Logo

Tribunal derruba sentença de Moro e livra Vaccari de 15 anos de prisão

WhatsAppFacebookLinkedInX
28.06.2017 - 08:25:29

Brasília – O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) derrubou uma sentença do juiz federal Sérgio Moro e absolveu o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto de 15 anos e 4 meses de prisão. O petista era acusado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Em nota, o Tribunal informou que os desembargadores entenderam que as provas contra Vaccari são "insuficientes" e se basearam "apenas em delações premiadas".

A denúncia acusava Vaccari de ter intermediado para o PT "ao menos R$ 4,26 milhões de propinas acertadas com a Diretoria de Serviços e Engenharia da Petrobras pelo contrato do Consórcio Interpar". Na mesma decisão, a 8ª Turma aumentou a pena do ex-diretor de serviços da Petrobras Renato de Souza Duque em 23 anos, manteve a pena do empresário Adir Assad, e diminuiu a pena de Sônia Mariza Branco e Dario Teixeira Alves Júnior.

O TRF4 mantém jurisdição no Paraná, base da Operação Lava Jato. Todos os atos do juiz Sérgio Moro são submetidos ao crivo da 8.ª Turma da Corte federal, composta por três desembargadores. Mesmo após o julgamento das apelações, os réus ainda podem recorrer na própria corte questionando a decisão da Turma.

O ex-tesoureiro do PT está preso desde abril de 2015. A sentença de 15 anos e 4 meses era a primeira e a mais alta de Vaccari na Lava Jato. O ex-tesoureiro do PT foi condenado em outros quatro processos e pegou as penas de 9 anos (maio de 2016), de 6 anos e 8 meses (setembro de 2016), de 10 anos (fevereiro de 2017) e de 4 anos e 6 meses (junho de 2017).

Julgamento
A 8ª Turma retomou nesta terça o julgamento dessa ação, que havia tido pedido de vista do desembargador federal Victor Luiz dos Santos Laus, em sessão em 6 de junho. O desembargador Laus acompanhou o desembargador Leandro Paulsen, que já havia proferido voto na sessão do início do mês. Conforme Paulsen, o material probatório é insuficiente.

"A existência exclusiva de depoimentos prestados por colaboradores não é capaz de subsidiar a condenação de 15 anos de reclusão proferida em primeiro grau de jurisdição, uma vez que a Lei 12.850/13 reclama, para tanto, a existência de provas materiais de corroboração que, no caso concreto, existem quanto aos demais réus, mas não quanto a João Vaccari."

Laus, da mesma forma, entendeu que as colaborações não são suficientes para condenar o ex-tesoureiro. "Para mim, a prova ficou insuficiente. No âmbito desta ação penal, faltou a corroboração da palavra dos colaboradores", avaliou Laus.

O relator dos processos da Lava Jato no Tribunal, desembargador federal João Pedro Gebran Neto, ficou vencido. Gebran Neto entendia pela suficiência de provas, representada pelas múltiplas colaborações judicializadas. Quanto ao réu Renato Duque, foi dado provimento ao apelo do Ministério Público Federal e a pena passou de 20 anos e 8 meses para 43 anos e 9 meses de reclusão.

A turma aplicou o concurso material nos crimes de corrupção em vez de continuidade delitiva. No concurso material, os crimes de mesma natureza deixam de ser considerados como um só e passam a ser somados. Duque também foi condenado pelos crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa.

Os demais réus tiveram as condenações por corrupção, lavagem de dinheiro e associação criminosa mantidas pelo tribunal. Assad seguiu com a pena de 9 anos e 10 meses de reclusão. Já Sônia Mariza Branco e Dario Teixeira Alves Júnior tiveram os recursos parcialmente providos e a pena de 9 anos e 10 meses baixada para 6 anos e 9 meses de reclusão.

Defesa de Vaccari
Em nota pública, o criminalista Luiz Flávio Borges D'Urso, que defende Vaccari, avaliou que a "Justiça foi realizada, porquanto a acusação e a sentença recorrida basearam-se, exclusivamente, em palavra de delator, sem que houvesse nos autos, qualquer prova que pudesse corroborar tal delação". Segundo D'Urso, a Lei nº 12.850/13 é expressa, quando estabelece, no parágrafo 16 do seu art. 4º, que "nenhuma sentença condenatória será proferida com fundamento apenas nas declarações de agente colaborador".

