Logo

‘Eleitores estão sem perspectiva de melhora’, afirma diretora do Ibope

WhatsAppFacebookLinkedInX
14.05.2018 - 09:27:04

São Paulo – Marcia Cavallari, diretora executiva do Ibope Inteligência, ficou recentemente sensibilizada ao acompanhar os depoimentos de entrevistados em uma pesquisa qualitativa promovida por seu instituto. Reunidos em volta de uma mesa e convidados a falar sobre suas expectativas em relação ao futuro, grupos de eleitores de perfis diversos só manifestaram desesperança e angústia. "Foi uma tristeza", disse ela, em entrevista ao jornal O Estado de s. Paulo.

De acordo com Marcia, os levantamentos do Ibope mostram um eleitorado "sem perspectiva de melhora". Existe uma abertura para candidatos que representem o "novo", mas, ao mesmo tempo, um temor de uma pessoa sem muita bagagem política possa piorar a situação do País. Leia a seguir os principais pontos da entrevista:

Os pré-candidatos mais conhecidos têm taxas muito altas de rejeição, até maiores que seus porcentuais de intenção de voto. Qual será o impacto disso?
Uma questão que a gente vê nas pesquisas é que os eleitores estão sem perspectiva de melhora. Não conseguem ver como sair desse lugar em que estamos, não conseguem enxergar uma luz no fim do túnel. Os eleitores não conseguem identificar, nesses candidatos todos, qual conseguiria tirar o País da situação em que está. Pode ser que, quando começar a campanha, as coisas fiquem mais claras e possam identificar uma perspectiva. Há uma desconfiança também porque os eleitores estão mais atentos para não se deixar levar por promessas mirabolantes, por ideias que são inexequíveis. Essa questão da desesperança, de não conseguir enxergar uma solução, é um sentimento muito sofrido, muito mesmo. Nós percebemos isso em pesquisas qualitativas. São pessoas de classes mais altas, de classes mais baixas, todo mundo batalhando e as coisas não andam, está tudo amarrado.

O desânimo em relação aos políticos tradicionais leva a uma maior abertura a novidades?
Há uma posição dúbia em relação ao novo. Eles percebem que a situação é muito complexa e que talvez um candidato que represente o totalmente novo possa piorar ainda mais o quadro. Querem mudança? Querem. No jeito de fazer política, no jeito de lidar com o serviço público, com o dinheiro público. Mas não necessariamente esperam um "novo do novo", porque isso também geraria insegurança. Eles esperam uma certa bagagem. Há esse temor de que fique pior.

Até agora é uma eleição sem favoritos, o que atrai muitos candidatos. Por outro lado, partidos menores têm poucos recursos e precisam investir em campanhas de deputados. A lista de presidenciáveis tende a encolher?
Deve ser a primeira eleição desde 1989 sem (o ex-presidente) Lula, que tem um peso específico, que vai além de seu partido. Um ponto importante é que, apesar da baixa preferência partidária dos brasileiros, há cerca de 30% com simpatia pelos partidos de esquerda. Sem o Lula, o que pode acontecer é uma reorganização dos partidos de esquerda, para que não percam essa fatia do eleitorado. Hoje o cenário é de muitos possíveis candidatos, com baixa intenção de voto. Os únicos com taxas significativas são Lula, Bolsonaro e Marina. O voto está muito pulverizado. Acho que deve acabar ocorrendo uma recomposição dos partidos, de maneira que não tenhamos tantos candidatos concorrendo. Será uma campanha curta, que terá emoção até o último momento.

Até que ponto as redes sociais tornam o eleitorado mais volátil, mais sujeito a mudanças bruscas?
As redes têm um papel mais importante, sim, a cada ano a mais usuários. Sabemos que os eleitores citam cada vez mais as redes como fonte de informação. Mas ainda não temos como medir o quanto elas influenciam a decisão de voto.

Como a desinformação afeta o voto?
Em relação às notícias falsas, nossas pesquisas mostram que os eleitores se preocupam muito com isso. Eles acham que o ambiente da internet é mais propício para as pessoas divulgarem e passarem notícias falsas sem checar a fonte. Sabem e declaram que não podem acreditar em tudo o que veem na internet. A credibilidade maior é dos veículos de comunicação tradicionais: jornal, rádio, TV. É onde se sentem mais seguros em relação à informação que recebem. Existe interesse maior pelas notícias políticas. É claro que isso se verifica de maneira mais forte nos grupos urbanos e de maior escolaridade, mas também vemos essa preocupação de buscar mais informação nas classes mais baixas.

Como o eleitor pode saber se uma pesquisa é confiável?
Primeiro, todas as pesquisas que são divulgadas têm de ser registradas no site do TSE. O registro dá transparência ao processo. É possível ver a maneira como a pesquisa está sendo feita, ler o questionário, saber quem é o contratante, verificar o preço que está sendo pago. Há preços lá que são inexequíveis. Impossível fazer uma pesquisa com um custo tão baixo. É claro que metodologia é uma coisa muito técnica, mas só de olhar o eleitor vai ter alguns indícios de como cada instituto está trabalhando. Uma coisa que fica nítida é a diferença de preços entre institutos tradicionais e conhecidos e os outros. Até o dia 8 de abril, havia 88 pesquisas registradas no TSE. Cerca de 40 eram de empresas não associadas à ABEP (Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas). Ou seja, não sei quem são. Além disso, em todos esses casos, o contratante é a própria empresa de pesquisa.

