Kamylla Rodrigues
Goiânia – Os admiradores da criatividade e da qualidade têm a oportunidade de mergulhar em uma experiência única na Época Galeria, no setor Marista, em Goiânia. O espaço recebe a partir desta quinta-feira (23/8) a Feira Conexão Design. Em exposição, matérias-primas transformadas em peças cheias de história, identidade e cultura brasileira e vendidas pelas mãos dos próprios criadores.
Após três edições em São Paulo, a Feira Conexão Design desembarcou em Goiânia fomentando o design autoral, com destaque para a irreverência e o detalhe. São joias, acessórios, objetos de design e decoração, roupas, sapatos, móveis, esculturas e obras de arte exclusivas, em edições limitadas ou numeradas, e com preços acessíveis. Muitas carregam ainda o conceito de slow fashion, de consumo consciente.
A feira vai além de exposição e venda: o encontro é uma oportunidade do público conversar com os designers, artesãos e artistas das mais diversas áreas de atuação, descobrindo e conhecendo os processos de criação e produção. “Ninguém nunca vai descrever tão bem uma peça quanto aquele que esteve no processo de pesquisa, criação, desenvolvimento, divulgação, marketing e venda da peça. Cada profissional vem de um canto do país, contando sua história, trazendo suas referências artísticas. É uma feira de troca de experiências e de valorização de quem está por trás dessas peças”, conta a jornalista e curadora da feira, Eliane Melo.
Feira tem a curadoria de Eliane Melo (Foto: Letícia Coqueiro)
Mais de 30 profissionais de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e Paraná estão sob a batuta de Eliane durante a feira, que segue até sábado (25/8), com horário de funcionamento das 11h às 20h e com entrada gratuita. A estimativa é receber cerca de 1,5 mil pessoas.
A advogada Lucíola Melo foi uma das visitantes do primeiro dia e não poupou elogios à iniciativa. “Ter um espaço que reúne grandes nomes do design autoral é importante não só para os profissionais, mas para a cidade, que passa a receber durante a feira gente de várias cidades brasileiras. Além disso, enriquece nosso conceito de produto artesanal, que une estética e funcionalidade. É inspirador conhecer o produto e quem o produziu”, ressalta.
A empresária Silva Souza ficou encantada com o minúsculo broche de abelha produzido pela designer goiana e artista visual, Fabiana Queiroga. "É minimalista e delicado. Impressionante a qualidade desse trabalho, que vem ganhando espaço aqui em Goiás. Feiras como essas refinam nossa busca por produtos autorais", afirma.
(Foto: Letícia Coqueiro)
Quase real de tanto detalhe e banhada a ouro, outro exemplar do inseto aparece na ponta de uma haste da mesma cor, ambos presos em um vidro. Assim, é uma escultura. Quando o vidro se abre, a abelha pode voar e pousar no cabelo de quem a libertou, se transformando em acessório. Há dois anos Fabiana divide o tempo das pinturas com as esculturas para o corpo, em formato de joias. O valor das peças varia entre R$ 100 e R$ 3,2 mil.
Não muito distante das miniaturas, o trabalho da designer paulistana Renata Fernandes chama a atenção pelo capricho e inovação. A mesa de exposição dela se divide entre a linha de luminárias modulares, que podem ser montadas com a forma e tamanho desejados, e as joias em madeira e borracha a base de látex. Tudo é biodegradável.
“Hoje, não tem como não pensar em um produto inovador sem pensar no que ele vai causar ao meio ambiente. Eu passei um ano desenvolvendo as caixas das joias com encaixes perfeitos. E isso deu um novo conceito para a embalagem do produto, porque ele também é parte da peça”, explica Renata. O valor das luminárias começam em R$ 350 e vão até R$ 850. As joias podem ser adquiras entre R$ 30 e R$ 320.
Designer paulistana Renata Fernandes (Foto: Letícia Coqueiro)
Madeira
Gregory Kravchenko, gaúcho de natureza e goiano de coração, é mestre em engenharia de produção e especialista em design estratégico. Direto do ateliê para a feira, itens de decoração e funcionais chamavam a atenção pela irreverencia, criados manualmente com resíduos de pós- produção, que seriam, muitas vezes, descartados. As gamelas seguem o formato original das árvores frutíferas que já encerraram sua vida útil.
Com o fio de cobre, a rachadura natural vira detalhe e eleva a categoria da peça para uma obra de arte. Aqui, a preocupação com o consumo consciente também é levado em consideração. “Nós buscamos mitigar o máximo de resíduos, impactando em menos corte de árvores. Isso significa valorizar a matéria prima”, reforça Gregory.
Moda
A feira também contempla a moda, com a marca Design Floresta, da empresária Fernanda Toledo, que trabalha com espadrilles artesanais coloridas no linho e solado em latex natural antiderrapante. "E tudo isso com a sustentabilidade em evidência. Todas as matérias primas são sustentáveis", completa.
Espadrilles artesanais (Foto: Letícia Coqueiro)
Para a estudante Marília Diniz, a feira é um estágio avançado da profissão de design. "É incrível olhar cada peça e imaginar o quanto o profissional pensou e trabalhou para chegar a esse resultado. Muitos aqui, inclusive, saíram de sua área de formação e correram atrás da paixão pela arte. É bonito ver que há em cada item uma memória afetiva de quem vende", diz.