Um estudo do Núcleo de Estudos Sobre Criminalidade e Violência da Universidade Federal de Goiás (Necrivi-UFG), divulgado no primeiro semestre deste ano, aponta mais de 350 pessoas em situação de rua na capital, sendo que quase metade desse total vive na região central. Ainda segundo o levantamento, mais de 60 moradores de rua foram mortos nos últimos três anos apenas na capital goiana. Desentendimentos envolvendo uso de droga estão entre as principais motivações dos crimes com mortes.

Rua 3, no Centro, perto da alça de acesso à Marginal Botafogo (Foto: A Redação)
L.M.P, de 23 anos, contou à reportagem que por diversas vezes foi testemunha de assaltos feitos por pessoas nessas condições. “É impossível andar no centro durante a noite e não ver usuários de drogas”, lamenta. “Muitos acabam roubando para manter o vício”, disse.
A servidora pública A.P.A., de 31 anos, foi outra vítima na região do centro, perto da Praça Cívica. Em plena luz do dia, teve o vidro o carro estourado por jovens moradores de rua. "Quando eu cheguei, meu carro tinha sido arrombado e uma mochila que estava no banco tinha sido levada. Perdi um tablet e alguns documentos importantes", lembra. "Perguntei para as pessoas que estavam perto e um homem que vendia picolé me informou que viu quando dois meninos de rua quebraram o vidro e saíram comemorando. É revoltante".

(Foto: A Redação)
Trabalho social
Com o objetivo de resgatar crianças que estão desabrigadas e cada vez mais expostas ao mundo das drogas, o município conta com o Complexo 24 Horas. Trata-se de uma casa de passagem que atende crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e social ou com vínculos familiares fragilizados ou rompidos.
A Semas também informou que a prefeitura conta com o Serviço Especializado de Abordagem Social (SEAS), que é ofertado de forma continuada e programada, com a finalidade de assegurar trabalho social de abordagem e busca ativa que identifique nos territórios a incidência de trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, situação de rua, entre outras.
Segurança
Além do trabalho social, há casos que pedem a intervenção da polícia, já que em muitas situações os cidadãos de bens se tornam vítimas de usuários de drogas em busca de formas fáceis de alimentar o vício.
A reportagem entrou em contato com a Polícia Militar de Goiás (PM) para saber qual ação tem sido feita nesse sentido e também para saber o número de ocorrências provocadas por pessoas em situação de rua. No entanto, em razão do ponto facultativo no Estado, a comunicação da PM não está em atividade nesta sexta-feira (30/12). As solicitações foram enviadas ao tenente-coronel Ricardo Mendes, conforme combinado por telefone. Assim que a reportagem receber o retorno, o material será acrescentado à matéria.