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Entre fake news e resenhas booktubers

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16.11.2018 - 09:37:26
 
Goiânia – Em um Brasil que acredita em fake news, é oportuno refletir sobre a leitura como chave para interpretar o momento que vivemos.
 
Nós sabemos que a leitura é o calcanhar de Aquiles na formação do povo brasileiro. Na grande maioria dos casos, mesmo tecnicamente alfabetizado, ou seja, sendo capaz de ler, o sujeito encontra dificuldades de compreender e interpretar o que foi lido, o que é denominado de analfabetismo funcional.

Segundo pesquisas que medem os níveis de alfabetismo na população brasileira entre 15 e 64 anos por meio do Indicador de Alfabetismo Funcional (2018), assinadas em parceria pela Organização Não Governamental Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro, das 2.002 pessoas entrevistadas: 3 em cada 10 brasileiros têm muita dificuldade para reconhecer informações em um cartaz ou folheto. Imagine reconhecer uma fala que está fora de contexto em um vídeo, que foi dita em outra data e que não contou com um profissional da imprensa e da comunicação para checar a veracidade das fontes? Isso é só um aspecto que torna as fake news um grave problema.

 
Você confiaria em um cirurgião sem formação profissional para operá-lo? Provavelmente não, mas o país tem confiado nas mensagens escritas e em vídeo que circulam em grupos de WhatsApp para formar suas opiniões sobre a realidade. Tenho visto, inclusive, mensagens de boicote a livros de autores pela simplória interpretação de que suas mensagens seriam doutrinárias e, por isso, indignas de ler. Quanto desserviço em um país de poucos leitores estimular qualquer um a não ler algo pelo simples medo de uma suposta doutrinação.
 
Na contramão desses fatos, um fenômeno apresenta o alento: trata-se de de leitores/as em rede, chamada booktubers. Os booktubers usam o YouTube para compartilhar suas resenhas de livros em vídeo. Mas não apenas isso. Os autores dos vídeos estabelecem desafios mensais entre si e seus públicos: ler um livro de capa azul, ler um livro cujo protagonista seja uma criança, ler um livro de ficção baseado em fatos reais etc. E a cada desafio escolhido, muitos dos quais são também propostos em grupos de WhatsApp, os booktubers em rede vão acumulando conteúdos para novos vídeos, os quais estarão distribuídos gratuitamente nos seus canais no YouTube. 
 
Um desses canais é o Ler Antes de Morrer, de Isabella Lubrano Paes Manso, jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Cásper Líbero. A profissional da imprensa iniciou o projeto quando ainda na faculdade resenhava livros em um blog a fim de praticar a redação. Finalista em 2018 do Prêmio Jabuti, no eixo Inovação – Formação de Novos Leitores, o canal no YouTube Ler Antes de Morrer faz resenhas semanais de livros literários, estimulando o prazer da leitura por meio da interpretação divertida e aguçada da jornalista. A duração dos vídeos é diversa, variando de 2 a 26 minutos. O canal, cujo conteúdo é gratuito, oferece playlists, espécie de quadros em vídeos que recortam temas variados, seja geográfico, como Livros do Oriente Médio, Literatura Latino-Americana, Europeia, Norte-Americana, Russa, etc. seja afetivos, como livros mais queridos, ou ainda livros que ganharam prêmios. Considerando o tema do canal, os números de visualizações são animadores: mais de 9 milhões de views. Claro que não se compara a um canal como o do Felipe Neto, com 26 milhões de inscritos. Contudo, nada se compara em termos de conteúdo. 
 
*Lara Satler pesquisa Cinema e Vídeo em Streaming na Universidade Federal de Goiás (UFG). E-mail – [email protected]
 
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por Lara Satler

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