"Vale dizer, a lei proíbe condenação baseada, exclusivamente, em delação premiada, sem que existam provas a confirmar tal delação e foi isto que havia ocorrido neste processo", destacou.

"Felizmente, o julgamento realizado pela 8ª Turma do TRF-4, ao reformar a sentença de 1ª instância, pelos votos dos Desembargadores Federais, Dr. Leandro Paulsen e Dr. Victor Laus, restabeleceu a vigência da lei, que agora foi aplicada a este caso concreto. O Sr. Vaccari, por sua defesa, reitera que continua a confiar na Justiça brasileira." (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
Economia
14.10.2026
Prazo pra bancos devolverem R$ 1,3 bilhão de bets acaba nesta quarta-feira (14/10)

Brasília – Acaba nesta quarta-feira (14) o prazo para os bancos e as instituições financeiras devolverem cerca de R$ 1,325 bilhão que permaneceu nas contas de apostadores após o encerramento das plataformas de apostas on-line, determinado pela Medida Provisória (MP) 1.394/2026, do governo federal. A restituição, que começou na última sexta-feira (9), deve beneficiar aproximadamente 26,5 […]

JUSTIÇA
14.10.2026
Órgão Especial elege Marcus Vinícius Ayres Barreto para desembargador do TJGO

A Redação Goiânia – O juiz Marcus Vinícius Ayres Barreto foi escolhido para assumir o cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), pelo critério de antiguidade. O nome do magistrado, que atuava na 2ª Vara Cível da comarca de Catalão, foi referendado pelo Órgão Especial da Corte em sessão extraordinária […]

2º Meeting de Gestão
14.10.2026
OAB-GO abre nova turma da Incubadora, lança Escola de Negócios e sela convênio nacional com o Sebrae

A Redação  Goiânia – A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) abriu, na manhã desta quarta-feira (14/10), em sua sede, o 2º Meeting de Gestão de Escritórios de Advocacia. Mais que um ciclo de palestras, a abertura do evento marcou um novo capítulo para o empreendedorismo advocatício em Goiás. A programação reuniu […]

levantamento
14.10.2026
Goiás registra 4,9 mil casamentos homoafetivos em dez anos

A Redação Goiânia – A oficialização do casamento entre pessoas do mesmo sexo pode ser feita diretamente em um Cartório de Registro Civil, sem necessidade de autorização judicial. O procedimento segue as etapas previstas para a habilitação do casamento, com apresentação de documentos, participação de testemunhas e análise do registrador. A possibilidade é assegurada nacionalmente […]

Aventura
14.10.2026
Região do Rio Corumbá 1º Rally Raça Forte Ford

A Redação  Goiânia –  A Região de Corumbá de Goiás recebe o “1º Rally Raça Forte Ford” neste sábado (17/10), reunindo proprietários da marca americana em uma experiência de aventura, convivência e contato com as paisagens do Cerrado goiano. A prova de regularidade com a chancela da Federação Goiana de Automobilismo (FGA) permitirá o uso de todos […]

Oportunidade
14.10.2026
Inscrições do Concurso da Educação de Aparecida de Goiânia começam dia 9 de novembro

A Redação Goiânia – Começam no dia 9 de novembro e seguem até 9 de dezembro de 2026 as inscrições para o concurso público da Educação de Aparecida de Goiânia. O certame oferece 2.956 vagas para provimento e 14.780 oportunidades em cadastro de reserva, distribuídas entre quatro áreas da Educação. O edital foi publicado em […]

LUTO
14.10.2026
Antônio Naves de Rezende morre aos 96 anos em Porangatu

Jales Naves Especial para o jornal A Redação Goiânia – Faleceu na cidade de Porangatu, GO, onde residia desde 1955, e seu corpo foi sepultado nesta terça-feira, dia 13, no Cemitério Municipal, o mineiro de Nova Ponte, Antônio Naves de Rezende, 96 anos, motorista de caminhão, aposentado, e que integrava a nona geração da família no […]

Goiânia
14.10.2026
Laudo da Polícia Científica respalda manejo de gameleiras na Praça da Cirrose

A Redação Goiânia – Laudo da Polícia Científica de Goiás reconhece o respaldo técnico das intervenções nas gameleiras da Praça Mestre Maria Henriqueta Peclat, conhecida como Praça da Cirrose, no Setor Oeste. O documento registra que a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma) autorizou intervenções nos quatro exemplares avaliados em razão de riscos estruturais, com […]