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Como Jataí pariu Brasília

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30.04.2020 - 17:03:21
Na década de 50, o Brasil viveu sua maior turbulência política, agravada com o suicídio de Getúlio Vargas, que causou grande convulsão popular, em 1954. Assumiu a Presidência o vice Café Filho. Tido como oscilante e sem apoio político esse renunciou por pressão do Congresso Nacional, ao sofrer um infarto em 1955. Teve como substituto o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz. A situação piorou.
 
Para controlar a evidente insatisfação política o Presidente decretou Estado de Sítio, suspendendo todas as garantias constitucionais e individuais, em especial proibindo reuniões onde haveria grande concentração popular.
 
Foi em meio a esse caos social, ante a insegurança política e jurídica, que Juscelino Kubitschek, em 1955, lançou sua candidatura à presidência da República, pelo PSD.
 
Tinha que consolidar sua candidatura longe dos grandes centros populacionais, como seriam Belo Horizonte, sua terra, ou São Paulo ou mesmo Goiânia. JK recebeu, então, convite de Serafim de Carvalho, um cacique pedessista do sudoeste goiano, Prefeito da cidade de Jataí, distante 321km de Goiânia, para início de sua campanha. Ao aceitar o convite JK chegou em Jataí em 4 de abril de 1955, para início de sua campanha em meio a uma forte chuva na cidade. Isso espantou o povo da rua.
 
Para não perder o embalo, os políticos tiveram que improvisar a carroceria de um velho caminhão dentro do galpão de uma oficina mecânica, que serviu de palanque para um público não maior que 100 pessoas. Sem se incomodar com a escassez do público, Juscelino abre a verve retórica de seu discurso, com a linguagem baseada em sua visão progressista. Despejou o verbo no velho diapasão político, apontando para o futuro desenvolvimentista do Brasil, em cujas metas Brasília sequer fora mencionada.
 
Aí acontece o inusitado episódio que entrou para a história envolvendo a construção de Brasília. Foi quando uma pergunta teria mudado o destino do país.
 
Antônio Soares Neto, conhecido como Toniquinho da Farmácia, recém formado em Direito e que, por ofício e curiosidade, havia lido a Constituição de 1946 que autorizava, em suas Disposições Transitórias, a mudança da capital do País. Trêmulo e inseguro, não querendo atrapalhar a fala do candidato, mas já atrapalhando, perguntou se a capital do Brasil seria transferida do Rio de Janeiro para outra localidade, no caso o Planalto Central, no interior de Goiás.
 
Juscelino disse ser uma pergunta difícil, que era complicado para um político aceitar aquele desafio e o fazer cumprir, especialmente ante as dificuldades econômicas que sufocavam a nação.
 
“A pergunta era embaraçosa. Já possuía o meu Programa de Metas e, em nenhuma parte dele, existia qualquer referência àquele problema. Respondi, contudo, como me cabia fazê-lo na ocasião: ‘Acabo de prometer que cumprirei, na íntegra, a Constituição, e não vejo razão por que esse dispositivo seja ignorado. Se for eleito, construirei a nova capital e farei a mudança da sede do governo’”, disse Juscelino.
 
Foi assim que Jataí pariu a ideia da construção de Brasília.
 
 
José Osório Naves, jornalista e escritor, presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás em três mandatos consecutivos (1965-1974).
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por José Osório Naves

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