Logo

13 anos de Lei Maria da Penha: viver sem violência ainda não é uma realidade

WhatsAppFacebookLinkedInX
12.08.2019 - 10:00:05
 
Goiânia – No dia 7 de agosto de 2019, a Lei Maria da Penha completou 13 anos, sendo resultado de um caso que se tornou memorável pela condenação imposta ao Brasil perante a Organização dos Estados Americanos (OEA) por não dispor, até então, de mecanismos de proteção e efetivação dos direitos das mulheres.
 
Desde que nossa sociedade tornou-se de classes, a violência contra as mulheres se faz presente. No geral, todos estamos sujeitos a diversos tipos de violência, mas o gênero feminino é o que, majoritariamente, mais sofre com a doméstica e familiar.
 
A Lei foi um divisor de águas no combate à violência contra a mulher, sendo um mecanismo avançado, amplo, que prevê tanto ações de conscientização quanto de repressão, incluindo capacitação de profissionais para lidarem com o tema. Esses profissionais podem ser: enfermeiras, assistentes sociais, médicas, policiais, advogadas, dentre vários outros. A Lei Maria da Penha foi a primeira lei pensada por mulheres e destinada a elas também.
 
Por outro lado, o número de casos de violência contra a mulher aumenta a cada ano e prova que a lei não está funcionando como deveria. Dentre vários motivos, isso se dá pela cultura e ciclo de violência em que vivem as mulheres vítimas e pela ausência de um esforço mútuo entre Estado e sociedade civil para verdadeira proteção e redução dos casos. Sem mudança de consciência e realidade do modelo de sociedade em que vivemos, o cenário não mudará verdadeiramente, ficando apenas maquiadas as consequências inestimáveis dessas agressões.
 
Segundo o Atlas da Violência (IPEA), houve um crescimento dos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia, ou seja, uma mulher morta a cada uma hora e meia. Todos os dias. O Estado de Goiás ocupa a 5ª posição no ranking nacional de homicídios de mulheres.
 
Hoje, as vítimas podem contar com importantes institutos como a Medida Protetiva de Urgência, a Patrulha Maria de Penha e Delegacias Especializadas no atendimento de mulheres. Com toda a certeza a eficácia da Lei deixa a desejar, já que problemas estruturais não se resolvem com palavras, mas com ações. 
 
É necessário sempre nos lembrarmos que o silêncio faz da mulher mais uma na estatística e só indo atrás dos seus direitos é que o ciclo da violência poderá ser quebrado. Quebre o ciclo. Busque uma rede de ajuda de mulheres, converse. Não amanhã, não hoje. Agora!
 
*Ana Carolina Fleury é advogada; professora universitária; mestranda em Educação; especialista em Direito Público, Direito Penal e Direito Processual Penal; vice-presidente da Comissão Especial de Valorização da Mulher da OAB/GO; membro da Comissão de Direitos Humanos da Abracrim-GO e atua pelo escritório Vellasco, Velasco & Simonini Advogados.
 
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Ana Carolina Fleury

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Edemundo Dias de Oliveira Filho
17.10.2026
Voto nulo

O voto nulo não é fuga. É declaração. Em um sistema que transforma a urna em ritual obrigatório de adesão, recusar-se a escolher entre as opções apresentadas constitui um exercício lúcido de soberania individual. Não se trata de indiferença, mas de recusa consciente a legitimar o que se considera ilegítimo ou impróprio. A democracia moderna, […]

Marcelo Traldi
16.10.2026
Inovar hoje para nutrir o amanhã

Neste 16 de outubro, data em que se celebra o Dia Mundial da Alimentação (World Food Day), a comunidade internacional é convocada a refletir sobre o tema central de 2026: “Inovar hoje. Nutrir o amanhã”. Esta máxima não é apenas um lema comemorativo, mas um chamado urgente à ação para líderes, indústrias, governos e consumidores. […]

Tânia Queiroz
15.10.2026
Quando a ansiedade decide o que comemos e o que tomamos

No Dia Mundial da Alimentação, celebrado em 16 de outubro, o debate costuma girar em torno do acesso e da qualidade dos alimentos. Há, porém, uma pergunta menos discutida, e que ouço todos os dias no consultório e na sala de aula: por que comemos e o que buscamos além do prato? Para muitos brasileiros, […]

Frederico Moraes Xavier
15.10.2026
Educação exige continuidade, não soluções milagrosas

Neste 15 de outubro, celebramos o Dia dos Professores. Data importante para reconhecer o trabalho de profissionais que exercem uma das funções mais importantes da sociedade, mas também discutir as condições trabalho e os caminhos necessários para melhorar a educação brasileira. Na medicina, assim como em tantas outras profissões, sabemos que a formação de um […]

Domingos Quirino
14.10.2026
A saúde não pode envelhecer

A sociedade civil está envelhecendo em ritmo acelerado. Segundo o Censo Demográfico do IBGE, o país chegou a 22,2 milhões de pessoas com 65 anos ou mais em 2022, crescimento de 57,4% em comparação com 2010. Esse cenário impõe uma reflexão urgente: se o perfil do paciente mudou, a forma de cuidar também precisa mudar. […]

Chrissia Bandim
13.10.2026
Antes da ferramenta, a gestão do escritório

Na advocacia, o assunto mais recorrente entre os integrantes dos escritórios é saber qual ferramenta de inteligência artificial contratar para elaborar as melhores petições e fazer as melhores intervenções processuais. A discussão é salutar. Mas, qualquer que seja a ferramenta, eficiência e resultado só se conquistam com organização. Quem faz o quê, em quanto tempo, […]

Leonardo Chucrute
13.10.2026
O impacto de um líder vai além dos resultados

Todo líder deixa um rastro. A questão central não está apenas nos resultados entregues, mas no impacto gerado nas pessoas que caminham ao seu lado. Em um ambiente empresarial cada vez mais voltado para performance e crescimento acelerado, é comum associar liderança exclusivamente ao cumprimento de metas, indicadores e resultados de curto prazo. No entanto, […]

Maria Clorinda Soares Fioravanti
09.10.2026
Educação superior, ciência e tecnologia no Brasil: de onde viemos, onde estamos e que futuro queremos?

A Medicina Veterinária, a docência e a pesquisa são dimensões indissociáveis da minha trajetória. Ao longo desses anos, acompanhei períodos de expansão, fortalecimento institucional, restrições orçamentárias e ameaças à autonomia universitária. Essa experiência consolidou minha convicção de que a educação pública de qualidade é um dever do Estado e investir em ciência e tecnologia é […]