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Movember e o câncer de próstata

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12.11.2018 - 15:54:12
Neste “Novembro Azul”, nome pelo qual o movimento mundial “Movember” é conhecido no País, cabe a cada um nós prestar sua contribuição para conscientizar a população sobre os problemas de saúde que acometem o homem. No Brasil, a ênfase vai para o câncer de próstata, tumor maligno mais frequente na população masculina. Perdendo apenas para o de pulmão, principal causa de morte por esta doença.
 
A Fundação Movember foi criada na Austrália no ano de 2003 e contava inicialmente com apenas 30 integrantes. Hoje, tem mais de 4 milhões de membros e está presente em cerca de 20 países. Desde então, os seus participantes já arrecadaram cifras superiores a 580 milhões de dólares para o financiamento de 770 projetos relacionados à saúde masculina.
 
Um indivíduo americano do gênero masculino apresenta um risco mediano de desenvolver câncer de próstata ao longo da vida de 16%, mas o risco dele morrer de câncer de próstata é de apenas 2,9%. Estes dados revelam que o câncer de próstata cresce tão lentamente, que a maioria dos homens vai a óbito em decorrência de outras causas antes que a doença se torne clinicamente avançada.
 
A sobrevida do câncer de próstata está relacionada a muitos fatores. Um deles, é a extensão do tumor no momento do diagnóstico. O que levou a criação de um programa de rastreamento, capaz de identificar com precisão homens assintomáticos com tumores localizados e agressivos. Além de reduzir substancialmente a mortalidade pela doença.
 
O teste de antígeno específico da próstata (PSA) revolucionou o mapeamento e tornou-se amplamente adotado no início dos anos 90. Isso resultou em um aumento expressivo no processo de investigação. Entretanto, a maioria dos novos casos é passível de tratamento e cura por meio de cirurgia, prostatectomia e ou radioterapia.
 
A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA (USPSTF) publicou recomendações preliminares em 2017 para individualizar a tomada de decisões sobre o rastreamento do câncer de próstata em homens com idades entre os 55 e os 69 anos. Inclusive com informações dos potenciais benefícios deste importante acompanhamento.
 
No entanto, o medo de efeitos adversos do tratamento, sendo os mais temidos deles a impotência sexual e a incontinência urinária (que podem realmente ocorrer, mas são mais frequentes nos casos em que a doença está em estágio avançado), ainda parecem impedir muitos homens de procurar atendimento no momento adequado no Brasil.
 

Uirá Resende é médico oncologista e diretor Clínico do Hospital Hemolabor, unidade de saúde referência no tratamento de câncer, em Goiás.

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por Uirá Resende

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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