José Cácio Júnior
Atualizada às 18h44
Intengrantes da cúpula do PSDB e do alto escalão do governo estadual não desistiram de convencer o senador Demóstenes Torres (DEM) de disputar a eleição para prefeitura de Goiânia pela base estadual. A insistência no nome do senador é uma demonstração de que integrantes da base governista estão insatisfeitos com o desempenho dos pré-candidatos Leonardo Vilela e Fábio Sousa. Outro sinal da importância da candidatura de Demóstenes para a coalização estadual é uma reunião que deve ocorrer, em breve, entre o governador Marconi Perillo (PSDB) e o senador, para discutir o caso.
Além das reclamações veladas da cúpula do PSDB, a articulação do ex-prefeito de Goiânia Nion Albernaz (PSDB) demonstra a inclinação do partido para a candidatura de Demóstenes. Nion foi designado por Marconi para ouvir os presidentes dos partidos base aliada sobre os candidatos tucanos. De acordo com o ex-prefeito, dos partidos grandes, só falta se reunir com o DEM. “Estamos aguardando a agenda do governador”, informou.
A presença de Marconi na reunião do DEM mostra a importância do pedido e o quanto o PSDB confia em Demóstenes para retomar o comando da capital. A escolha de Demóstenes, cotado para ser o candidato da base aliada desde quando foi reeleito senador, em outubro de 2010, mostra que o senador é peça chave para derrotar Paulo Garcia. As conversas mostram que o Palácio das Esmeraldas não compactua com o lançamento de outras candidaturas, como a do deputado federal Jovair Arantes (PTB).
Presidente regional do PSDB, Paulo de Jesus contesta a tese de que o partido não vê com bons olhos o trabalho de seus pré-candidatos. “Quem fala isso quer fazer barulho. Trabalhamos com a base inteira e temos juízo. Respeitamos outros nomes da base, mas o PSDB apoia seus pré-candidatos”. Paulo também minimiza a importância da reunião do governador com Demóstenes. “O governador vai se informando de tudo e só entrará se ver que estamos fazendo algo errado. De uma forma ou de outra ele vai participar.”
Parte da cúpula do tucanato não tem colocado muitas esperanças nos seus pré-candidatos. Segundo tucanos próximos ao governador, Leonardo Vilela não tem conseguido aglutinar forças internas e tem perdido terreno para Fábio Sousa. Por outro lado, um grupo do PSDB afirma que Marconi continua com a decisão de apoiar o candidato do PSDB. Nesse caso, o deputado federal levaria vantagem sobre Fábio.
Leonardo contesta as reclamações afirma que continua sua pré-campanha conforme havia planejado. “Na minha opinião o partido deveria acelerar a decisão do candidato para podermos trabalhar com toda a base. Estou fazendo minha parte e nenhum outro pré-candidato da base fez objeção ao meu nome.”
Fábio, que defende a realização de prévia no PSDB para escolher o candidato, não tem conseguido reverter dois pontos negativos: a desconfiaça dos tucanos sobre seu pai, o apóstolo César Augusto, que declarou em sua página no twitter apoio à reeleição de Paulo Garcia. Além disso, a cúpula do PSDB acredita que a campanha de Fábio deve se restringir ao apoio dos grupos evangélicos, principal base eleitoral do deputado estadual.
Se apegando ao desempenho em pesquisas eleitorais e a votação que teve em Goiânia em 2010, quando foi o deputado estadual do PSDB mais votado na capital, Fábio reclama de maneira indireta dos correligionários. “Meus amigos do PSDB têm que valorizar quem quer trabalhar. Não adianta lançar candidato que não é conhecido”.
Sobre a situação de seu pai, o deputado faz crítica à “análise fora do contexto” que fizeram da declaração do pastor no twitter. “Meu pai é um líder religioso. Ele não pode deixar de apoiar quem está na administração, seja municipal, estadual ou federal. E se eu for candidato meu pai vai apoioar o Paulo Garcia? “, questiona.