Adriana Marinelli e Lucas Cássio
Goiânia – Há pouco mais de três anos, a Miriam Barbosa trocou os consultórios odontológicos para trabalhar no comércio varejista. A mudança foi a concretização do sonho de ter o próprio negócio. Ao lado do marido, Miriam resolveu investir em uma loja de uniformes personalizados e materiais esportivos no Setor Garavelo, em Aparecida de Goiânia. Casos como o de Miriam reforçam a retomada do crescimento econômico no Estado, em especial em Aparecida de Goiânia. A cidade saiu de 6 mil CNPJs ativos em 2008 para mais de 46 mil em 2018, segundo dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg).

Em 10 anos, o crescimento no número de abertura de CNPJs em Aparecida de Goiânia foi de cerca de 600% (Arte: Jornal A Redação)
Segundo o relatório da Juceg, de janeiro a junho deste ano foram registrados 594 novos CNPJs na cidade. Além disso, dados da Secretaria da Fazenda de Aparecida mostram que 1.882 empresas se transferiram ou iniciaram suas atividades no município no primeiro semestre deste ano. Mas, segundo a empresária, não basta apenas abrir a empresa e esperar os resultados chegarem por conta própria. De acordo com Miriam, no começo do negócio, em 2015, a situação não era fácil, mas buscou orientações junto a instituições como a Câmara de Dirigentes Lojistas de Goiânia (CDL) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Goiás (Sebrae-GO) para poder alcançar o sucesso do empreendimento.
A busca por capacitação é constante. Na última semana, Miriam participou da primeira edição do projeto CDL em Movimento. Realizada em Aparecida de Goiânia, a ação teve parceria com o Sebrae-GO e com o Sistema de Cooperativas de Crédito no Brasil (Sicoob). Durante três dias de evento, lojistas e colaboradores tiverem acesso a palestras, oficinas e cursos. "O objetivo é melhorar as vendas e poder atender as necessidades dos meus clientes. Já são três anos e meio na área e ainda tenho muito o que apreender", disse Miriam após participar do curso de Vendas de Alto Impacto.
Uma das metas do evento foi a de levar soluções práticas e acessíveis para os lojistas. "A proposta do projeto CDL em Movimento é trazer para as regiões mais afastadas do centro de Goiânia treinamentos que colaboram com a capacitação do empresário e do colaborador para, consequentemente, auxiliar no crescimento da empresa. É uma forma da CDL estar mais próxima dos empresários", afirmou a gerente de negócios da CDL, Cleire Araújo de Morais.

Cerca de 200 pessoas participaram dos cursos oferecidos nos três dias de evento
Cerca de 200 pessoas participaram dos cursos oferecidos nos três dias de evento. Todos os serviços da CDL, que hoje conta com mais de seis mil associados, também foram levados ao local. "O grande destaque foi a Escola de Negócios, que ofereceu treinamentos e cursos para capacitação, principalmente dos colaboradores. O foco do evento é o lojista, mas eles [lojistas] também querem treinamento para seus funcionários", destacou Alexandra Lima, diretora executiva da CDL Goiânia. "Essa é uma prática que queremos ter a cada dois ou três meses", acrescentou Alexandra ao ressaltar que outras edições do projeto serão colocadas em ação.
Confira alguns dos serviços oferecidos pela CDL:

Analista do Sebrae, Sérgio Rodrigues afirma que projetos como o CDL em Movimento "colaboram e estimulam" os micro e pequenos empreendedores a saírem da informalidade, e ajudam promover o crescimento econômico local.
"O interesse maior é que a gente dê ferramentas e possibilidades para que esses empresários aproveitem melhor essa retomada do crescimento. A região do Garavelo [local onde foi realizado o CDL em Movimento] é repleta de empresas de todos os seguimentos. Temos uma grande circulação de mercadorias e de pessoas. Aparecida de Goiânia apresenta um crescimento contínuo muito grande. Temos na base de Aparecida de Goiânia cerca de 20 mil microempreendedores individuais. São pessoas que de uma certa forma saíram de um emprego formal e constituíram suas empresas", explicou o analista do Sebrae.
A busca por capacitação tem acompanhado o crescimento do setor varejista. Segundo dados do IBGE, em agosto de 2018 o comércio varejista nacional cresceu 1,3% em relação a julho, na série com ajuste sazonal. Na série sem ajuste sazonal, no confronto com agosto de 2017, o comércio varejista cresceu 4,1%.
O crescimento de 1,3% no volume de vendas no varejo mostra resultados positivos em sete das oito atividades pesquisadas. Um dos destaques está na atividade de tecidos, vestuário e calçados, que teve crescimento de 5,6%. Na sequência vem o setor de combustíveis e lubrificantes (3,0%), seguido por artigos de uso pessoal e doméstico (2,5%), móveis e eletrodomésticos (2,0%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (0,9%), hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,7%), equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (0,6%). O único com taxa negativa em agosto foi o setor de livros, jornais, revistas e papelaria (-2,5%).
Na comparação de agosto deste ano com o mesmo período do ano passado, o comércio varejista avançou 4,1% com cinco das oito atividades. Os destaques positivos vieram de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (5,5%), seguidos por artigos de uso pessoal e doméstico (9,5%) e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,4%). Ainda com taxas positivas aparecem: tecidos, vestuário e calçados (2,9%), além de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (3,1%).
Segundo a CDL Goiânia, a expectativa é que os índices continuem positivos. "Temos uma expectativa de crescimento de 7,9% em relação ao ano passado. Teremos a injeção do 13º salário, que também deve contribuir para esse crescimento", disse Alexandra Lima, diretora executiva da CDL Goiânia.
Alexandra também comenta a pesquisa divulgada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) que mostra que nos próximos meses aproximadamente 59,2 mil vagas de empego serão abertas nos segmentos do comércio e serviços em todo Brasil. Segundo ela, os empresários acreditam no cresciemento das vendas neste final de ano e, por isso, sinalizam que vão contratar mais. "A expectativa é que em Goiás as vagas de emprego também aumentem em comparação com 2017", concluiu a diretora executiva da CDL Goiânia ao enfatizar que o sentimento é otimismo.