Larissa Lessa
No primeiro pronunciamento oficial sobre a Operação Monte Carlo, que desarticulou na quarta-feira (29/2) um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis, o secretário João Furtado negou que os citados na investigação comandassem a Polícia goiana. “Vamos deixar as coisas bem claras: nenhum desses incriminados na organização tinha comando das forças policiais no Estado de Goiás, nem mesmo o principal acusado. Disse e repito: isso é um folclore”, afirmou o secretário durante o anúncio dos substitutos dos servidores da SSPJ envolvidos na Operação realizada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF).
De acordo com o secretário, o pronunciamento somente foi feito na manhã desta segunda-feira (5/3) porque a SSPJ deveria tomar medidas relacionadas ao caso sob segredo de justiça. João Furtado afirmou que, embora não tenha participado da operação, a secretaria foi intimada a afastar das funções os servidores envolvidos na operação e apresentar, de forma compulsória, os policiais citados à Polícia Federal, em Brasília (DF), procedimentos que teriam sido concluídos na sexta-feira (2/3) à tarde.
Segundo o secretário, não foi decretada prisão de nenhum dos 29 militares, seis delegados da Polícia Civil, um escrivão e um agente da Polícia Civil. De acordo com o MPF, o esquema de exploração de jogos de azar seria comandado pelo empresário Carlinhos Cachoeira e também teria a participação de dois delegados da PF. João Furtado afirmou que a secretaria não foi informada de detalhes da investigação e que aguarda saber quais acusações recaem sobre os servidores. “Uma vez comunicados oficialmente, vamos tomar as medidas internamente”, informou o secretário.
Substituições
O discurso de cautela foi reforçado pela nova corregedora geral da SSPJ, Letícia Franco. “Nós vamos aguardar que os resultado das investigações sejam repassados para que seja feita uma avaliação do mérito disciplinar, saber qual procedimento disciplinar será adotado e qual é a unidade competente para fazê-lo”, informou Letícia, que deixa a gerência da Corregedoria Geral para assumir o cargo no lugar de Aredes Correia Pires, citado na Operação Monte Carlo.
Letícia Franco assume Corregedoria Geral da SSPJ (Foto: André Saddi)
Também foram anunciados os nomes de Fabiano Medeiros, novo delegado do 2º DP de Luziânia em substituição a Niteu Chaves Júnior; Karina Duarte Rocha, que assume o comando do 2º DP de Valparaíso no lugar de Marcelo Zegaib Mauad; Fernando Araújo Lima Gama, substituindo José Martins Araújo no 1º DP de Águas Lindas e Eliomar Borges, que entra no lugar de Hylo Marques Pereira na Delegacia de Alexânia/Cocalzinho. Todos os delegados afastados foram citados na investigação do MPF e da PF.
Já Joaquim Filho Adorno Santos deixa a Delegacia Regional de Formosa para assumir a Delegacia Regional de Luziânia no lugar de Juracy Pereira, também envolvido na Operação Monte Carlo. O delegado Manoel Leandro foi confirmado na Regional de Formosa. Na Polícia Militar, o tenente-coronel Márcio Gonçalves de Queiroz é o novo Comandante do Policiamento da Capital (CPC), no lugar do coronel Sérgio Katayama, afastado do cargo ainda na quarta-feira.
Reflexos
João Furtado afirmou que a Operação Monte Carlo foi “bem-vinda”, mas considerou a investigação como “episódica”. “Não adianta fazer esse teatro de operações e depois tudo ficar por isso mesmo. Sete estão soltos hoje. Quero saber depois da efetividade desse processo todo”, afirmou o secretário, que pediu apoio da PF e do MPF para investigar crimes como tráfico de drogas e armas, além de furto de veículos e cargas. “Não é uma [operação] por ano, não. Eu quero mais. Não adianta investigar só integrantes das forças policiais. Nós agradecemos a operação, mas queremos mais apoio”, disse.
O secretário descartou a possibilidade de trocar os comandos da Polícia Militar e da Polícia Civil, como aconteceu em novembro de 2011, quando assumiram a delegada Adriana Accorsi, na PC, e o coronel Edson Costa Araújo, no comando da Polícia Militar. “Essa administração não tem qualquer relação com esses incidentes e com essa organização criminosa. Nós assumimos há três meses, e esses fatos ocorrem há 17 anos, segundo divulgado pela Polícia Federal”, afirmou a delegada Adriana Accorsi.
Em fevereiro de 2011, João Furtado determinou o afastamento da Polícia Militar de investigações sobre a exploração de caça-níqueis. Questionado sobre o motivo de a própria secretaria não ter identificado o esquema, João Furtado apontou a dificuldade de levantamento de provas. “Não bastam os suspeitos, são necessárias provas. E a PF levou 15, 17 meses, com o apoio de policiais de outros estados, para chegar a uma conclusão”, afirmou.
Adriana Accorsi afirmou que operações para a repressão do uso de máquinas caça-níqueis são dificultadas pela falta de locais para guardar os equipamentos apreendidos. A delegada contou que encaminhará ao Poder Judiciário um pedido para que máquinas caça-níqueis apreendidas pela Polícia Civil sejam destruídas logo após a perícia técnica, o que facilitaria o trabalho dos policiais.
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