Michelle Rabelo
Os professores realizam manifestações nos municípios de Anápolis (55 km da capital), Jaraguá (143 km de Goiânia), Rio Verde (235 km da capita) e Porangatu (436 km de Goiânia) na manhã desta segunda-feira (26/3). Na última Assembleia, que aconteceu na semana passada (21/3), a decisão pela continuidade da greve vetou a possibilidade de acordo entre a classe e a Secreatria de Educação do Estado de Goiás (Seduc).
De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em Anápolis, os professores fizeram manifestação na BR-060, em frente ao DAIA, sem pedir ajuda aos policiais, diferentemente de protestos anteriores. “Trata-se de uma manifestação desordeira. Em outra ocasião, eles pediram nossa ajuda para interditarem o mesmo trecho, mas não aconselhamos, visto que é um local de grande fluxo. Estamos saindo de lá, e a integridade dos manifestantes não é mais nossa responsabilidade” pontuou o inspetor da PRF, César Oliveira.
O trecho da manifestação fica na entrada do Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA), onde os dois lados da BR-060 foram totalmente interditados. Segundo o inspetor, alguns motoristas estão forçando a passagem, o que torna a aglomeração dos professores “extremamente perigosa”. A orientação para quem faz o trecho Goiânia – Brasília, é optar pelo trajeto por dentro de Anápolis, passando pelo posto Presidente, Avenida Pedro Ludovico, Avenida JK e viaduto Josias Braga.
Em Jaraguá, a manifestação é pacífica. Cerca de 150 professores dos municípios de Jaraguá, Itaguaru, Goianésia, Ceres, Uruana e São Fransisco estão às margens da BR-153. Segundo a inspetora da PRF Alessandra Barcelos, a rodovia não será interditada e agentes vão ficar no local orientando os motoristas. Já em Rio Verde, o protesto acontece no km 308 da BR-060, também de maneira pacífica. O trecho ficou parcialmente interditado por cerca de 40 minutos. O último ponto onde ocorre manifestação da classe é no Km 71 da BR-153, em Porangatu. A rodovia está parcialmente interditada.
A assessoria da Seduc afirmou que a Secretaria vai se pronunciar até o final da tarde de hoje. A presidente do Sintego, Iêda Leal, afirmou que as manifestações são em comemoração aos 50 dias da greve e que tudo acontece de forma muito organizada. "Queremos parar 50 km nos quatro cantos de Goiás. Vamos estar em Itumbiara também, para mostrar que a greve abraça todo o Estado", pontuou.
Tribunal de Justiça entra em cena
Na segunda-feira (19/3) o departamento jurídico do Sindicato dos Trabalhadores de Educação (Sintego) entrou com ação judicial individual e coletiva na Justiça. O objetivo é proteger os educadores da rede estadual que estão em estágio probatório, período de adaptação onde é verificado o desempenho do servidor recém admitido e que servirá para determinar a efetivação ou não no cargo. Estes, segundo o Sintego, não podem ser prejudicados por apoiar a greve. A denúncia é de que os trabalhadores estariam sendo ameaçados e perseguidos pela Seduc por meio de processo administrativo disciplinar.
Na última sexta-feira (23/3) o Sintego representou outra ação civil pública contra o Estado. A ação exige o retorno das gratificações de titularidade, baseando-se na alegação de que a não-redução da remuneração do trabalhador é garantida pela Constituição. O Tribunal de Justiça (TJ) estabeleceu um prazo de 72 horas ao Governo do Estado, para prestação de esclarecimentos sobre as leis que modificaram a carreira dos educadores da rede estadual, quando incorporaram as gratificações de titularidade ao vencimento dos trabalhadores.