Larissa Lessa
O vice-governador de Goiás, José Eliton (DEM), quebrou o silêncio e falou na manhã desta terça-feira (3/4) sobre as denúncias contra o senador goiano Demóstenes Torres (DEM). Na segunda-feira, o partido anunciou a abertura de um processo que poderia culminar na expulsão do senador. Demóstenes Torres optou pela desfiliação, que lhe garante a permanência no Senado e o julgamento pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
José Eliton afirmou que espera que o senador tenha “explicações plausíveis” para justificar a ligação com o empresário Carlinhos Cachoeira, apontado nas investigações da Operação Monte Carlo como chefe de um esquema de exploração de jogos de azar em Goiás.
O vice-governador se reuniu na segunda-feira com o senador e foi cauteloso ao comentar as denúncias contra Demóstenes. Segundo José Eliton, o senador está “confiante da inocência. Ele disse que vai preparar uma defesa consistente e vai demonstrar que os fatos estão sendo deturpados, na interpretação dele”. No entanto, o vice-governador reconhece as implicações das transcrições divulgadas, que mostram relacionamento próximo entre Torres e Cachoeira. “Isso [a proximidade entre os dois] parece evidente nas transcrições que foram feitas até agora. Mas qual é a razão disso? Por que teve esses diálogos? Quais foram as finalidades desses diálogos? É isso que o senador provavelmente vai explicar”.
José Eliton justificou que não comentou as denúncias contra Demóstenes antes porque preferia conversar com o senador antes de se pronunciar. Sobre o pedido de expulsão do senador, José Eliton negou que fosse um pré-julgamento do senador, como afirmou Demóstenes em sua carta de desfiliação. “O tempo político é diferente do tempo jurídico”, disse. “Estou muito triste com esse episódio todo. Há um sentimento de decepção, de descrença numa das figuras que era simbólica, mas que ainda tem o direito de se defender. O julgamento político, se não foi feito, está em fase final”.
Reflexo
José Eliton reconhece que o escândalo envolvendo o senador, antes considerado um dos principais cabos eleitorais do DEM nas eleições municipais, pode ter reflexos negativos para o partido no Estado. “Mas é importante destacar que nenhum dos membros do partido está acima do partido. O DEM é o único partido que se comporta dessa forma [ao abrir o processo que poderia terminar na expulsão do senador]. Outros adulam, outros acolhem, outros guardam, outros escondem aqueles que eventualmente façam isso. Temos noção clara da falta que a figura do Demóstenes Torres vai fazer, mas a posição do partido foi tomada”, destaca o vice-governador.
Governo
O vice-governador rebateu as informações de que Carlos Cachoeira teria influência no governo do Estado. Em gravações divulgadas pelo jornal Folha de S. Paulo, feitas em 5 de janeiro do ano passado, Carlinhos Cachoeira e Lenine Araújo de Souza, apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como o “segundo homem” do grupo criminoso, discutem nomeações no governo de Marconi Perillo. Segundo José Eliton, “ninguém pode responder por diálogo de terceiros. O governador já colocou que se tiver alguma pessoa envolvida irá tomar as providências pertinentes”.
Expulsão
A opção pela abertura do processo no DEM foi tomada depois de duas reuniões realizadas pela cúpula do partido. Na primeira, se reuniram com Demóstenes Torres o vice-governador e o presidente do DEM em Goiás, deputado Ronaldo Caiado. Após ouvir do senador que não teria condições de se manifestar ao partido porque não teve tempo de ler o inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), os representantes do partido se encontraram com o presidente nacional do DEM, senador José Agripino, e o líder do DEM na Câmara dos Deputados, deputado Antônio Carlos Magalhães Neto.
No encontro, a cúpula do partido decidiu que não era mais possível aguardar o posicionamento do senador e optou pela abertura do processo, do qual Demóstenes foi comunicado no mesmo dia. “Isso não significa que o partido está prejulgando ou fazendo qualquer ato de hostilidade”, afirmou José Eliton.
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