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Tudo que você podia ser: uma reflexão sobre mentalidade Mamba

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27.01.2020 - 18:44:27

Um acidente de helicóptero em Los Angeles, nos Estados Unidos, foi o assunto do último domingo (26/1). Isto porque, entre as nove vítimas, estavam o astro do basquete, Kobe Bryant, de 41 anos, e sua filha, Gianna Bryant, de 13 anos. Gigi, como era conhecida a garota, seguia os passos do pai na modalidade e, juntos, iam para um campeonato do esporte que compartilhavam amor. 

Entender essa trágica situação sem ficar, no mínimo, atordoado requer frieza que em mim não há. Lembro que, ao chegar em casa, li de relance nas notificações do celular uma notícia do Twitter: "Acidente de helicóptero acontece em Los Angeles". De início, não dei tanta atenção àquilo. Mas, em seguida, uma vontade súbita de abrir a manchete nasceu em mim. Cliquei na mensagem, e o nome de Kobe surgiu na tela como sendo uma das vítimas. Não quis acreditar. 

Foi estranho pensar que, tão jovem, o ex-jogador, também conhecido como Black Mamba, pudesse partir. Sua presença fora de quadra era imensa e isso se traduziu em todas as mensagens de carinho, faces abaladas e tantas pessoas, assim como eu, que partilharam a tristeza de uma ida tão inesperada e precoce. 

De fato, não há um cronômetro específico para ficarmos aqui. Não sabemos o que nos pode acontecer e fazer com que nossas vidas sejam ceifadas pelo destino. Estamos aqui, mas a qualquer momento podemos não estar. Estar em tal limbo ressalta a necessidade de viver. E Kobe o fez. Viveu como quase nenhum. Seu nome era reconhecido até mesmo por aqueles que pouco ou nada sabiam sobre o basquete. As camisas com seu nome e o número 24 estampavam as prateleiras de lojas esportivas. Black Mamba se tornou referência no esporte, não só para Gigi, filha que tanto amava o basquete, mas para os principais astros da NBA, como Giannis Antetokounmpo, LeBron James e tantos outros que lamentaram a ida do astro. 

Eternizado por suas ações dentro de quadra, Bryant passou por momentos obscuros em sua carreira quando, no início da década  de 2000, se envolveu em uma acusação de estupro. Ressalva feita, cabe posicionar que, aqui, não estou para julgar uma atitude já tão discutida, tampouco passar pano para uma ação que é cruel e afeta milhões de mulheres pelo mundo. Neste espaço, escrevo os sentimentos de um fã do basquetebol, que no início de sua vida logo se encantou pelas cestas mirabolantes e pontuações extraordinárias daquele que carregava em suas costas o número 24. 

A sua morte me causou estranheza. Aquela estranheza originada pela quebra da expectativa sobre o destino e a vida. Não é raro que astros da NBA sejam tidos como pilares do esporte até o final de suas vidas, quando surgem os cabelos brancos, os passos lentos, e a agilidade para segurar a bola laranja não é mais a mesma. 

Inevitável não sentir-me estranho quando vejo os vídeos de Gigi, um talento do basquete que se moldava cada dia mais, partir com tão pouca idade. Seu futuro e sua vida eram imensos, e a força do que poderia ter conquistado seria magnífica em um mundo no qual cada vez mais as mulheres ocupam, merecidamente, os espaços onde querem estar. 

Kobe se foi, mas para sempre será eternizado. Não há como esquecer sua habilidade dentro de quadra e a mentalidade que consigo sempre carregou. Não há como desligar da memória os 81 pontos contra Toronto Raptors, segunda maior pontuação da história em uma única partida; quiçá seu jogo de despedida, quando largou 60 pontos sobre o Utah Jazz. Bryant era luta, era garra, amava o que fazia e, para mim, uma inspiração para crescer fazendo o que amo. 

Sua despedida já nos marcou. Seja nas lágrimas que escorreram na face de tantos jogadores profissionais, quando souberam de sua morte, ou naquela ânsia por tudo que por ele podia ser vivido. Eis que temos de aceitar a condição que a todos nos é imposta: a incapacidade de saber até quando estaremos aqui. Por isso, viver com a mentalidade de Mamba se faz necessário para prosseguir, mudar narrativas e vencer as adversidades. Sua força será para sempre lembrada, bem colocada ao lado de suas conquistas. 

Estaremos aqui, carregando conosco a saudade de tudo aquilo que Kobe poderia ter sido, pois a glória era sua companheira de vida. Vencedor de um Oscar, Bryant, como dito por muitos, transcendeu o esporte. Para sempre será lembrado. 

*Théo Mariano é jornalista e repórter no jornal A Redação

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por Théo Mariano

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