A Redação
Goiânia – Um dos períodos mais turbulentos, que ecoou em vários países do mundo, será revivido na tela do Cine Cultura a partir desta terça-feira, 23/10, na mostra 50 Anos de Maio de 68. A programação é composta por nove produções, entre longas, médias e curtas-metragens, que serão exibidas até quinta-feira, dia 25/10, com entrada gratuita.
Os filmes trazem à tona o contexto e alguns dos valores da época. São um retrato da revolta de estudantes parisienses, descontentes com o sistema educacional e com a situação social e política da França durante o governo do general Charles de Gaulle. A revolta gerou um protesto estudantil que, mais tarde, recebeu a adesão de trabalhadores e culminou em um confronto entre 13 mil jovens e a polícia em 6 de maio de 1968.
As obras possuem temas variados, como política, dramas cotidianos e casos policiais. Entre elas estão o clássico Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, que faz duras críticas à ditadura; O bandido da luz vermelha (1968), de Rogério Sganzerla, entre outros. O Cine Cultura é uma unidade da Secretaria de Educação, Cultura e Esporte (Seduce) e funciona no prédio do Centro Cultural Marietta Telles Machado, na Praça Cívica, Centro.
Confira a programação da mostra de 25/10:
Dia 25/10:
– 16h: Partner
(Itália, 1968, 105 min, DVD). Direção: Bernardo Bertolucci, com Pierre Clémenti, Tina Aumont, Sergio Tofano e outros.
Sinopse:
Realizado durante o auge do movimento estudantil de 1968, Partner é um dos filmes mais radicais do cineasta italiano Bernardo Bertolucci. Esta edição especial apresenta o filme em versão restaurada, com quase uma hora de extras, incluindo entrevista com o diretor. Baseando-se livremente na obra O duplo, de Dostoiévski, o filme conta a história de um estudante com ideias revolucionárias, cuja existência solitária é abalada pelo aparecimento de seu duplo, que o incentiva a ter um maior engajamento político.
– 18h15: Manhã Cinzenta + Oratório Para Praga + Blablabla
Manhã Cinzenta, de Olney São Paulo
Sinopse:
Baseado em conto homônimo de Olney São Paulo, e que levou seu realizador aos porões da ditadura, a obra é um espelho do poder e da repressão, ambientado em um país fictício da América Latina. Retrata um casal de estudantes que segue para uma passeata onde o rapaz, um militante, lidera um comício. Eles são presos, torturados na prisão e sofrem um inquérito absurdo dirigido por um robô e um cérebro eletrônico.
Oratório Para Praga
Direção: Jan Nemec
Sinopse:
Um documento único da invasão soviética na Tchecoslováquia em 1968, o roteiro começa como um documentário sobre a liberação da Tchecoslováquia e torna-se o registro da entrada dos tanques russos em Praga. O único material filmado da invasão soviética, sendo visto por mais de 600 milhões de pessoas quando exibido na televisão, e foi a primeira informação de que o exército soviético não tinha sido “convidado a entrar”. O filme inclui cenas nunca antes vistas da Primavera de Praga antes da invasão.
Blablabla
(Brasil, 1968, 30 min, DVD). Direção de Andrea Tonacci.
Sinopse:
Brasil, final da década de 1968. Após o golpe militar que pôs a democracia brasileira em suspensão, uma ditadura é instaurada no país, reprimindo e oprimindo seus adversários, gerando uma atmosfera de tensão da qual ninguém poderia sair ileso: nem os políticos, nem os guerrilheiros revolucionários e nem o povo, preso no meio do combate.
– 20h: Terra em Transe
(Brasil, 1967, 106 min, DVD). Direção de Glauber Rocha, com Jardel Filho, Paulo Autran, Glauce Rocha e outros.
Sinopse:
No fictício país de Eldorado, o jornalista e poeta Paulo se vê diante de diversas forças políticas que lutam pelo poder. Porfírio Diaz é um político de direita e paternalista; dom Felipe Vieira, um político populista; e Julio Fuentes, dono de um império de comunicação.