Théo Mariano
Goiânia – Com possibilidades de empréstimos, financiamentos e desconto de títulos de crédito, as chamadas Empresas Simples de Crédito (ESC) são vistas como nova tendência em movimentações financeiras. Segundo o presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Nacional, Carlos Melles, já existem 27 ESCs em Goiás e 548 no Brasil. "Ainda vamos ouvir falar muito das Empresas Simples de Crédito. Será um grande instrumento", avaliou. "O juros médio está em torno de 4%, mas deve cair muito", afirmou Melles. Os comentários foram feitos nesta terça-feira (21/1) durante visita do presidente nacional à sede do Sebrae em Goiás, em Goiânia. O jornal A Redação esteve presente na reunião.
Ao detalhar o modelo, Melles alertou que o risco é de quem faz a transação. Isso porque, para se ter uma ESC, basta ter cadastro como pessoa jurídica. "O juro é livre. Mas vale lembrar que não se pode captar recursos do mercado. Se você registrar R$ 5 milhões, seu capital será R$ 5 milhões", explicou. É importante ressaltar também que, para se manter a empresa, o lucro anual do investidor não pode ser superior a R$ 4,8 milhões.
As transações serão feitas com intermediação dos bancos, mas sem interferência dessas instituições financeiras. Segundo o presidente, essa decisão facilita os empréstimos. "É uma intermediação sem custo", pontua. Segundo o diretor técnico do Sebrae, Bruno Quick, as transações são feitas somente sob existência de um contrato devidamente formalizado na Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos (Cetip).
Ainda que possa se assemelhar com agiotagem, prática ilegal de empréstimo de dinheiro a juros extremamente elevados, a ESC possui limitações. Uma delas é a de que as transações podem ser feitas somente para micro e pequenas empresas e microempreendedores individuais (MEI). A atuação da empresa é restrita ao município no qual está cadastrada e às cidades vizinhas. "Quem mora em Goiás, não pode deixar o Estado para fazer empréstimos em Minas Gerais, por exemplo", explicou Melles.
Tidas como uma alternativa mais fácil e rápida de crédito para pequenos negócios, as ESCs podem ser criadas em três tipos de modelos empresariais, segundo o site do Sebrae, são eles: empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI), empresário individual ou sociedade limitada. Outro importante ponto também é o de que cada pessoa física pode participar apenas de uma empresa de crédito, sem a permissão de filiais. "É um negócio absolutamente livre, limpo e moderno", garantiu o presidente do Sebrae.