A Redação
Goiânia – A Vila Cultural Cora Coralina inicia sua primeira residência artística, com o projeto Canteiro, que é uma proposta mobilizada pelo desafio de ocupar de modo alternativo a Sala Antônio Poteiro, tradicionalmente destinada a exposições convencionais de artes visuais.
Ao invés de exporem trabalhos prontos, durante duas semanas, onze estudantes de artes visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG) vão utilizar a Sala, na Vila Cultural, como ateliê. Durante o projeto, os jovens artistas receberão orientação e acompanhamento crítico.
De acordo com Gilmar Camilo, coordenador da Vila Cora Coralina, tradicionalmente, projetos privilegiam a apresentação de trabalhos finalizados, submetendo a concepção de obra de arte à ideia de resultado de um processo. “O público quase nunca tem acesso às informações, aos relatos e experiências próprias aos processos desenvolvidos pelos artistas”, afirmou. Ele explica que, com este projeto, a vila inicia um trabalho de ampliação de sua missão artística e educativa, contribuindo para a cena artística local ao estimular projetos artísticos, curatoriais e educacionais voltados especialmente para o compartilhamento de processos.
Na residência artística, serão desenvolvidas experimentações e investigações poéticas de forma colaborativa, oficinas e bate-papos com convidados e visitantes, de acordo com o projeto de pesquisa e de trabalho proposto por cada um dos onze artistas participantes. No final do período de produção, os artistas irão aprender na prática os processos de montagem de exposição. Em conjunto com a coordenação da Vila Cultural, vão definir a expografia e as referências e montar a exposição de suas obras, que ficará em cartaz na Sala Antônio Poteiro até o dia 1º de dezembro.
Para o jornalista e estudante de artes visuais Renan Accioly, a residência artística Canteiro é um projeto pioneiro que irá beneficiar os artistas e o cenário da arte visual em Goiânia. “Geralmente, a gente termina a faculdade e tem que se virar para procurar nichos para expor nosso trabalho. A proposta do canteiro é inovadora porque aproxima o estudante das artes visuais com o circuito das artes e com outros artistas”, afirmou o estudante. Renan conta que um dos pontos que mais o agradou no projeto é o compartilhamento com outros artistas. “Uma das coisas mais incríveis é acompanhar o processo um do outro. Muita gente fica focada no resultado final, na obra concluída, mas o processo criativo talvez seja mais importante que a obra”, disse.
Cássia Nunes, responsável pelo setor educativo da Vila Cultural Cora Coralina, afirma que residências artísticas são importantes espaços de formação artística, por envolver incentivo a processos de pesquisa e possibilidades de acompanhamento crítico. “O Canteiro atende a um interesse da instituição em realizar projetos educativos voltados para jovens artistas, somando e fortalecendo iniciativas locais que envolvam a construção de espaços não formais de educação e formação artística, promovendo dinâmicas alternativas e complementares ao ambiente acadêmico” explicou.