Brasília – O clima no Palácio do Planalto é muito ruim. Segundo fontes ouvidas pelo Estado, o governo já considera que será derrotado na Câmara e considera o resultado irreversível. O baixo nível de ausências (somente dois dos 513 deputados não compareceram) foi a principal surpresa negativa do Planalto que contava com essa estratégia para evitar a aprovação do impeachment em plenário.
O ministro José Eduardo Cardozo deve falar em nome do governo após a votação. A presidente Dilma Rousseff deve divulgar nota na qual se mostrará disposta a manter o seu mandato, contando com a rejeição do impeachment pelo Senado.
Pouco depois de o "sim" ao impeachment da presidente Dilma Roussef passar dos 200 votos favoráveis, o vice-líder do governo, Orlando Silva (PC do B-SP), procurou os jornalistas que acompanham a votação na Câmara para anunciar que, numericamente, seria difícil reverter a votação sobre a abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff. "Este resultado sinaliza que a oposição vencerá. PP, PR e PMDB do Paraná não cumpriram a palavra. Dificilmente haverá reversão", disse Silva.
Ao ser informado do comentário de Orlando, outro vice- líder, deputado Silvio Costa (PT do B -PE), se irritou e disse que o colega estava errado e não sabia fazer contas. "Nós estamos no jogo, sim. Se o deputado Orlando admite a derrota, ele não sabe fazer contas", disse, aos gritos.
Desânimo
Com pouco mais da metade dos votos declarados na sessão que decide sobre a autorização do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, governistas em plenário já demonstram desânimo. Em número menor, aqueles que estão declaradamente ao lado da presidente agora estão sentados e em silêncio. A cena contrasta com a efusão do grupo pró¬ impeachment.
Alguns deputados mais animados, como Paulo Pimenta (PT-RS) e Maria do Rosário (PT-RS), que acompanhavam os votantes em pé e próximo ao único microfone usado para declarar o voto, também já demonstram menos entusiasmo. São poucos os que usam alegorias em cor vermelha, sinalizando apoio à presidente, e reagem apenas com poucas palmas aos votos contrários ao impeachment.
Os votos do Estado de Goiás, do Distrito Federal e São Paulo abriram vantagem para os pró impeachment, estagnando os votos do governo na casa dos 50, o que fez com que os governistas ficassem em silêncio. Entretanto, os deputados da região Nordeste ainda não haviam começado a votar. O governistas esperam alcançar mais votos com a apuração de Ceará e Bahia.
Já enfrentando algumas traições, alguns deputados que representam o governo estão receosos se será possível alcançar os 172 votos para barrar o impeachment. Outra desvantagem é no número de ausentes. O governo contava com pelo menos 20 ausentes, o que favoreceria a ala contra o afastamento da presidente. No momento, entretanto, apenas 2 deputados constam como ausentes no plenário. (Agência Estado)