Fortaleza – O expresidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, neste sábado (02/04), em Fortaleza, que deverá assumir a Casa Civil na próxima quinta-feira. A fala foi o ponto alto do discurso de quase 30 minutos que ele fez sobre um palco montado na Praça do Ferreira, centro histórico de Fortaleza.
"Na próxima quinta-feira, se tudo der certo, se a Corte Suprema aprovar, eu estarei assumindo o ministério. Eu volto para ajudar a companheira Dilma", afirmou Lula para uma multidão estimada em 50 mil pessoas, segundo os organizadores, e entre 10 mil a 12 mil, pelos cálculos da Polícia Militar.
Até o momento, no entanto, a ida do petista para a Casa Civil está suspensa por uma decião liminar do ministro Gilmar Mendes. A previsão é de que o STF julgue a situação do ex-presidente em plenário, o que deve ocorrer na próxima semana. Lula criticou a oposição que quer destituir a presidente e disse que se Temer assumir será um golpe. "A nossa resposta a ser dada aos opositores é garantir a governabilidade de Dilma", afirmou, acrescentando que o vice-presidente, Michel Temer, "como constitucionalista", sabe que o processo de impeachment é um "golpe".
O ato, intitulado "Ceará com Lula", foi organizado pela Frente Brasil Popular – Ceará e pelo diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PTCE). Em um discurso carregado de emoção, Lula abriu falando sobre a chuva que caía forte sobre a Praça. "Mesmo que não tivesse o ato, só a chuva que Deus mandou já valeria a pena", comentou.
Em seguida, ele falou sobre o "clima de ódio" que o Brasil vive. "Tenho 50 anos de política e nunca vi um clima de ódio estabelecido no País como vejo agora. Essa gente que vai para a manifestação vestido de verde e amarelo tem que saber que o povo, que está aqui na rua, é um povo trabalhador e pede que respeitem apenas uma coisa: o voto popular que elegeu a Dilma". (Agência Estado)