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Santa Magrela

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06.07.2020 - 11:19:22
 
Em junho de 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) realizou a primeira conferência sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, para discutir de maneira global questões ambientais. Temas como desenvolvimento sustentável e a maneira de colocá-lo em prática passam a ter importância mundial. Apenas um ano depois, a própria economia global e suas relações conturbadas e oportunistas se encarregaram de indicar um novo caminho. Uma grave crise global em função dos elevados preços do petróleo, que atingiu frontalmente vários países, obrigou as pessoas tão dependentes de seus carros a buscar alternativa, e ela surge na boa e velha “magrela” ou “camelo”, a bicicleta.
 
Em novembro de 2019, outra grave crise mundial surgiu assolando o mundo, mas desta vez o agente causador da crise é mais poderoso e atingiu muito mais que a economia. A pandemia provocada pelo vírus SARS-Cov-2 (Covid-19) alterou rotinas, hábitos e mais uma vez nos vemos diante da necessidade de buscarmos alternativas. Seguindo orientações das autoridades mundiais, se torna importante adotar o distanciamento social, o que coloca em cheque o transporte público coletivo. Então, mais uma vez os olhares se voltam para um transporte, barato, democrático e principalmente acessível: a bicicleta.
 
A Europa, já “vanguardeira” no assunto bicicletas, rapidamente desencadeia ações para incentivar o seu uso. Em Portugal, o governo oferece 250 euros para aqueles que querem adquirir uma bicicleta elétrica. Na França, são 50 euros para consertar a velha bicicleta. Em Oslo, a oferta é de até 1.200 dólares para adquirir uma bike elétrica. No Brasil, ao contrário, não contamos com incentivos e muito menos um plano consistente para atrair novos ciclistas.
 
São Paulo, dentre as capitais brasileiras, é a que possui a maior malha cicloviária do Brasil com aproximadamente 490 km, o que ainda é muito pouco. Em Goiânia, a realidade é ainda pior, com uma malha cicloviária de apenas 45 km, sendo apenas 10 km de ciclovias e o restante ciclo faixas, que na prática, por estarem fora das normas e sem manutenção, são ineficientes e perigosas. 
 
Até quando teremos que viver no século passado, com a mentalidade ultrapassada de gestores públicos, cuja prioridade ainda recai sobre o carro?
 
*Luiz Botosso é arquiteto, urbanista, líder do movimento Mais Ciclovias
 
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por Luiz Botosso

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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