Logo

Empresas e países fazem ‘corrida’ contra o zika

WhatsAppFacebookLinkedInX
28.03.2016 - 07:50:38

Brasília – Quase 70 anos depois de ter sido identificado na África, o vírus zika mobiliza de forma inédita a comunidade internacional em busca de uma solução. Esquecido por décadas, o vírus apenas passou a ser alvo de atenção depois dos casos de microcefalia no Brasil e diante da constatação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que até 4 milhões de pessoas poderiam ser afetadas apenas nas Américas em 2016.

Uma corrida foi lançada em institutos de pesquisa e em multinacionais em busca de novos produtos. Se durante anos os incentivos econômicos eram inexistentes para produzir alguma resposta, hoje as empresas sabem que quem chegar primeiro será amplamente recompensado por um mercado ávido por qualquer novidade no combate ao zika ou ao mosquito Aedes aegypti.

Documentos internos da OMS obtidos pela reportagem revelam a dimensão da corrida. No total, 96 companhias e institutos têm se lançado na busca por soluções para o vírus zika – 31 instrumentos de diagnósticos têm sido pesquisados, além de 27 vacinas, 8 produtos de terapia e 10 novos instrumentos de controle do vetor.

Levantamento da OMS mostra que a participação de países emergentes tem sido importante, ainda que limitada à busca por novas formas de controlar o mosquito. A pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos estão concentrados nos países ricos. Das 27 iniciativas de desenvolver uma vacina, apenas quatro estão em países em desenvolvimento. Com um custo que pode chegar a até US$ 500 milhões, a pesquisa nesse campo tem ocorrido principalmente nos Estados Unidos.

Governos europeus também já indicam que estão dispostos a investir. O comissário de Pesquisas da Comissão Europeia, Carlos Moedas, destinou ? 10 milhões para o projeto, além de ? 1,5 milhão do Reino Unido."Se a relação entre a microcefalia e o vírus for provada, o dinheiro poderia ser usado para combater o zika e desenvolver novos produtos", disse.

Disputa
Laboratórios, porém, estão enfrentando um grande problema: a falta de amostras para pesquisa, o que leva a suspeitas da existência de um mercado paralelo. "Há uma penúria de amostras", disse à reportagem Marie Paul Kieny, vice-diretora da OMS. Em fevereiro, o Conselho de Pesquisas Médicas da Índia pediu amostras para a OMS, indicando que estava com pesquisas avançadas para desenvolver um diagnóstico rápido. Precisava, porém, do material.

Em Cingapura, o Instituto de Bioinformática também se queixa do problema. "Ter acesso às amostras e a informações é hoje o grande desafio", diz Sebastian Maurer-Stroh, diretor do centro, que também tenta desenvolver novos produtos. Marie Kieny, da OMS, diz não acreditar em contrabando.

Mas fontes de alto escalão de duas instituições diferentes de pesquisas na América do Sul indicaram, na condição de anonimato, que a lei brasileira que impede que amostras do vírus zika sejam compartilhadas no exterior já estaria criando uma rede de contrabando, permitindo que amostras sejam levadas do País para outros centros de pesquisas pelo mundo.

Pelas regras, o Brasil impede qualquer tipo de envio de amostras de vírus para o exterior e o compartilhamento acontece apenas em casos específicos, com acordos preestabelecidos. O País, por exemplo, chegou a mandar amostras para a OMS. Além disso, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos enviou uma equipe para o Brasil e levou quatro amostras, todas testadas. Para o presidente do Instituto Butantã, Jorge Kalil, o Brasil está disposto a colaborar.

Mas sempre que puder ter um acordo claro de como o País vai ter uma participação nos lucros das futuras pesquisas no exterior. "Precisamos estar protegidos para evitar que, depois de colaborar, tenhamos de comprar o produto no futuro daquela entidade que usou nossas amostras", afirmou Kalil. "Precisamos fazer acordos de colaboração, e não apenas mandar amostras", disse.

Queixa
Não seria a primeira vez que um país emergente acabaria tendo de comprar um remédio fabricado com base em material que forneceu. Há dez anos, a Indonésia abriu uma queixa formal ao se deparar com o fato de que estava sendo obrigada a comprar uma vacina de uma empresa que havia usado justamente suas amostras para chegar ao resultado.

