Kamylla Rodrigues e João Unes
Goiânia – Em entrevista exclusiva ao Jornal A Redação, o deputado federal licenciado Thiago Peixoto revelou os motivos pelos quais deixa a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação (SED). O anúncio foi feito nesta sexta-feira (8/7), mas ele se desligará oficialmente a partir da próxima segunda-feira (10/07). O deputado negou rompimento com o governo do Estado e citou como principal motivação da decisão a retomada das atividades na Câmara federal frente ao atual cenário político brasileiro.
“O homem é ele e suas circunstâncias”, disse, ao dar início à justificava sobre a decisão. “Quando eu assumi a secretaria eu sabia que aquele era o momento que eu tinha condições de fazer um trabalho positivo para o governo. A circunstância mudou. O cenário agora está voltado para o Congresso Nacional, que vai definir o futuro do País. Então, ter um mandato e não estar lá, como agente político, não faz sentido”, afirmou.
A ideia de retomar a cadeira na Câmara já havia sido cogitada em abril, quando ele voltou a Brasília para votar no processo de impeachment de Dilma Rousseff. “Eu fiz uma análise para voltar, mas na época o governador acabou me convencendo de que era melhor eu permanecer na SED. Eu voltei, mas com os olhos voltados para a Câmara”. Dessa vez, em uma nova conversa com o governador do Estado, Thiago obteve apoio. “Ele entendeu e disse que essa opção não ia mudar em nada a nossa relação, contato, amizade e história que construímos juntos e que vamos continuar mantendo”, disse.
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O secretário garantiu que a saída do comando da SED é definitiva. “O que estava me incomodando era voltar para a Câmara de tempos em tempos para decisões importantes. Com essa série de acontecimentos, a minha frequência no Congresso seria muito grande e isso faria com que eu perdesse um pouco da rotina frente à pasta, o que não seria positivo para a secretaria e para o Estado. Tenho ainda dois anos e meio de mandato e estou muito entusiasmado e motivado a cumprir esse papel. Quem não gostaria de ter a chance de contribuir para a construção a nova forma de fazer política?”, justificou.
Mesmo com um possível convite de Marconi Perillo, Thiago não deve voltar ao governo na atual gestão e revela que isso não significa rompimento.
O secretário não negou que houve embates internos no próprio governo, mas garantiu que não motivaram a decisão. “Eu diria que eu saio do governo no seu melhor cenário, no ponto de vista de recuperação financeira. Nunca tive dificuldades com minha equipe ou secretários. É natural que você tenha desencontro de opiniões e isso é até saudável, mas o problema não é o governo, sou eu”, explicou.
Pelo PSD, Thiago já havia conseguido uma vaga na Comissão de Constituição e Justiça, espaço que será retomado.
Nomes para a presidência da Câmara e para a SED
O secretário Thiago Peixoto citou ao AR dois deputados que poderiam pleitear a liderança da Câmara, após a renúncia de Eduardo Cunha. “O goiano Jovair Arantes, que hoje tem articulação e tem força política, e Rogério Rosso, meu amigo pessoal e líder do PSD, que está como favorito nessa disputa. Temos boa relação com os dois e isso pode ajudar muito no mandato”, afirmou.
Já para assumir a secretaria, Thiago preferiu não arriscar nomes. “São escolhas pessoais do governador, já que o secretariado foi reduzido. Então, você não tem cota de partido nem indicação de ninguém. Acredito que o Marconi vai manter esse critério de confiança e proximidade para escolher o novo titular da pasta”.
Programas
À frente da Secretaria de Gestão e Planejamento (Segplan) no atual mandato, Thiago encabeçou dois programas do governo: Goiás Mais Competitivo e o Consórcio Brasil Central, os quais o deputado pretende continuar acompanhando “Essas duas missões que assumi em janeiro de 2015 estão entregues e encaminhadas. A relação com o Goiás Mais competitivo, do ponto de vista de ação, acaba aqui, já que é um projeto do governo, mas estarei sempre à disposição para ajudar e cooperar no que for possível. Com relação ao Brasil Central vou continuar atuando, porque nós criamos a Frente Parlamentar do Brasil Central e agora queremos colocar em prática no Congresso. Essa frente vai dar respaldo político às ações do consórcio”, explicou.
Dilma e Temer
Sobre o processo de impeachment de Dilma, que corre no Congresso, para Thiago Peixoto é questão de tempo para que Temer assuma definitivamente a presidência do País. “Por mais que existam críticas pertinentes ao Michel Temer, é muito pior a volta de Dilma. Ele, hoje, é a melhor alternativa que nós temos. A partir do momento que se consolidar como presidente, ele terá condições de tomar inciativas que hoje ele tem dificuldade de fazer como interino. Temer tem uma equipe muito boa e que pode aliviar esse cenário econômico e nos tirar da crise”, opinou.
O deputado afirmou que o País precisou passar por um momento de desconforto para mudar para melhor. “Isso envolve medidas que afetam a área econômica, previdenciária e, sobretudo, política. Se a gente não tomar o remédio amargo, não vamos ser curados. É importante que a sociedade desenvolva essa consciência. Nós devemos passar por momentos difíceis e continuar seguindo em frente. Parar não vai resolver a situação”, finalizou.