São Paulo – O dólar fechou em leve alta frente ao real nesta quarta-feira, (28/12), acompanhando o movimento do câmbio no exterior. Lá fora, as expectativas em torno do governo de Donald Trump nos Estados Unidos continuaram a alimentar o avanço ante divisas de economias desenvolvidas.
O Dollar Index, por exemplo, subiu durante a tarde à máxima de 103,630 pontos (+0,59%). Por aqui, as atenções dos investidores se concentraram no veto do governo sobre trechos do projeto de lei que prevê a renegociação das dívidas dos Estados com a União.
Ainda que bem visto por parte do mercado, o posicionamento do Planalto teve efeito contido nas cotações. No mercado à vista, o dólar encerrou em alta de 0,05%, aos R$ 3,2775, tendo variado entre a máxima de R$ 3,2924 (+0,51%) e a mínima de R$ 3,2694 (-0,20%). De acordo com dados da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 1,461 bilhão. Já o dólar futuro para janeiro encerrou com elevação de 0,31%, aos R$ 3,2850, com giro de US$ 8,645 bilhões.
Em mais um dia de agenda econômica esvaziada, a novidade da sessão veio de Brasília. O governo de Michel Temer decidiu vetar a proposta de regime de recuperação fiscal dos Estados e do Distrito Federal, que estava incluído no projeto de lei que prevê a renegociação das dívidas.
Devido ao trecho agora derrubado, o texto era visto como vantajoso demais para os governadores, que receberiam muitos benefícios e fariam poucos sacrifícios para a União. No exterior, a valorização do dólar continuou a acompanhar as expectativas de que o governo do presidente eleito dos EUA, Donald Trump, estimulará o crescimento econômico com gastos públicos. Especialistas lembraram que, em 2016, o Dollar Index acumula alta superior a 4,5%, sendo que todo o avanço veio após as eleições norte-americanas, no começo de novembro.
Bovespa fecha o dia em alta de 1,85%
A Bovespa teve um pregão marcado pelo baixo volume de negócios, mas encontrou espaço para a alta das ações. A bolsa brasileira avançou durante todo o dia e fechou com ganho de 1,85%, aos 59.781,63 pontos.
O volume de negócios, de R$ 4,25 bilhões, correspondeu à metade da média diária de dezembro. A principal notícia do dia foi o anúncio de que o presidente Michel Temer vetará parte do projeto que trata dos débitos estaduais com a União, no que se refere à recuperação fiscal.
O texto foi aprovado na semana passada pela Câmara, sem prever necessidade de contrapartidas por parte dos Estados devedores. Conforme o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse ao Broadcast Político, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, o projeto foi desconfigurado em sua passagem pela Câmara e da forma como ficou não é coerente ao ajuste fiscal que está sendo implementado pelo governo.
Temer enviará um novo projeto de lei no início da próxima legislatura para o tema. A decisão do presidente foi tomada ontem após reunião de emergência com a equipe econômica e com Padilha. O clima mais benéfico no cenário interno foi reforçado na bolsa por fatores externos que contribuíram para as ordens de compra. A alta do dia foi puxada principalmente por "blue chips" de setores ligados a commodities, especialmente Vale e Petrobras, cujos ganhos superaram os 2%.
No caso da mineradora, as ordens de compra foram incentivadas pela alta de 1,1% do preço do minério de ferro no mercado à vista chinês e pela firme valorização de mineradoras internacionais, como BHP e Rio Tinto. Ao final do pregão, Vale ON teve ganho de 3,17%, enquanto Vale PNA avançou 3,03%.
As ações da Petrobras, por sua vez, enfrentaram volatilidade pela manhã, gerada pelas oscilações dos preços do petróleo, mas firmarem alta à tarde. Petrobras ON e PN avançaram 1,74% e 2,57%, respectivamente. As ações de bancos pegaram carona na melhora do humor do investidor e também subiram significativamente. Entre os destaques estiveram Santander Brasil Unit (+5,27%), Bradesco PN (+3,59%) e Itaú Unibanco PN (+2,35%).
(Agência Estado)