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Do Grunge ao Massacre de Columbine: um ácido acidente musical

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10.12.2019 - 10:55:27
 

 
Marcos Dias é jovem, goiano e bobo. Mais um sujeito perdido no interior do Brasil no fim da década perdida. Até que uma fita cassete com Kurt Cobain, Melvins, Mudhoney e toda a turma do obscuro selo Subpop, lhe sacudiu, num chamamento para algo maior, que ninguém – nem mesmo o líder do Nirvana – sabia o que era. 
 
A bem da verdade, Kurt e uma tal Sandra. “Pra descer todo santo ajuda e o diabo ainda te mete o pé na bunda”, dizia sua mãe. E nada como um coração partido para fazer o diabo parecer um bom amigo estendendo a mão.
 
Marcos Dias, então, se rebatiza: vira Mark Days, se aventurando como mais um imigrante pela Califórnia dos anos 1990, atrás de um sonho musical e de uma fuga para um coração dilacerado, construindo uma trajetória que, por acidente, cruza-se com alguns dos grandes acontecimentos da cena do Rock daquela década.
 
Nesta caminhada torta, vira vagabundo, assistente de estúdio, roadie do Pavement, faz-tudo em mil empregos até fazer o que todo jovem sonhava em fazer depois de ouvir “Nevermind”: montar uma banda.
 
“Coma Branco – Memórias de um guitarrista acidental” retrata que nem sempre conquistas são frutos de sonhos iluminados, que trajetórias notáveis muitas vezes são forjadas na agonia da fuga de si mesmo. Marilyn Manson, Kurt Cobain, ambos próximos na história de Mark Days, que o digam. “Ostra feliz não faz pérola”, dizia Rubem Alves. E gente sem agonia e angústia não pinta quadros, escreve livros ou compõe músicas.
 
“O amor é uma forma de violência”, explica Sabrina, uma espécie de fio condutor de emoções, drogas e músicos da Los Angeles dos anos 1990. Viciada em poetas vivos, é ela quem abre grande parte das portas da percepção de Mark Days. Mas a visão nem sempre é para a praia de Malibu. 
 

*Henrique Morgantini nasceu no Rio de Janeiro em 1978. É jornalista, músico e poeta. Mudou-se para Goiás, onde se formou em Jornalismo pela Universidade Federal de Goiás. Este é seu primeiro romance lançado pela Contato Comunicação 
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por Henrique Morgantini

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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