Catherine Moraes
A crise na saúde municipal e estadual é denunciada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremego) há mais de um ano, de forma insistente. Ainda assim, Salomão Rodrigues afirma que nada foi feito e não atribui a culpa ao secretariado. Para ele, os secretários até desejam uma realidade diferente, mas estão de mãos atadas. Por esse motivo, o conselho encaminhou um ofício ao Ministério Público Federal (MPF) pedindo “socorro”.
Segundo o ofício, a saúde pública do Estado vive a pior e maior crise de todos os tempos e, por esse motivo, o pedido é que sejam tomadas providências imediatas. Entre as falhas apontadas estão a falta de materiais básicos, deficiências estruturais e de higiene e ainda a falta de profissionais de saúde.
De acordo com o Cremego, as denúncias são comprovadas por cópias de relatórios de vistorias feitas pelo conselho no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo), Hospital de Doenças Tropicais (HDT), Hospital Geral de Goiânia (HGG) e Hospital Materno Infantil (HMI).
Inquérito
Salomão Rodrigues conta que, apesar de não ser um comunicado oficial, o MPF deve abrir um inquérito civil público. Com isso, devem ser convocados prefeitos das principais cidades e o governador Marconi Perillo para tentar solucionar os problemas. “Procuramos o MPF porque não conseguimos nenhum resultado até o momento. Além disso, os hospitais são geridos com recursos federais e, assim sendo, esperamos que finalmente haja uma solução”, completa o presidente.
Plantões desabastecidos
Em dezembro passado o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) teve alto número de profissionais que pediram demissão. “Não sabemos ao certo quantos médicos pediram o desligamento, mas sabemos que são vários já que os plantões que antes contavam com quatro ou seis profissionais, hoje possuem apenas dois ou até apenas um”, afirma o diretor de comunicação do Sindicato dos Médicos (Simego), Robson Azevedo.
“Há dois finais de semana, tivemos um médico e uma enfermeira para atender 36 pacientes em duas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Hugo. Ele chegou a registrar ocorrência porque a situação é inaceitável. Pelo Ministério da Sáude, o recomendado são onze pacientes por médico e já acredito que esse número precise ser revisto”, completa Salomão.
Em outro episódio, o Hospital de Urgências chegou a transportar pacientes para serem atendidos em Santa Helena (GO) com uso do helicóptero do Corpo de Bombeiros. Isso porque não há ortopedistas e neurocirurgiões suficientes para atender a demanda. “Geralmente é a capital que atende o interior, mas estamos vendo uma alteração no fluxo”, afirma o presidente do conselho.
Rede Municipal
Apesar das denúncias atuais se referirem a hospitais estaduais, Salomão afirma que está sendo realizado um novo raio-x da situação da rede municipal de saúde. Ele adianta que o relatório será divulgado na próxima semana e lamenta que a situação não avançou positivamente desde o ano passado, quando a situação dos Centros de Assistência Integral à Saúde (Cais) foi amplamente divulgada na mídia.
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