Larissa Lessa
Discutir soluções para a educação brasileira e as prioridades para ensino básico e superior. É com esse objetivo que acontece, nesta sexta-feira (9/3), o seminário “Urgência da Educação”. Quem aborda o tema é o professor Isaac Roitman, coordenador do Grupo de Trabalho de Educação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência em Goiás (SBPC-GO). O professor também coordena o movimento “SPBC: Pacto pela Educação”, lançado em 2009, que agrega diversos setores da sociedade para “fiscalizar as melhorias da educação nas próximas décadas”, como diz o estudioso.
O professor conversou com o Jornal AR antes do seminário, que acontece nesta manhã no Campus 2 da Universidade Federal de Goiás, em Goiânia. Em entrevista concedida ao AR, o professor aponta a valorização do professor como o caminho para a melhoria da educação brasileira e destaca que educação deve ser vista como Política de Estado, e não de Governo. Confira a entrevista:
Jornal A Redação – O Seminário “Urgência da Educação” discute a atual situação da educação brasileira. Quais deveriam ser as prioridades para a educação no país?
Isaac Roitman – A primeira prioridade, no que diz respeito ao ensino básico, é o professor. Precisamos ter um professor bem formado para a sociedade contemporânea, exigindo uma modificação de comportamento. A formação do professor é absolutamente prioritária, acompanhada da valorização do professor, do reconhecimento social. Não é possível avançar sem uma carreira que permita ter uma vida digna e condições de trabalho. Adicionalmente, temos que ter um espaço físico do ambiente escolar adequado, outras coisas, como transporte escolar e professor motivado para fazer um bom trabalho.
A taxa de evasão dos cursos de licenciatura ainda é alta nas universidades. Como inverter essa realidade?
Devemos fazer o que fazem os países que têm educação melhor que a nossa: temos que atrair para os cursos de licenciatura os melhores egressos do ensino médio. Para que isso aconteça, a carreira do professor deve ser atrativa. Na realidade, os professores, principalmente do ensino básico, recebem uma remuneração na faixa mais baixa do funcionalismo público. A valorização começou com o piso salarial, que ainda é muito insuficiente. Nosso movimento na SBPC é que, até 2026, os professores do ensino básico estejam recebendo salário da faixa superior do funcionalismo público.
Ontem foi divulgado que nove estados brasileiros ainda não pagam o piso salarial definido pelo Ministério da Educação para os professores. Como o senhor vê essa situação?
O piso salarial é Lei que precisa ser cumprida. Quando houver dificuldades do município ou do Estado para assumir o piso, o Governo Federal tem que fazer uma complementação. Como está hoje, o piso é uma fase, um começo. Interessante seria que o piso, que hoje está na faixa de R$ 1,4 mil, passe em três ou quatro anos para R$ 4 mil. É preciso priorizar a educação.
Em Goiás, os professores da Rede Estadual completam nesta sexta-feira (9/3) 33 dias de greve. Em todo o país, os docentes programam uma paralisação de três dias. A greve é o caminho para a luta pela valorização profissional?
Greve de professor não deveria existir. Se fizermos um compromisso com metas, mesmo que seja a médio prazo, as razões para greve devem ser eliminadas. A cada hora que um estudante perde uma educação de qualidade, a sociedade paga por isso.
O senhor defende que a educação deve ser vista como Política de Estado, e não de Governo. O que precisa mudar?
Assim como a greve deve ser eliminada do calendário escolar, a descontinuidade precisa ser eliminada. Precisamos de uma política. A conquista da qualidade de ensino não vai ser rápida, mas é fundamental que haja políticas de continuidade, que não sejam de um governo ou outro, e sim de Estado.
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