É algo inusual um instituto fazer pesquisa com recursos próprios?
Essa coisa de fazer tudo por conta própria é estranha. Nós já fizemos, mas é raro. Às vezes fazemos porque há algo importante acontecendo e nenhum cliente contrata pesquisa naquele momento. Há casos em que o cliente contratou um calendário e acontece um fato importante no intervalo de duas pesquisas. Aí fazemos uma extra e doamos para o cliente. Mas é estranho fazer várias pesquisas com recursos próprios.

Isso seria um indício de que eles estariam ocultando o contratante, alguém com interesse no resultado da pesquisa?
Há que se deduzir isso. Não se sabe que interesse haveria em um instituto ficar gastando seus recursos com pesquisas. É um indício de algo esquisito. Também se deve prestar atenção nos resultados dos diferentes institutos. As pesquisas mostram uma tendência ao longo do tempo. O fenômeno que está sendo medido por todos é o mesmo, então todos devem mostrar uma tendência semelhante, mesmo que os números não sejam exatamente os mesmos. Se um instituto apresenta resultados muito díspares, é preciso procurar entender a razão. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Moda
30.10.2026
Ethne e Eleonora Hsiung se unem em pop-up de moda, arte e joias em Goiânia

A Redação  Goiânia – A Capital goiana recebe nos dias 5 e 6 de novembro um encontro especial entre moda, arte e joias. A marca brasileira de slow fashion ethne se une è Eleonora Hsiung para uma Pop-Up que celebra o design autoral, a criatividade e a valorização do trabalho artesanal. O evento acontece no Eleonora […]

Inovação
30.10.2026
Instituto Mauro Borges renova parceria com Defensoria Pública para projeto de expansão dos serviços em Goiás

A Redação  Goiânia  – O Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), vinculado à Secretaria-Geral de Governo (SGG), renovou, nesta quinta-feira (29/10), o termo de cooperação técnica com a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO). A parceria, iniciada em 2023, resultou no desenvolvimento do Índice de Necessidade de Defensoria (IND), estudo que serviu […]

Eletricidade
30.10.2026
Equatorial Goiás moderniza medidores de energia nos centros históricos da cidade de Goiás e de Pirenópolis

A Redação Goiânia – A Equatorial Goiás está modernizando o sistema de medição de energia elétrica nos centros históricos da Cidade de Goiás e de Pirenópolis. A iniciativa prevê a substituição gratuita dos medidores convencionais por equipamentos eletrônicos inteligentes, que permitem a leitura remota do consumo de energia, oferecendo mais comodidade aos clientes e contribuindo […]

Economia
30.10.2026
FICCA Goiás gera aproximadamente cinco toneladas de materiais recicláveis

A Redação  Goiânia – Além de movimentar milhares de negócios em três dias, a FICCA Goiás — Feira da Indústria, Comércio, Cooperativismo, Empreendedorismo e Agronegócio — gerou aproximadamente cinco toneladas de materiais recicláveis, que serão destinadas a duas cooperativas goianas. A coleta é resultado do trabalho do Movimento Reciclar, iniciativa liderada pelo Conselho de Desenvolvimento […]

Educação
30.10.2026
Goiás recebe alunos de cinco estados para etapa final da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial

A Redação  Goiânia – Goiás recebe, a partir deste sábado (31/10), 150 estudantes de cinco estados brasileiros para a etapa presencial da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial Aplicada. A abertura será realizada às 8h, na Escola do Futuro de Goiás em Aparecida de Goiânia. Os estudantes do Ceará, Distrito Federal, Goiás, Santa Catarina e São […]

Gestão
30.10.2026
Leandro Vilela vistoria obras de infraestrutura, meio ambiente e saúde em Aparecida de Goiânia

A Redação Goiânia – O prefeito de Aparecida de Goiânia, Leandro Vilela, vistoriou, na manhã desta sexta-feira (30/10), obras em andamento no município nas áreas de infraestrutura, meio ambiente e saúde. O gestor acompanhou o avanço da pavimentação asfáltica no setor Rosa dos Ventos, a implantação do Parque Ecológico Serra Dourada 3, na divisa com o […]

Gastronomia e Patrimônio
30.10.2026
Bares e restaurantes dão nova vida a casarões históricos, impulsionam o turismo e movimentam a economia de Goiânia

Adriana Marinelli Goiânia – O passado e o presente dividem o mesmo espaço em um amplo casarão no Centro de Goiânia. O piso de taco de madeira, as esquadrias e outros detalhes preservados da construção original revelam a história do imóvel, enquanto o aroma de pizza recém-saída do forno anuncia a vocação que ele ganhou com […]

Maus-tratos
30.10.2026
Homem é preso após deixar cachorro acorrentado por oito meses em Goiânia

A Redação  Goiânia – Um homem foi preso em Goiânia suspeito de deixar um cachorro da raça pitbull acorrentado há pelo menos oito meses, sem abrigo contra sol e chuva. O caso ocorreu no Conjunto Vera Cruz II, na quarta-feira (28/10). A ação teve início após denúncia anônima recebida pelo Disque-Denúncia 197. Segundo informações da […]