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Estupro e condenação em rede nacional

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18.01.2012 - 12:08:30


Já falei que não dou a mínima para o Big Brother Brasil (BBB), aqui no A Redação, anteriormente. Você pode ler o texto nesse link. Agora, tem um fato novo que me força a novamente ter que escrever sobre este programa: um estupro em rede nacional. Tenho certeza que este caso é paradigmático na televisão brasileira e a Rede Globo fará, absolutamente, tudo para deixar esse escabroso acontecimento na menor proporção que conseguir. Mas o fato se sobrepõe à vontade da emissora e a verdade é que a Globo tem grande parcela de responsabilidade no que rolou, embora não há como negar que a culpa maior é de quem resolveu se aproveitar da garota desacordada.

Concordei bastante com esse texto do jornalista Alex Antunes sobre o tema. Em especial quando ele cita a ex-participante do BBB onde ela coloca a forçada de barra pela intimidade que a produção do programa dá ao disponibilizar menos camas do que o número de pessoas na casa. Além disso, libera bebida à vontade para pessoas que, se toparam estar ali, já têm toda sua intimidade midiaticamente estuprada. Ou seja, gente em busca do vale tudo pela exposição e de faturar o máximo possível dessa situação. É lógico que não podia dar coisa boa.

A real é que o crime cometido pelo participante contra sua colega inviabilizou não só sua permanência na casa, mas até seu plano de projeção pós-programa. Eu vi o vídeo e acho que Daniel abusou sim de Monique. Contudo, não é o que achamos que pauta nosso Direito Penal. Só depois de sentença transitada em julgado é que dá para falar se ele é culpado ou não, com amplo direito de defesa. O problema é que o mundo hoje não espera por isso e ele já foi condenado. Ou você acha que ele tem uma carreira após sua expulsão do programa?

Normalmente, ex-BBBs têm fonte de renda garantida como celebridades por um ano, até começar o próximo programa. Poucos conseguiram se firmar após esse prazo, como Grazi Massafera e a Sabrina Sato. Os demais faturam com publicidade, presenças VIPs em festas e eventos, cerimoniais de empresas e coisas assim. As garotas vão para a Playboy. Se forem espertos, fazem esse caixa e voltam à vida ordinária após o ano de exposição em uma condição financeira mais confortável. Outros, se perdem e voltam mais quebrados. Cada um, cada um.

Daniel perdeu esse plano de faturamento após seu erro. Ou alguma empresa vai querer vincular sua marca à pessoa de alguém que a sociedade entende como estuprador? Você pagaria cachê para um suposto estuprador dançar com sua filha na festa de 15 anos? Pois é, o pós-BBB dele será responder uma treta séria com a Justiça. Caso seja sentenciado inocente, de pouco vai adiantar nesse plano midiático, pois para a sociedade sua fama de criminoso já terá se consolidado. A sentença midiática vem sempre antes da sentença do juiz.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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