Sarah Mohn
Goiânia – Prestes a se tornar correligionário do próximo presidente da República, o deputado federal Daniel Viela (PMDB) disse ao jornal A Redação que tem visto "alguns erros" nas escolhas de Michel Temer (PMDB) para o comando de ministérios no novo governo federal. O deputado goiano considera que Temer teria optado por apostar na formação de maioria política dentro Congresso Nacional com vistas a aprovar reformas em regime de urgência.
"Acho que está tendo alguns erros nas escolhas. Não falo em relação aos nomes, mas acho que construir um governo apenas por questões partidárias é algo que já está julgado e criminalizado pela sociedade. Acho que o Michel aposta em uma formação de maioria política para aprovar as medidas que a sociedade está esperando. Como algumas reformas", analisa.
Para o deputado, atender "questões partidárias" para formular uma nova equipe de governo não seria o melhor caminho. "O governo é muito grande, não é formado só por ministros. Existem o segundo e terceiro escalões. Ele (Michel Temer) poderia fazer uma composição política, essa é a minha opinião."
Em entrevista ao AR, Daniel Vilela fez também um balanço dos três meses à frente do Diretório Estadual do PMDB e afirmou que o partido vai lançar cerca de 150 candidatos a prefeito no interior. Declarou não ter dúvidas de que o ex-prefeito Iris Rezende confirmará candidatura ao Paço Municipal e criticou a gestão de Paulo Garcia (PT).
"Goiânia não vive seus melhores dias. O prefeito Paulo Garcia, infelizmente, não esteve à altura das expectativas de quando foi eleito na última eleição. Acho que por falta de uma equipe que tenha mais conhecimento, mais preparo de gestão, ele acabou levando a cidade a essa situação. Infelizmente, a gestão está bem aquém do que a sociedade merece."
(Foto: Leticia Coqueiro/A Redação)
Confira a entrevista completa:
A Redação: Quais as consequências para a sociedade brasileira desse momento político que o país vive?
Daniel Vilela: Todo dia é uma nova emoção. É um momento atípico, histórico, mas não necessariamente positivo. Acho que ninguém gostaria de estar vivendo esta situação. Mas o impeachment se tornou inevitável e necessário para o país. O governo perdeu toda condição política de tomar as decisões que deveriam ser tomadas.
AR: O senhor concorda com o afastamento de seu colega, o deputado Eduardo Cunha (PMDB), do cargo e da presidência da Câmara dos Deputados?
Não tem o que se questionar uma decisão por unanimidade do STF. Não é só uma questão de concordar ou não, são eles os responsáveis por promover o bom direito. Isso não cabe questionar. Agora, isso tudo traz mais problemas para o Brasil, nós estamos em uma instabilidade muito grande. É preciso resolver isso pra gente começar a pensar em ir para frente e tomar as medidas necessárias. E a expectativa em cima do Michel (Temer) é muito grande. Acho que ele não pode errar.
AR: E Michel Temer estaria fazendo uma boa escolha em relação às possíveis nomeações para os ministérios, que está sendo noticiada pela imprensa nacional?
É uma coisa complicada, porque a cada dia está mudando. Acho que está tendo alguns erros nas escolhas. Não falo em relação aos nomes, mas acho que construir um governo apenas por questões partidárias é algo que já está julgado e criminalizado pela sociedade. Acho que o Michel aposta em uma formação de maioria política, em um Congresso muito forte, para aprovar as medidas que seriam de acordo com o que a sociedade está esperando. Como algumas reformas, propostas previdenciárias e trabalhistas.
(Foto: Leticia Coqueiro/A Redação)
AR: Sem atender essas “questões partidárias” ele teria viabilidade dentro do Congresso?
É muito fácil para quem não está na pele dele falar, mas é o que a sociedade espera. Ele tem o capital político que possibilitaria fazer um bom governo, por dois motivos. Primeiro, ele tem credibilidade junto ao Congresso. Segundo, porque você colocando notáveis, reduzindo ministérios, era muito difícil para aqueles que são mais fisiológicos no Congresso fazerem embates. O governo é muito grande, não é formado só por ministros, existem o segundo e terceiro escalões. Ele poderia fazer uma composição política, essa é a minha opinião. Acho que ele optou por uma outra estratégia, ele optou por fazer uma outra composição política já de cara, mandar as medidas que eles acham necessárias e aprovar essas medidas. É um risco, porque nada garante que medidas polêmicas serão aprovadas com facilidade e com rapidez. Ninguém sabe também se ele terá condição de formular essas propostas rapidamente.
AR: O senhor acredita que o tempo em que Michel Temer deve ficar na presidência da República será suficiente para melhorar a economia do país?
Os resultados não virão em seis meses. Mas acho que é uma sinalização de que as medidas precisam ser feitas. O Michel, além de tomar as medidas em relação à economia, atende as questões sociais para tentar recuperar a curva ascendente, por exemplo, com a geração de emprego. É um momento onde a política está sendo questionada e é o momento dele de mostrar uma prática de política diferente e mais atualizada com o que a sociedade está reivindicando. E de não continuar com a mesma ação política que é mantida no poder pelo Executivo e pelo Congresso.
AR: Em relação ao Diretório Estadual do PMDB, quais propostas avançaram nesses três meses à frente da presidência?
