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O papel do tutor e do professor na educação à distância

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30.05.2020 - 16:10:28
 
Com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação na sociedade, bem explorado nas obras de Manuel Castells, um dos mais importantes cientistas sociais do mundo, a educação e seus pilares que lhe dão sustentação estão em fadiga material, ou seja, um ensino sujeito às repetidas metodologias acaba se atrofiando. 
 
A inserção da tecnologia no sistema educacional, principalmente agora devido à pandemia do Covid-19, expôs um fator interessante: a ausência de maturidade acadêmica, tanto do aluno como do professor, para encarar um ensino à distância. Seja em qualquer faixa etária desse aluno, o desconhecimento dessas ferramentas tecnológicas e seu manuseio afetam à produtividade do ensino. Em algumas atividades econômicas, essa vantagem tecnológica é vista como excelente, em razão de possibilitar a redução de custos por parte da empresa, além da produtividade não ser comprometida. Mas no ensino, como fica? Muitos estudiosos condenam à proliferação de cursos à distância, justamente por entender que a relação ensino-aprendizagem fica prejudicada. Outros admitem que, em certas situações, o ensino â distância preenche uma lacuna no sistema educacional brasileiro, em razão de atingir lugares longínquos, e com maior número de alunos simultaneamente.
 
Sem o devido controle ou regulação por parte do Ministério da Educação, cursos à distância proliferam no Brasil, sem o devido cuidado e olhar crítico para a formação tanto técnica como humana do aluno. Esse estranhamento tanto do aluno, como do docente em ambientes virtuais, aprofunda a evasão escolar e também a credibilidade de muitos cursos que são sérios e comprometidos com as metodologias pedagógicas.
 
Majoritariamente, a função do professor em ambientes virtuais tem sido substituída pelo tutor. Entretanto, esses tutores têm uma visão mais generalista do processo de ensino, fazendo o papel de “cobrador” das atividades postadas e dos prazos a serem cumpridos. O professor é contratado para montar a “sala virtual”, elaborar o material didático e as avaliações. Existem tutores que se comportam como "robôs", esquecendo que cada aluno tem sua dinâmica e seu tempo de aprendizado. Extrair de cada aluno a sua potencialidade é uma função do educador, esteja ele online ou presencial em sala. 
 
Por outro lado, os alunos percebem quando o tutor se dedica a entender e compreender os problemas vivenciados por cada participante. Essa simbiose do tutor e aluno, quando bem trabalhada, pode gerar o comprometimento do aluno, dando-lhe entusiasmo e motivação dentro do processo de ensino.
 
De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Brasil é de 0,755 e está abaixo de países vizinhos como: Venezuela, Chile, Argentina e Uruguai. Essa desigualdade social que tende a se agravar neste ano de 2020, irá impor novas metodologias de trabalho e também de ensino. Entretanto, disseminar o ensino à distância requer planejamento, estudo do público-alvo, rede de conexões e facilidade de equipamentos eletrônicos para que todos esses conjuntos sejam capazes de aproximar o aluno do conhecimento. Portanto, o tutor ou o professor jamais poderão pensar em mediar um curso numa relação de dentro para fora. Que faça o caminho inverso, conhecendo ou procurando entender em qual ambiente seu aluno vive e o porquê de ele querer fazer um curso à distância. Sabedouro desse cenário, o aluno poderá encontrar no tutor ou no professor da disciplina um verdadeiro exemplo capaz de estreitar essa distância a um ponto de contato entre duas pessoas. 
 
*Juliano Silvestre é administrador de empresas; mestre em Desenvolvimento e Planejamento Territorial; pesquisador da Economia Regional e Urbana com Ênfase no Desenvolvimento Sociocultural em Pequenos e Médios Territórios; e coordenador do Curso Superior em Tecnologia de Produção Cênica do Basileu França.
 
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por Juliano Silvestre

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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