Sarah Mohn
Goiânia – A menos de uma semana para as prévias do PSDB goianiense, que serão realizadas no próximo domingo (21/2), o deputado federal e pré-candidato Giuseppe Vecci afirma que o processo adotado pela legenda para definir o nome a disputar as eleições majoritárias em Goiânia neste ano é o mais adequado por ser democrático, garantir transparência e esquentar a militância.
"Ao invés de ficar chorando, igual muitos candidatos ficaram por aí chorando no meio do caminho, eu corri e fui trabalhar. Num primeiro momento, eu tinha certa fragilidade dentro de Goiânia e agora supri essa fragilidade com trabalho", disse Vecci na manhã desta segunda-feira (15) ao jornal A Redação. O deputado adiantou que planeja para a próxima sexta-feira (19) a realização de uma grande reunião de encerramento desta etapa.
Ao AR, Vecci disse acreditar que o deputado federal Waldir Soares (PSDB) desistiu de disputar as prévias tucanas por medo de perder na votação interna da legenda. Falou ainda que, caso o correligionário decida mesmo se desfiliar do PSDB, não haverá surpresa. "Ele já há muito tempo que não tem consonância com a cartilha do partido. De qualquer maneira, se esse é o caminho que ele quer trilhar, que o faça."
Giuseppe Vecci criticou as acusações que o colocam como candidato chapa branca do governo estadual e afirmou que não é submisso ao governador Marconi Perillo. "O governador está em viagem e vai voltar depois das prévias. Tenho orgulho do trabalho dele, mas não sou submisso ao governador. Tenho vontade própria, por isso estou trabalhando independentemente dele", garante.
(Foto: Mônica Parreira/A Redação)
Veja a entrevista completa:
AR: As prévias do PSDB serão no próximo domingo (21/2). Como está a reta final?
Giuseppe Vecci: Eu continuo trabalhando, como o fiz desde o início. É importante ressaltar que as prévias são muito positivas, pois tiram a militância do morno e esquentam a militância. Ao invés de ficar chorando, igual muito candidatos ficaram por aí chorando no meio do caminho, eu corri e fui trabalhar. Num primeiro momento, eu tinha certa fragilidade dentro de Goiânia e agora supri essa fragilidade com trabalho. Me reuni com todas as zonas nos escritórios, nos bairros, fiz reuniões com mulheres, com juventude, com militantes históricos. Eu continuo trabalhando e acho que não tem processo mais democrático.
AR: Declarações do Delegado Waldir afirmam que o senhor é chapa branca do governo e do PSDB.
Eu respondo a isso com trabalho. Eu sou filiado ao PSDB desde 1990, sou vice-presidente nacional do partido. Eu trabalho pelo PSDB há muito tempo, tenho relações de amizade com as pessoas. Mas não fico esperando quem quer que seja. O governador está em viagem e vai voltar depois das prévias. Tenho orgulho do trabalho dele, mas não sou submisso ao governador. Tenho vontade própria, por isso estou trabalhando independentemente dele. Quero o apoio dele, dos auxiliares dele, da maioria da militância do PSDB e estou me esforçando para isso.
AR: Por que o senhor acha que ele desistiu?
Porque ele já queria desistir. Ele não aceita que ele não seja o candidato único do partido. É isso. Eu acho que é um direito dele. Fique à vontade. Não fiquei chorando aos quatro cantos as dificuldades de entrar em uma prévia. Eu fui o quarto deputado do PSDB mais votado em Goiânia, então os outros pré-candidatos que foram colocados tiveram mais votos que eu e teriam muito melhores condições de lutar para ganhar o apoio da militância.
AR: Acha que o delegado Waldir desistiu por medo de perder nas prévias?
Acredito que sim.
AR: Houve a reunião do vice-governador, José Eliton, com deputados e lideranças para pedir apoio à sua candidatura?
Ficou o dito pelo não dito. Ele (delegado Waldir) não disse para qual deputado teria sido pedido apoio. Eu nunca coloquei em suspeição 9,7 mil nomes. Como se 9,7 mil filiados fossem dissiados. Ele não foi muito feliz nessa atitude.
AR: O delegado Waldir apontou que dos 9,5 mil filiados 2.079 são funcionários estaduais e municipais e que isso caracteriza indícios de “voto de cabresto”.
Servidor é gente, tem vontade própria. Hoje em dia, ninguém mais é cabresto de ninguém não. Hoje em dia o mundo mudou. A política de cabresto é política de outrora. O delegado Waldir coloca como se servidor não pudesse ter vontade própria. Dos 2 mil servidores de quase 9,7 mil, quase 1 mil são da prefeitura. E tem 16 anos em que nós não estamos na prefeitura. Então, isso não é desculpa para poder macular esse processo positivo, que entendo serem as prévias do PSDB.
AR: Ele chegou a conversar com o senhor, a fazer alguma reclamação?
Não, mas eu me dou bem com o delegado Waldir. Eu o vi colocando no jornal que se dava bem com todos os deputados federais à exceção de mim. Eu pensei: só se foi de antes de ontem para ontem, porque toda vida eu me dei bem com ele. Acho que ele tem lá suas qualidades.
(Foto: Mônica Parreira/A Redação)
AR: Caso o delegado Waldir saia mesmo do PSDB, o senhor acha que será uma perda para o partido?
De uma forma ampla, perder elementos dentro de um partido é ruim. Mas ele já há muito tempo que não tem consonância com a cartilha do partido. Tem dito que as pessoas não gostam dele, que a cúpula não gosta dele, que ele é independente. Então, são opiniões. De qualquer maneira, se esse é o caminho que ele quer trilhar, que o faça.
AR: O vereador Anselmo Pereira sinalizou que pode desistir das prévias. Ele conversou com o senhor?
Não. O vereador Anselmo é uma pessoa que eu tenho respeito, me auxiliou e apoiou para deputado federal, é um dos políticos mais completos que nós temos aqui na capital. Eu tenho respeito por ele, acho que ele tem o direito de pleitear. Quero que até o dia das prévias a gente continue tendo relação construtiva como está ocorrendo até o presente momento.
AR: O senhor se reuniu com todas as zonais na capital?
Há duas zonais sem presidente. Mesmo assim, eu me reuni com os filiados de uma e apenas da outra não. Em algumas das dez zonais eu já fiz até três ou quatro reuniões.
AR: E quanto à composição com outros partidos, o senhor avançou a conversa com outras legendas?
É lógico que a gente não deixa de conversar, mas não necessariamente avançamos, porque é preciso aguardar a escolha das prévias. A partir de segunda-feira, com certeza a gente pode avançar mais nessas questões.
AR: Caso o senhor seja escolhido como nome do PSDB, como vai conciliar as atividades da Câmara dos Deputados com a pré-campanha?
As convenções serão só no dia 5 de agosto. Nos 45 dias de campanha oficial, ainda vou analisar se vou pedir licença ou não. Até lá, espero ter energia para estar lá (em Brasília) e aqui conciliando as duas atividades.
AR: Sendo escolhido nas prévias, como pretende atuar na pré-campanha?
A pré-campanha talvez seja mais importante que a campanha, principalmente para candidatos que não são totalmente conhecidos na cidade, que é o meu caso. Então vamos ter que trabalhar nas redes sociais, vamos ter que fazer reuniões, dialogar e debater com a sociedade, apresentar propostas para Goiânia para que a gente possa aglutinar pessoas em cima de um projeto de desenvolvimento para nossa capital.