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Daqui a pouco pode ser tarde demais

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08.07.2020 - 15:10:00

 
Nesta semana, infelizmente, perdi um parente. De repente, no meio da noite tudo aconteceu. O socorro foi dado, e depois de pouco mais de um mês a morte repentina da prima, de 40 anos, pegou todo mundo de surpresa.Tão jovem, tão saudável, tão bonita, e de repente tudo isso acontece. Como num sopro a vida terrestre se foi e o corpo já não tinha muita utilidade para a alma.
 
Aqui na Terra ficamos nós, parentes, amigos, colegas e conhecidos tentando entender o motivo de uma partida tão precoce. As crianças, um de dois anos e outro de quatro anos ficaram sem a mãe. O marido ficou sem a esposa. Os funcionários sem a patroa. A mãe ficou sem a filha, a avó ficou sem a neta e a tia ficou sem a sobrinha. Eu perdi a prima, o vizinho perdeu a vizinha, o amigo perdeu a amiga, as irmãs perderam a irmã. A morte foi de uma única pessoa, mas as perdas são incalculáveis.
 
De repente o coração não aguentou e não bombeou mais sangue. A falta de oxigênio a fez dar o último suspiro. O pulso parou e os olhos nunca mais se abrirão.
 
Com tudo isso quero dizer que é preciso realmente aproveitar cada dia como se fosse o último. Não deixe para depois para demonstrar seu amor, afeto e carinho pelo outro. Diga o que tem vontade de dizer. Faça o que tem vontade de fazer. Viva o que tem vontade de viver. A morte, mesmo sendo a única certeza que temos nesta vida, pode chegar repentinamente e mudar os planos de todo mundo. 
 
Depois da partida definitiva para outro plano, cabe a nós, que ficamos, aprender a conviver com a ausência, com a saudade mas também com as lembranças. E quantas lembranças. Um jeito de falar, uma comida preferida, um passeio, um programa na TV, uma música. Tudo nos faz lembrar de quem já partiu.
 
Parece clichê, e pode até ser, mas viver o hoje, o presente, é a melhor forma de viver a vida. O ontem já foi, o amanhã não chegou, e nem sabemos se chegará para nós. Portanto só temos o presente para vivermos, sermos felizes, sermos nós mesmos.
 
Prima, você que só me chamava de "Bimbim" (até hoje não entendi o motivo do apelido mas adorava ouvi-lo quando você dizia), vai fazer falta. E você que está lendo este texto siga o seu coração. Daqui a pouco pode ser tarde demais.
 
*Fabrício Santana é jornalista
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por Fabrício Santana

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