Logo

Vila Pan-Americana vira legado de problemas no Rio de Janeiro

WhatsAppFacebookLinkedInX
13.07.2017 - 09:02:00

Rio de Janeiro – Apontados como propulsores para fazer do País a sede da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada do ano passado, os Jogos Pan-Americanos do Rio-2007 foram abertos oficialmente há exatos 10 anos. Considerados "um sucesso" pelos organizadores, custaram R$ 3,6 bilhões, seis vezes mais que o previsto, e deixaram como legado uma série de problemas.

Reformado, o estádio do Maracanã precisou ser praticamente reconstruído para o Mundial, enquanto que o Engenhão, erguido justamente para o Pan, teve de sofrer intervenção milionária em sua cobertura sete anos mais tarde. Nenhuma obra, contudo, deu tantos problemas quanto a Vila Pan-Americana.

Uma década depois, os cerca de 5 mil moradores do conjunto que serviu para hospedar os atletas ainda convivem com problemas no terreno que comporta 17 blocos de apartamentos. Ruas, cercas e calçadas afundaram, garagens estão interditadas e até mesmo o acesso a parte dos edifícios está comprometido.

"Venderam um sonho, mas compramos um pesadelo", resumiu o administrador Marcos Antônio de Souza, um dos atuais moradores da Vila Pan-Americana. Ele se mudou para o local em 2011, quando os problemas já começavam a se agravar. "Sabia que existiam, mas imaginava que seriam corrigidos". Lançada em 2005 pelo ex-prefeito do Rio César Maia (à época no PFL, hoje DEM), a Vila Pan-Americana foi um sucesso absoluto de vendas. Todos os 1.480 apartamentos foram vendidos no primeiro final de semana.

"Fazia uns 10 anos da falência da Encol (construtora que deixou mais de 40 mil pessoas sem receber seus imóveis pelo País) e o brasileiro tinha medo de comprar imóvel na planta. Como se tratava de uma vila de atletas, todos tinham certeza de que o projeto sairia", relembrou João Alexandre Gouvêa, um dos primeiros moradores do local e que hoje preside a Associação de Condomínios da Vila Pan-Americana (ACVPAN). O que os compradores não imaginavam é que a infraestrutura do terreno demandava obras que não foram plenamente executadas.

A Vila do Pan foi construída sob um terreno de turfa, um material de origem vegetal, que exige fundações bem mais profundas que outros tipos de terreno. O estaqueamento foi feito corretamente nos edifícios – erguidos pela construtora Agenco -, mas não teve o reforço adequado sob as ruas e calçadas, obras que seriam de responsabilidade da prefeitura. Com isso, o terreno cedeu, desnivelando vias, sumindo com calçadas, rebaixando colunas e portões. Pior: o movimento do solo afetou paredes e colunas de garagens que ficam no entorno dos edifícios.

Hoje, dos oito acessos aos condomínios, apenas três estão abertos, o que obriga as pessoas a entrarem por um condomínio para chegar a outro. As garagens precisaram ser redistribuídas – famílias que tinham vagas sobrando repassaram os espaços para outras cujas garagens foram interditadas. Os moradores também precisaram fazer obras para mudar tubulações de gás, fiação de redes de telefonia e de TV a cabo, que acabaram expostas com o movimento do solo. O mesmo aconteceu com parte da tubulação de esgoto, despejado sem tratamento no Arroio Fundo, que passa ao lado.

Obras
Para tentar corrigir os problemas, a prefeitura do Rio vinha fazendo obras desde 2011, já sob administração de Eduardo Paes (PMDB). Havia a previsão de gastos de até R$ 62 milhões e boa parte das reformas chegou a ser executada. No ano passado, porém, o trabalho foi interrompido. A atual administração carioca culpa o governo de Eduardo Paes pela interrupção das obras. "A antiga gestão deixou uma dívida de R$ 4 milhões de intervenções já realizadas no local, sem recursos em caixa para pagar.

Aprovado em 2016, o orçamento deixado este ano é de apenas R$ 100 mil para a área", informou em nota a Secretaria de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação. A pasta declarou ainda que, para a conclusão das obras, são necessários mais R$ 2 milhões – além da dívida de R$ 4 milhões, que passa por sindicância. Apesar disso, a secretaria informou que as reformas serão retomadas "nas próximas semanas".

Procurada pelo Estado, a Geologus, construtora que realizava as intervenções, não se posicionou. Por meio de sua assessoria, o deputado Pedro Paulo (PMDB), secretário de governo de Eduardo Paes, disse que "todas as obras realizadas pela antiga gestão foram pagas ou ficaram como restos a pagar" e que havia saldo em caixa.

Mais problemas
Não bastassem os problemas do terreno onde ficam os condomínios da Vila do Pan, uma promessa da época em que os apartamentos foram colocados à venda não foi cumprida: a construção de um centro esportivo no terreno ao lado, que é separado apenas pelo Arroio Fundo.