Estou bastante otimista e satisfeito com esses três meses, mas ainda há muita coisa para ser feita. Nós pegamos o partido com menos de um mês para se encerrarem as filiações e ainda conseguimos trazer muita gente para o partido em todos os municípios. Hoje, a gente tem a possibilidade de ter mais de 150 candidatos a prefeito. O PMDB tem uma tradição de eleger o maior número de prefeitos e as perspectivas são positivas. No campo da gestão, o partido já está usando as ferramentas tecnológicas para interagir entre seus filiados e líderes e utilizando também as redes sociais para divulgar e propagar os trabalhos. Nós estamos fazendo também uma gestão de profissionalização dentro do partido e criando um software para atender as demandas internas dos filiados e dos diretórios municipais.
(Foto: Leticia Coqueiro/A Redação)
AR: O PMDB trabalha para lançar 150 candidatos a prefeitos em Goiás?
Nós temos hoje 200 diretórios constituídos. Nenhum partido tem a metade disso. O PSDB não tem 100, tudo é comissão provisória. Além dos 200 diretórios, temos mais de 20 comissões provisórias. Vamos trabalhar para cerca de 150 candidatos do PMDB e pelo menos outros 60 do DEM, do Solidariedade e dos partidos aliados.
AR: As pré-campanhas do PMDB no interior esfriaram?
Não é que elas esfriaram. Esse ano acho que retardou um pouco o trabalho dos candidatos. A população, de uma forma geral, fica muito distante das eleições na pré-campanha e se envolve só nos últimos dias. A conjuntura política do país retardou um pouco o trabalho dos candidatos, mas isso não foi ruim, ainda está em tempo. Agora, o que é atípico nessas eleições é que estamos sobre uma nova legislação, que nunca foi testada. Nós teremos que passar por ela para saber se é positiva para a democracia ou não.
AR: Iris Rezende será o candidato do PMDB em Goiânia?
Acredito que sim. Ele está usando a experiência e sabe que a situação dele é confortável. Ele sabe que em um momento como esse não adianta ficar se expondo. Ele está se resguardando e vai se manifestar na hora que achar adequada. Vejo pelas pesquisas que ele tem o perfil que a população quer, que é de uma administração que não vai errar. As pessoas não querem arriscar, querem ter a segurança de que vão fazer a escolha certa. Não vejo os atuais postulantes a prefeito com perfil ideal para contrapor com veemência o de Iris Rezende.
AR: Como avalia a gestão do prefeito Paulo Garcia (PT) na capital?
Em relação à infraestrutura, Goiânia não vive seus melhores dias. A gente vê que a cidade não tem, por exemplo, a mesma limpeza urbana que já teve, não tem um paisagismo tão marcante. O prefeito Paulo Garcia, infelizmente, não esteve à altura das expectativas de quando foi eleito na última eleição, até porque sucedia um prefeito que atendia as expectativas. Acho que por falta de uma equipe que tenha mais conhecimento, mais preparo de gestão, ele acabou levando a cidade a essa situação. Infelizmente, a gestão está bem aquém do que a sociedade merece.
(Foto: Leticia Coqueiro/A Redação)
AR: Em quase um ano e meio como deputado federal, o senhor considera satisfatória sua atuação na Câmara?
Tivemos entre 30 a 40 projetos apresentados. Eu fui o deputado federal que apresentou mais propostas. Você vai ver que não temos nenhum projeto fútil, mas na Câmara não é fácil aprovar um projeto, é tudo demorado. Eu consegui aprovar um projeto que é a inclusão de três municípios goianos na Rede Integrada de Desenvolvimento do Entorno, que são Barro Alto, Goianésia e Vila Propício.
AR: Um projeto polêmico que o senhor apresentou tenta regularizar o trabalho de Home Office no serviço público. Há resistência à matéria?
O projeto de lei do Home Oficce é um dos mais queridos pela minha equipe. A gente tem várias carreiras na administração pública que conseguem aumentar a produtividade trabalhando via Home Oficce. Isso já está comprovado na iniciativa privada e também em alguns órgãos públicos. É uma alternativa moderna, eficaz, que gera economia para o Estado, traz qualidade de vida para o servidor, além de uma série de benefícios.
AR: Antes de romper aliança com o PT, o senhor apresentou o projeto para criação das universidades federais em Jataí e Catalão, que acabou sendo autorizado agora pela presidente Dilma Rousseff.
Meu pai tinha apresentado o projeto quando era senador e tinha aprovado, mas foi vetado pelo ex-presidente Lula. Na época foi vetado, mas hoje foi assinado pela presidente Dilma. Eu me sinto de certa forma contemplado, porque também apresentei o projeto. Tem outros projetos que também são interessantes como o que trata do fim das concessões para operadoras de telefonia móvel. Essa é uma discussão que está atual. A gente está trabalhando para que o projeto ganhe celeridade. Esse ano eu também me tornei presidente da Comissão Mista de Mudanças Climáticas e temos um projeto de financiamento de usinas micro-geradoras de energia solar, é um tema que eu participo. Vamos ter debates interessantes este ano na comissão.
AR: Ser governador de Goiás é um sonho?
É… Mas falar disso não é oportuno nesse momento. Eu estou focado em ajudar o meu partido a eleger o maior número de prefeitos e a se fortalecer. 2018 está longe, isso é bastante falando na classe política, mas eu estou muito focado nas eleições municipais. Eu estou feliz como deputado federal. Por mais que a Câmara tenha uma visão muito ruim por parte da sociedade, ela te da condição de trabalhar. Agora, a alternância de poder é salutar. Nós vamos para 20 anos com o mesmo grupo político administrando o Estado. Temos que aguardar 2018 e apresentar uma proposta consistente. Esse é o papel que temos que fazer após as eleições municipais deste ano.