A ação dos asiáticos levou a OMS a formular uma nova regra para o compartilhamento de dados. Margaret Chan, diretora-geral da OMS, já saiu em defesa do governo brasileiro. "O Brasil está disposto a compartilhar amostras com entidades, com a participação da OMS", diz. Enquanto uma solução não chega, os pesquisadores já começam a diversificar a busca pelas amostras. O próximo destino da ofensiva é a Colômbia, onde a OMS observa com cuidado para avaliar se existe uma explosão de casos de microcefalia. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Mônica Parreira

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Postagens Relacionadas
SHOW
02.10.2026
Banda SHOTGUN se apresenta em Goiânia

A Redação  Goiânia  – A Banda SHOTGUN é atração confirmada no De Leon Music Pub. O grupo se apresenta neste sábado (3/10), às 22h, na casa localizada no Setor Sul, em Goiânia. Com um estilo único e ritmo contagiante, a banda relembra grandes nomes do rock como Guns N’ Roses, AC/DC e Led Zeppelin, entre outros […]

Politíca
02.10.2026
Governo do Canadá divulga alerta para cidadãos que pretendem viajar ao Brasil

A Redação Goiânia – O Governo do Canadá atualizou seu alerta de viagens para o Brasil e incluiu orientações específicas para o período eleitoral. Entre as recomendações divulgadas nesta sexta-feira (2/10) está a de que seus cidadãos evitem manifestações e grandes aglomerações antes, durante e depois da votação. O governo canadense também orienta a manutenção […]

Oportunidade
02.10.2026
Programa de formação GovTech Hub Goiás oferece até 500 vagas para inovação no setor público

A Redação  Goiânia – A Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), está com 500 vagas para organizações de todo o Brasil interessadas em desenvolver soluções tecnológicas para o setor público. A formação é gratuita e destinada a startups, empresas de tecnologia e instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) privadas. A iniciativa é […]

Trânsito
02.10.2026
Prefeitura de Goiânia autua construtora e intensifica fiscalização em canteiros de obras

A Redação Goiânia – A Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) realizou na quinta-feira (1/10), uma operação integrada de fiscalização em canteiros de obras e empreendimentos da capital. A ação tem como objetivo verificar o cumprimento da Instrução Normativa Conjunta nº 03/2026, que regulamenta as operações de carga e descarga e o uso adequado do espaço […]

Estado
02.10.2026
TJGO realiza 3ª Semana Nacional da Regularização Tributária

A Redação Goiânia – O Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) realizará uma ação de negociação de débitos com o Estado. Ao todo, cerca de 38 mil contribuintes já foram notificados para negociar suas dívidas. A mobilização acontece entre os dias 5 e 9 de outubro, e mesmo quem não tiver recebido o aviso […]

Negociação
02.10.2026
Prefeitura de Aparecida abre prazo para adesão ao Refis na segunda-feira (5/10)

A Redação Goiânia – A Prefeitura de Aparecida de Goiânia inicia na segunda-feira (5/10) o período de adesão ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS), que oferece condições especiais para contribuintes regularizarem débitos com o município. O prazo segue até 6 de novembro e contempla pessoas físicas e jurídicas, com descontos de até 90% em juros […]

Doação
02.10.2026
Novas regras para doação de sangue entram em vigor e ampliam público apto em Goiás

A Redação Goiânia – A Rede Estadual de Serviços Hemoterápicos (Rede Hemo) divulga os novos critérios para doação de sangue, estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 11.685 do Ministério da Saúde. As mudanças reduzem prazos de inaptidão e ampliam o número de pessoas que podem ser consideradas aptas a doar, sem comprometer a segurança transfusional. A […]

Eletricidade
02.10.2026
Três principais vilões da energia em Goiás: veja o que mais impacta o fornecimento

A Redação Goiânia – Mais da metade das interrupções de energia em Goiás tem origem em eventos climáticos, como vendavais e raios, fatores externos e imprevisíveis que lideram as ocorrências no estado, segundo levantamento da Equatorial Goiás. Diante desse cenário, a atuação sobre a rede elétrica passa a exigir monitoramento contínuo, capacidade de resposta rápida […]