge mundialmente mais de 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças, motivando mais de 4 milhões mortes todos os anos, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil, o problema acomete um em cada cinco habitantes, sendo que mais da metade da população está acima do peso. 
 
Mas o ganho excessivo de peso tem contornos ainda mais dramáticos diante da Covid-19, não só porque os obesos são um dos principais grupos de risco desta doença, mas porque nos consultórios já se percebe um surto de sobrepeso e obesidade ocasionado pela pandemia. As causas mais evidentes: mudança drástica de rotina com as pessoas passando mais tempo em casa, fazendo menos atividades físicas e muito mais ansiosas, o que tem levado muitos a uma compulsividade alimentar. 
 
Não há ainda estudos sistematizados que estimem o quanto a obesidade aumentará num cenário pós-pandemia da Covid-19, mas o impacto já é evidente. Afinal, na mesma proporção em que se percebe que as doenças psicológicas, como a depressão, têm afetado fortemente as populações no mundo inteiro, a obesidade também está tendo e terá  um enorme impacto na saúde das pessoas, e junto com ela vêm todas as suas comorbidades como hipertensão, diabetes e apneia do sono.
 
Mas mesmo com a necessidade de distanciamento social é possível sim controlar o peso e combater a obesidade, desde que se haja disciplina para se ter hábitos alimentares saudáveis, portanto, fuja dos alimentos muito calóricos, como doces e frituras. Uma dica prática para evitar estes “maus” alimentos é simplesmente não comprá-los, então neste momento pandêmico repensa bem sua lista de supermercado.
 
Para manter um mínimo de atividade física a criatividade ajuda muito. Exercícios simples que podem ser feitos até sentado em frente à TV podem fazer toda a diferença. Sugiro aos meus pacientes o uso de elásticos para treino, um item barato, se comparado a equipamentos como esteira e bicicleta ergométrica, mas que proporciona um gasto calórico de 500 até 700 calorias em 40 minutos de atividade.
 
Felizmente a obesidade tem sido alvo de amplos estudos no mundo todo e isso tem trazido novos e eficientes tratamentos. Mas nenhuma ação médica isolada, seja ela clínica, cirúrgica ou medicamentosa, não irá solucionar o problema. A obesidade é uma doença que requer uma atenção multidisciplinar, sempre. Mesmo o procedimento cirúrgico, em especial a cirurgia robótica que é bem mais precisa, menos invasiva e traz resultados excelentes, não será efetivo se não houver reavaliação e mudança de hábitos.
 
*Adilon Cardoso Filho é cirurgião gastro
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por Adilon Cardoso Filho

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