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Eu não acredito que vai começar de novo

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06.01.2012 - 10:58:34

Todos anos, quando a idiotia do Big Brother Brasil (BBB) ganha a pauta, me sinto um completo extraterrestre. Nunca vi graça no programa e isso não é papinho pseudocult não. Desde sua primeira edição, não consegui me envolver e torcer por alguém naquela casa. O primeiro Casa dos Artistas do SBT, aquele que tinha o Supla, ainda me seduziu. Mas o reallity show global nunca me pegou.

Vi a notícia que já saiu a lista dos que vão ficar enfurnados na casa. Me surpreendi que o Yuri, filho dos meus amigos Juquinha e Claudinha, foi selecionado. Tomara que seja bom para a carreira do cara, que ele consiga o destaque necessário para outras atividades profissionais que empreende. Ele é super gente boa. Tive a oportunidade de conhecer o figura no último Goyaz Festival, no Centro Cultural Oscar Niemeyer. Como disse, é gente fina. Agora, não vou assistir a baboseira por que gosto do cara e tenho apreço especial pelos seus pais.

Também sou amigo do Dhomini, que venceu o programa alguns anos atrás. Mesmo sendo brother do cara, nunca o poupei da crítica que tenho sobre o programa que o levou ao destaque nacional. Na verdade, preciso ser sincero sobre meu desinteresse pelo BBB: não sou muito ligado em televisão de forma geral. Ainda mais em programas que se pautam na vida alheia. Não tenho saco nenhum para isso.

O problema é que, mesmo sem interesse algum pelo que se passa dentro da casa, a capilaridade do BBB é gigantesca. O inferno é geral e ele lhe cerca por todos os cantos. Vem nas redes sociais, vem dos sites que você abre, vem das capas de jornal, vem das rodas de conversa, vem no almoço de família… É impossível passar incólume por esse tornado do BBB, mesmo sem assistir o programa.

E é mais intrigante ainda o envolvimento brutal de tanta gente em algo que, cá entre nós, não tem a menor graça. Embora eu imagine que quem não gosta de futebol deve pensar a mesma coisa quando vê um estádio lotado ou aquele bando de gente se apinhando em frente a uma televisão para ver os gols da rodada. Gosto é gosto igual macaco é macaco. Eu consigo listar um milhão de argumentos de cunho sociológicos e antropológicos em prol do futebol. Acredito que quem gosta do BBB deve ter as mesmas armas para sua defesa. E o mundo não vai parar de girar por causa disso.

Quando vejo que já são 12 edições do programa, eu juro que penso que poderíamos ter antecipado o final do mundo para o 2011. Já que é pra morrer mesmo, ao menos escaparíamos daquela groselha comandada pelo Pedro Bial.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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