Quando o projeto da Vila do Pan foi apresentado, o material de divulgação anunciava que os moradores teriam "um espaço perfeito para reunir os amigos, ter aulas de tênis e outros esportes, além de relaxar após as atividades físicas num delicioso barzinho". O texto enumerava tudo o que seria construído: "1 campo de futebol, 2 quadras polivalentes, 2 quadras de vôlei de areia, 3 quadras de tênis, pista de corrida, churrasqueira, bar e vestiários".

A reportagem do Estado esteve no local na última terça-feira e encontrou apenas uma área com vegetação. "Por incrível que pareça, a estrutura esportiva da vila é zero", disse João Alexandre Gouvêa, que foi um dos primeiros moradores a chegar ao condomínio. "Por descompromisso das autoridades, especialmente da prefeitura, a gente deve ser a única Vila dos Atletas do mundo que não tem um único equipamento esportivo". Entre os edifícios, há pequenas áreas para recreação das crianças, além de piscinas destinadas aos moradores. Quando o conjunto de prédios foi lançado, porém, a promessa era de que a estrutura para lazer seria bem maior.

Pelo projeto original, duas pontes seriam construídas sobre o curso dágua do Arroio Fundo, ligando a Vila Pan-Americana aos equipamentos esportivos. O local não seria exclusivo dos moradores, sendo aberto à população em geral. A construção estava a cargo da prefeitura do Rio. "Todas as obras de infraestrutura no entorno da Vila – ruas, iluminação, canalização e tratamento das águas do canal do Arroio Fundo – são de responsabilidade do poder público", afirmava o material de apresentação da Vila dos Atletas. O Estado não conseguiu contato com o ex-prefeiro, Eduardo Paes. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Yuri Lopes

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Economia
14.10.2026
Prazo pra bancos devolverem R$ 1,3 bilhão de bets acaba nesta quarta-feira (14/10)

Brasília – Acaba nesta quarta-feira (14) o prazo para os bancos e as instituições financeiras devolverem cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas de apostadores após o encerramento das plataformas de apostas on-line, determinado pela Medida Provisória (MP) 1.394/2026, do governo federal. A restituição, que começou na última sexta-feira (9), deve beneficiar aproximadamente 26,5 […]

JUSTIÇA
14.10.2026
Órgão Especial elege Marcus Vinícius Ayres Barreto para desembargador do TJGO

A Redação Goiânia – O juiz Marcus Vinícius Ayres Barreto foi escolhido para assumir o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), pelo critério de antiguidade. O nome do magistrado, que atuava na 2ª Vara Cível da comarca de Catalão, foi referendado pelo Órgão Especial da Corte em sessão extraordinária […]

2º Meeting de Gestão
14.10.2026
OAB-GO abre nova turma da Incubadora, lança Escola de Negócios e sela convênio nacional com o Sebrae

A Redação  Goiânia – A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) abriu, na manhã desta quarta-feira (14/10), em sua sede, o 2º Meeting de Gestão de Escritórios de Advocacia. Mais que um ciclo de palestras, a abertura do evento marcou um novo capítulo para o empreendedorismo advocatício em Goiás. A programação reuniu […]

levantamento
14.10.2026
Goiás registra 4,9 mil casamentos homoafetivos em dez anos

A Redação Goiânia – A oficialização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pode ser feita diretamente em um Cartório de Registro Civil, sem necessidade de autorização judicial. O procedimento segue as etapas previstas para a habilitação do casamento, com apresentação de documentos, participação de testemunhas e análise do registrador. A possibilidade é assegurada nacionalmente […]

Aventura
14.10.2026
Região do Rio Corumbá recebe 1º Rally Raça Forte Ford

A Redação  Goiânia –  A Região de Corumbá de Goiás recebe o “1º Rally Raça Forte Ford” neste sábado (17/10), reunindo proprietários da marca americana em uma experiência de aventura, convivência e contato com as paisagens do Cerrado goiano. A prova de regularidade com a chancela da Federação Goiana de Automobilismo (FGA) permitirá o uso de todos […]

Oportunidade
14.10.2026
Inscrições do Concurso da Educação de Aparecida de Goiânia começam dia 9 de novembro

A Redação Goiânia – Começam no dia 9 de novembro e seguem até 9 de dezembro de 2026 as inscrições para o concurso público da Educação de Aparecida de Goiânia. O certame oferece 2.956 vagas para provimento e 14.780 oportunidades em cadastro de reserva, distribuídas entre quatro áreas da Educação. O edital foi publicado em […]

LUTO
14.10.2026
Antônio Naves de Rezende morre aos 96 anos em Porangatu

Jales Naves Especial para o jornal A Redação Goiânia – Faleceu na cidade de Porangatu, GO, onde residia desde 1955, e seu corpo foi sepultado nesta terça-feira, dia 13, no Cemitério Municipal, o mineiro de Nova Ponte, Antônio Naves de Rezende, 96 anos, motorista de caminhão, aposentado, e que integrava a nona geração da família no […]

Goiânia
14.10.2026
Laudo da Polícia Científica respalda manejo de gameleiras na Praça da Cirrose

A Redação Goiânia – Laudo da Polícia Científica de Goiás reconhece o respaldo técnico das intervenções nas gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Peclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste. O documento registra que a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) autorizou intervenções nos quatro exemplares avaliados em razão de riscos estruturais, com […]